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Gestão de projetos e o desenvolvimento econômico empresarial

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Por Cristiane Mancini*

O Global Enterpreneurship Index 2016 aponta o Brasil na 92ª posição no ranking mundial de condições ao empreendedorismo.

Já no ranking mundial de projetos com certificação de ecoeficiência Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), o Brasil é o terceiro colocado.

O mesmo país se posiciona em 55º lugar (2015) entre os 160 países avaliados no ranking de projetos logísticos do Banco Mundial. No levantamento de 2014, o Brasil aparecia na 65ª posição.

Apesar dos rankings serem elaborados por diferentes entidades e para representar distintos setores, a colocação denota a importância da área de projetos no alcançar da eficiência e melhorias nos mais diversos quesitos. Neste sentido, a área de projetos é uma área em expansão no mundo e principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil, pois através deles é possível reorganizar setores, inovar e alcançar o crescimento e desenvolvimento.

Definição

Projeto é o esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado. Temporário, pois deve ser por um tempo determinado, estabelecido já que um projeto infinito traria desafios para o cumprimento de metas.

O projeto contempla uma estratégia. A estratégia empresarial é o esforço de dirigentes para garantir sustentabilidade e posicionar a organização em seu contexto.
É importante mencionar que os projetos geralmente representam o interesse de uma minoria, pois representam um setor/uma área, dificilmente de uma empresa inteira. No entanto, são necessidades percebidas da área especializada que devem ser levadas em consideração para o crescimento da empresa. Por esta razão, as ideias nem sempre são transformadas em projetos.

Assim, para a viabilidade dessa ideia depende de algumas análises. A estratégica e a mercadológica. Estratégica no sentido de alcance de alguma melhoria e competitividade e mercadológica se tratando de mercado, de concorrência.

Importante pontuar que independente do projeto e da área em questão, este sempre carrega consigo a ideia de melhoria ou pelo menos de estabilidade de uma situação quando existem desafios a serem superados, garantindo a sobrevivência daquele negócio.

Caracterização dos projetos

As principais características dos projetos são:
• Temporários, possuem um início e um fim definidos;
• Planejados, executado e controlado;
• Entregam produtos, serviços ou resultados exclusivos;
• Desenvolvidos em etapas e continuam por incremento com uma elaboração progressiva;
• Realizados por pessoas.
• Com recursos limitados.

Podem ser projetos externos à organização ou projetos internos. Ambos podem ser classificados como operacionais ou estratégicos.

Os projetos estratégicos podem ser para novos negócios/novos mercados, desenvolver novos projetos/serviços; alianças/parcerias; alterações de posicionamento; organizacionais; mudanças culturais; modificações políticas e em processos.

Os projetos operacionais visam à melhoria de produtos, do atendimento, da logística, de processos, aprimoramento de qualidade, desenvolver competências e sistemas.

De acordo com o Project Management Institute (PMI) o gerenciamento de projetos é a aplicação de conhecimento, das habilidades, de ferramentas e técnicas do projeto a fim de atender aos seus requisitos.

Os projetos seguem as etapas na seguinte ordem: início, planejamento, monitoramento e controle, execução de atividades até a etapa de finalização do projeto.

Importante colocar que na elaboração de um projeto devem ser levados em consideração os objetivos iniciais e que esses só farão sentido no prazo e escopo previamente estabelecidos para que assim, sejam determinados os recursos humanos a serem engajados, os possíveis riscos e a motivação necessária à equipe (mesmo que estes estejam alocados por um curto tempo e que o projeto terá um término). Além disso, é necessário gerenciar as aquisições em todas as etapas do projeto; administrar os materiais a serem utilizados; simetria de informações (boa comunicação); atender as partes interessadas – os stakeholders (indivíduos e organizações ativamente envolvidos no projeto. Maior atenção em todos esses aspectos significará na possibilidade de sucesso deste projeto.

Questões a considerar em um projeto

O projeto deve levar em consideração as seguintes questões:
• Padrões e regulamentos: é importante ressaltar que a legislação em alguns países e/ou regiões pode alterar consideravelmente os rumos de um projeto;
• Questões pertinentes à internacionalização (quando for este o objetivo);
• Questões de diferenças culturais (políticas, econômicas, éticas, étnicas, religiosas, etc);
• Sustentabilidade social (econômica e ambiental).

Considerações

De uma forma sucinta, para o bom gerenciamento de um projeto é necessário conhecimento, habilidade, mas também atitude.

O desempenho dos projetos tanto em níveis internacionais como no mercado interno é fundamental para o crescimento econômico e para a competitividade entre países.
Bons projetos conectam os indivíduos, conectam empresas com mercados e mercados às oportunidades. Auxilia o alcançar dos níveis mais elevados de produtividade e possivelmente, de bem estar.

Os projetos são bens necessários na atualidade empresarial e como não, na economia nacional e em integração em níveis internacionais.

Cristiane Mancini
*Economista/Economist
cristiane_mancini@yahoo.com.br

Geração eólica no mundo e no Brasil e a competitividade industrial

Por Cristiane Mancini*

O Brasil tem se destacado na geração eólica. De acordo com o Ministério e Minas e Energia (MME), alcançou a 8º posição no ranking mundial de geração eólica em 2015 e registrou o 1º lugar no ranking mundial em fator de capacidade de geração (38%) e manteve a 4ª posição no ranking mundial de potência instalada. Esse resultado é o reflexo de avanços tecnológicos em materiais, no porte das instalações e melhores sítios, que em conjunto, propiciam melhor aproveitamento dos ventos. São 16,6 GW de potência eólica contratada, dos quais, 9,3 GW em operação; 3,4 GW em construção e 3,9 GW a construir.
No mundo, a Dinamarca apresenta a maior fatia de geração de energia através dos ventos, com 44,6%. Em seguida, a Irlanda (24,8%), Portugal (21,7%) e Espanha (18,2%).
(colocar gráfico pizza)

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Emergentes puxam investimento global
De acordo com a Unep (Programa das Nações Unidas para o Ambiente, em inglês), liderado pelos países emergentes, o setor de energia limpa recebeu mais do que o dobro de investimentos do que outros tipos de geração no ano passado.
Além da agenda pública e compromisso internacional à produção de energia mais limpa, a redução no custo de implantação tem incentivado o crescimento pela procura de energia limpa. Estudo elaborado pela mesma entidade mostra que houve queda no custo dos painéis solares de cerca de 80% e de até 40% nas turbinas eólicas.
De acordo com um estudo de fatores como necessidade de geração de energia, políticas favoráveis, financiamento, infraestrutura e recursos naturais disponíveis, revela que o potencial de atração de investidores por país. Em primeiro lugar, os Estados Unidos, em 2º a China; em 3º, a Índia, em 4º, o Chile, em 5º, a Alemanha e em 6º lugar, o Brasil; em 7º, o México; em 8º, a França; em 9º, o Canadá e em 10º, a Austrália.

Primeiro semestre de 2016
De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a produção de energia eólica no Brasil cresceu 55% nos primeiros seis meses do ano. Com 2.860 MW médios, o desempenho das usinas em operação no Sistema Interligado Nacional (SIN) foi 1.018 MW médios a mais que o registrado no mesmo período de 2015 (1.842 MW médios). No final do primeiro semestre do ano, os 366 empreendimentos eólicos em operação no SIN atingiram 9.330 MW em capacidade instalada (+50% sobre junho do ano passado).
Regionalmente, os números do primeiro semestre apontam a liderança do Rio Grande do Norte que permanece como principal produtor de energia eólica e com maior capacidade instalada de usinas desta fonte no país. Em seguida, o estado da Bahia na 2ª colocação com 599 MW médios (+47,5%), seguido pelo Rio Grande do Sul, que alcançou 479 MW médios (+66,6%), e o Ceará com 456 MW médios (+25,7%) produzidos no primeiro semestre.

Rio Grande do Norte ultrapassa marca de 1.500 turbinas eólicas em operação
De acordo com o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), o Rio Grande do Norte ultrapassou a marca de 1.500 turbinas eólicas em operação comercial. O recorde foi alcançando com a entrada em operação comercial do parque eólico Macambira II. O empreendimento é composto por 9 aerogeradores de 2 MW, somando um total de 18 MW em potência instalada, reforçando o papel do estado como principal produtor de energia eólica do país. A usina Macambira II, de propriedade da empresa espanhola Gestamp, encontra-se instalada no município de Lagoa Nova, na região da Serra de Santana. Com a entrada em operação comercial do parque, o estado atinge o total de 1508 turbinas em funcionamento. Para ilustrar, o estado sozinho possui mais de três vezes a potência eólica instalada de todos os outros 8 países da América do Sul e acima do Japão e Nova Zelândia, além de países europeus como Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Republica Checa, Finlândia, Grécia, Hungria, Noruega, Suíça e Ucrânia.

Ceará – rumo ao pioneirismo
Segundo dados da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), pioneiro em energia eólica no país, o Ceará está investindo para atingir a lideraça nacional. Quarto colocado no ranking nacional, o Ceará tem capacidade instalada de 1,6 GW. Segundo o governo do estado, 39% da energia elétrica consumida é proveniente dos ventos – acima dos 6,25% do país e até da média do Nordeste, de 30%. Atualmente, o estado conta com 59 parques eólicos e pretende atingir 102 até 2019, gerando cerca de 17 mil empregos durante a fase de construção.

Crédito do BNB atrai projetos eólicos na Bahia
O Banco do Nordeste (BNB) já recebeu somente na Bahia cerca de 40 projetos de empresas em sociedades de propósito específico (SPE) em busca de recursos para a construção de sistemas eólicos e solares. O banco financia, além de empresas, projetos de pessoas físicas e de condomínios e associações, sejam na zona rural ou urbana. Para isto, foi criada uma linha de crédito específica para a micro e a minigeração distribuída de energia elétrica, usando recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.
No caso de projetos de grande porte nos setores de biomassa, energia eólica, energia solar fotovoltaica e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), as condições são: financiamento de até 60% do valor, com prazo de até 20 anos e carência de até 8 anos, com taxas de juros de 12,95% e bônus de adimplência 15%, podendo ser pago em até 12 anos, com até 1 ano de carência. Cerca de R$ 500 milhões devem ser direcionados para micro e minigeração, por meio deste programa.

Realidade empresarial
Além do compromisso internacional (entre países) na redução da emissão de gases poluentes, o comércio, as residências e como não, as indústrias, percebem a energia eólica como uma possibilidade de complementaridade de geração de energia, redução de resíduos na produção e principalmente corte de custos, principalmente quando se trata de setores eletrointensivos. Seguindo essa linha, a Honda Energy do Brasil, subsidiária da Honda Automóveis do Brasil, anunciou que, a partir de novembro deste ano, toda a demanda de energia elétrica do escritório da marca na capital paulista será suprida através da geração eólica. Desde novembro de 2014, o parque eólico da Honda, situado em Xangri-Lá (RS), fornece energia limpa e renovável para o complexo de Sumaré, interior de São Paulo, onde se localiza a sede administrativa da marca na América do Sul, o centro de pesquisa e desenvolvimento da Honda na região e a fábrica de automóveis, que opera, anualmente, em sua capacidade produtiva plena de 120 mil veículos ao ano. Em 2011, a matriz já havia estabelecido como meta a redução em 30% as emissões de CO2 de seus automóveis, motocicletas, produtos de força e também de seus processos produtivos em todas as suas unidades no mundo.
Como precursora no grupo e no setor automotivo nacional, a filial brasileira propôs a criação do parque eólico e já em 2015, reduziu mais de 50% das emissões.
A construção do Parque Eólico Honda Energy representa uma nova realidade e preocupação empresarial, de readequação e inovação da produção de energia em prol da redução do custo deste insumo, um dos principais drivers de competitividade na produção industrial nacional.

Cristiane Mancini
*Economista/Economist
cristiane_mancini@yahoo.com.br

Consumo de energia no Brasil aumentou em julho e o que esperar para o mês de agosto

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Por Cristiane Mancini*

De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com dados coletados entre os dias 1º e 19 de julho, o consumo brasileiro de energia elétrica totalizou 57.686 MW médios, isto é, a população passou a consumir mais energia elétrica. Ao comparar com o mesmo período do ano passado, o total sinalizou um crescimento de 2,1%, com alta de 11,6% para o mercado livre e queda de 1,0% no mercado cativo.

Com o intuito de reduzir custos de produção dada às altas tarifas de energia elétrica, uma parcela considerável de indústrias alterou a forma de contratação de energia, migrando para o mercado livre. Por conta deste novo regime contratual, a expansão (+11,6%) do consumo de energia no mercado livre pode ser justificada pela entrada destas novas unidades fabris. Não considerando estes novos consumidores, houve um crescimento de 3,9%, o que denota uma melhora nas atividades industriais que estavam comedidas diante da crise econômica da qual o país atravessa. Ademais, vale apontar que julho faz parte do período de inverno no Brasil, o que impulsiona os consumidores residenciais a utilizarem mais aquecedores, realizar banhos mais demorados e quentes contrariamente do verão.

Dentre os ramos da indústria analisados pela CCEE, incluindo autoprodutores, consumidores livres e especiais, todos os setores apontaram crescimento no consumo, com exceção do setor de extração de minerais metálicos (-12,0%), ainda bastante comprometido pela fraca demanda em projetos de infraestrutura (fios elétricos e materiais destinados à construção civil), e ainda, pela queda do consumo de produtos de linha branca (os minerais metálicos são utilizados como matéria prima na produção de geladeiras, fogões, microondas, dentre outros).

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Em relação à geração de energia, houve a entrega de 60.034 MW médios ao Sistema Interligado Nacional (SIN) em julho, representando um aumento de 2,1% na comparação com os primeiros 19 dias de julho de 2015.

A produção de energia através de usinas eólicas merece destaque, sendo responsável pela produção de 4.127 MW médios, um crescimento de 57,0% sobre o mesmo período de 2015, denotando constante expansão. No que se refere à produção de energia através da geração hidráulica, incluindo as PCHs, totalizou 44.075 MW médios, montante 10,4% superior ao registrado em 2015. E por fim, queda de 27,2% na produção das usinas térmicas, mais poluentes, impactada pelo desempenho das usinas a óleo (-83,3%), bicombustível (-45,2%) e a gás (-39,5%).

Bandeira tarifária para agosto será verde

Criado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza com precisão o custo real da energia gerada, o que possibilita aos consumidores o uso mais consciente da energia elétrica seja ela nas residências, no comércio ou na indústria. Além disso, o sistema de bandeiras tarifárias promove maior transparência dos custos de toda a cadeia de produção de energia.

Resumidamente, quanto maior é a dificuldade de geração de energia, independente da razão, a produção e a distribuição encarece e assim, o consumidor passa a pagar mais.

A bandeira tarifária de energia elétrica para o mês de agosto será verde, sem custo extra para os consumidores – um bom sinal. Os principais fatores que contribuem para a bandeira verde são: a recomposição dos reservatórios das hidrelétricas; o aumento de energia disponível com redução de demanda; e a adição de novas usinas ao sistema elétrico brasileiro (como citadas anteriormente, novas usinas eólicas e solar em operação, por exemplo).

Não existirão a priori, grandes preocupações e alterações em relação às tarifas de energia para o mês de agosto no Brasil.

Cristiane Mancini
*Economista/Economist
cristiane_mancini@yahoo.com.br

Taxa Selic mantida em 14,25% ao ano, e o que isso significa?

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Por Cristiane Mancini

O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros Selic em 14,25% a.a., sem viés, como previamente esperado pelo mercado financeiro.

Esta reunião foi a primeira conduzida pelo novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn e pelos quatro novos diretores (de Política Econômica, de Assuntos Internacionais e de gestão de riscos corporativos, de Política Monetária e de Relacionamento institucional e Cidadania).

Em síntese e de acordo com o comunicado divulgado, o Comitê apontou algumas observações levadas em conta para a manutenção da taxa de juros.

Primeiramente, alguns indicadores econômicos denotam perspectiva de estabilização da atividade econômica no curto prazo no Brasil. No entanto, merece atenção o nível de ociosidade bastante alto que persiste na economia brasileira, indicando um funcionamento bastante aquém do esperado.

Em segundo, se tratando do mercado internacional no curto prazo, o ambiente econômico está propício às economias dos países emergentes, mas a economia global ainda está em lenta recuperação com algumas incertezas. Dentre elas, atentados terroristas, corrupção, eleições, instabilidade política, altas taxas de desemprego, inflação, deflação que impactam negativamente na economia mundial.

Em terceiro, as expectativas de inflação no Brasil apuradas pela pesquisa Focus (divulgadas pelo Banco Central) para 2017 caíram, o que pode proporcionar mais “tranquilidade” já que se trata de um indicador tão temido pelos brasileiros. No entanto, ainda segue acima da meta para a inflação (4,5%). No cenário de mercado, a projeção para 2017 está em torno de 5,3%.

O Comitê identifica alguns riscos para a inflação no Brasil, isto é, alguns fatores que podem distorcer as previsões de queda:

“(i) a inflação acima do esperado no curto prazo, em boa medida decorrente de preços de alimentos, pode se mostrar persistente; (ii) incertezas quanto à aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia permanecem; e (iii) um período prolongado com inflação alta e com expectativas acima da meta pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de desinflação; Por outro lado, (iv) os ajustes na economia podem ser implementados de forma mais célere, permitindo ganhos de confiança e reduzindo as expectativas de inflação; e (v) o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom”.

A decisão do Copom revela um cenário de riscos eminentes que não permite uma flexibilização da política monetária, isto é, um corte da taxa básica de juros (Selic).

A taxa de juros pode ser alterada caso seja necessário manter o controle da inflação e para cumprir a meta estabelecida para este ano. Desta forma, na hipótese de que a meta de inflação não seja atingida, o Banco Central pode elevar os juros.

Podemos dizer que a trajetória de queda da taxa de juros pode dar início em outubro/novembro, mas evidentemente depende do desempenho da economia brasileira e da condução da Política Fiscal.

A expectativa para a inflação no Brasil é de queda, com a contribuição da desvalorização do dólar frente ao real. Além disso, precisamos considerar o crescimento da economia norte americana. Se esta obtiver um crescimento mais robusto e os juros forem elevados pelo Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), o início do corte de juros no Brasil pode ocorrer somente no mês de novembro.

Com a alta dos juros nos Estados Unidos, os investidores podem achar mais interessante aplicar seu dinheiro no país, o que causaria a migração de recursos que atualmente estão aplicados nos mercados emergentes, como o Brasil. Desta forma, para continuar atraindo os investidores, o Brasil pode optar pela manutenção da taxa de juros.

Mas… o Fed manteve a taxa de juros
Por ora, a hipótese levada em consideração acima foi descartada. O Federal Reserve (Fed) manteve sua taxa de juros inalterada, mesmo que as suas estimativas apontem menos riscos na economia norte americana. A taxa de juros básica dos EUA, que determina o custo do crédito, se manterá dentro das margens atuais (entre 0,25 e 0,50%).

“O mercado de trabalho se fortaleceu e a atividade econômica avançou a um ritmo moderado”, indica o FOMC em seu comunicado final, “a criação de empregos foi forte em junho depois de cair em maio, estimulando dúvidas sobre a consistência da recuperação”. Continuará observando “a evolução da situação econômica e financeira mundial”, mas já considera que os “riscos no médio prazo para as perspectivas econômicas diminuíram”.

Projeções
A conclusão otimista do Federal Reserve em relação à economia norte americana pode trazer a alta dos juros na reunião do Fed de 20 e 21 de setembro o que pode alterar mais uma vez a conduta da Política monetária no Brasil.

De uma forma simplificada, os juros altos são benéficos para os investidores. Aquele que compra um título do governo, por exemplo, recebe mais se a taxa de juros estiver subindo. No entanto, uma taxa alta prejudica a maioria da população, que paga crediários maiores, e os empresários, que encontram dificuldades para vender sua produção, mais caro investir em inovação, em expansão de negócios e a compra máquinas e equipamentos, por exemplo.

Dificilmente existe somente uma ótica…enquanto isso aguardemos (trabalhando) pelo crescimento econômico brasileiro e atentos às possíveis mudanças deste cenário e da economia mundial.

Cristiane Mancini
*Economista/Economist
cristiane_mancini@yahoo.com.br

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