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Finanças e inteligência emocional

Business people practicing yoga in park

Por Danilo Cury*

Sempre procuro analisar objetivamente, a partir de dados reais, qual é a melhor forma de evoluir profissionalmente, administrar corretamente um negócio, fazer investimentos e buscar empréstimos. Nos artigos que escrevi até agora, abordei marketing e relacionamento e insisti muito em cálculo de custos, para a obtenção de preços competitivos.

Várias vezes falamos de produtividade, processos e métodos de trabalho. Previmos a crise, quando todos estavam otimistas. Porém, falhamos em um aspecto. Quais são as nossas reais motivações? Como é o processo de tomada de decisões?

Existem centenas de livros de autoajuda e milhares de administração financeira, porém pouquíssimos que tratam de finanças comportamentais. Em 35 anos de mercado, muitas vezes vimos profissionais experientes agirem emocionalmente como leigos, comprando ações no pico e vendendo na baixa. Já vimos também empresários gastarem fortunas para expandir de uma forma desordenada e sem necessidade o seu negócio ou comprarem equipamentos caríssimos, de marcas diferentes, que fazem exatamente a mesma coisa e ficam subutilizados.

No final das contas, o que deveria nos motivar é ter paz, estar bem com a família, enfim, ser feliz. Por que muitas vezes tomamos decisões que vão contra o objetivo fundamental de todo ser humano? Orgulho, inveja, raiva, necessidade de ser aceito, frustrações ou algo que “nem Freud explica”?

Só conseguimos estar bem profissionalmente, se estivermos bem emocionalmente. Como vivemos em um mundo conturbado, a terapia é a chave fundamental para o sucesso pessoal e profissional. Setenta por cento dos executivos americanos de alto nível fazem terapia, sendo que, desses, oitenta por cento têm uma vida que consideram de bom ou ótimo nível de felicidade, segundo pesquisa da Universidade da Califórnia, Berkeley.

Portanto, meus colegas, vamos ativar a nossa inteligência emocional, vamos fazer terapia, nem que seja de grupo!

Danilo Cury
*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br

O sonho de consumo acabou

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Por Danilo Cury*

Nos anos 1980 e na primeira metade dos anos 1990, era normal termos no Brasil uma inflação que chegava a 20% ao mês. Isso penalizava, basicamente, a classe média e as inferiores. Imaginem: um salário de 100 (em uma moeda qualquer da época) chegava ao bolso do trabalhador valendo 83 no fim do mês (no recebimento) e 69 até o fim do mês seguinte (quando teria que fazer as compras e pagar suas contas).

As classes A e B tinham como se defender da alta de preços, parcelando suas compras e aplicando em fundos atrelados ao índice de inflação ou à variação do câmbio. Tivemos também cinco planos econômicos que não deram certo e prejudicaram todos igualmente.

O Plano Real reorganizou a economia, derrubou o índice de inflação para níveis de até 10% ao ano e foi o último pacote econômico de grande porte até agora. Beneficiou, principalmente, as classes menos favorecidas, que passaram a consumir mais e comprar bens que nem sonhavam em ter nos anos anteriores.

Nos anos 2000, com a economia organizada, o aumento dos preços das commodities (nossas exportações se baseiam principalmente em mercadorias, como minérios, alimentos etc.) e os programas sociais, que foram instalados na primeira metade da década, mais de 40 milhões de pessoas vieram para o mercado de consumo, a chamada “nova classe C”, isto é, a população anteriormente classificada como “classe D”. Isso provocou um boom extraordinário na economia. Só em 2010 o PIB subiu 7,6%, um aumento equivalente ao que a China havia crescido nos últimos anos. Entramos em um círculo virtuoso.

A partir de 2010, com uma política que privilegiou o consumo e não a produção, deixou de lado a parte fiscal e manteve o Real supervalorizado, a economia brasileira entrou em um estado de letargia, que culminou na recessão de 2015 – a expectativa é de que o PIB recue em torno de 3%. Para 2016, a previsão é de -2%, mesmo com todos os ajustes a serem feitos.

A taxa de desemprego vai ficar em torno de 10%, o que representa mais ou menos 10 milhões de trabalhadores desempregados.

A inflação está em alta.

A nova classe média volta a ser classe D e está consumindo basicamente o essencial.

Com isso, a economia brasileira entra em um círculo vicioso, do qual só deve sair em 2018 (esperamos).

Como disse John Lennon, “o sonho acabou” e está virando um pesadelo, infelizmente.

*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br

Prepare-se para a crise

Image courtesy of vectorolie at FreeDigitalPhotos.net

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Por Danilo Cury*

“Na paz, se prepare para a guerra, na guerra prepare-se para a paz.”
Sun Tzu

Sun Tzu (544-496 a.C.) foi um estrategista de guerra, general do Rei Hu Lu e filósofo chinês. Deixou um tratado militar chamado A Arte da Guerra. Diversos dos seus ensinamentos são épicos, além do citado acima, como: “o verdadeiro objetivo da guerra é a paz” e “para ganhar todas as batalhas, você precisa conhecer a si mesmo e ao inimigo; se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória, sofrerá uma derrota; se você não se conhece, nem ao inimigo, perderá todas as batalhas”.

Ainda podemos ir ao Egito, numa história do antigo testamento, também séculos antes de Cristo, em que o Faraó ficou perturbado por um sonho, em que sete vacas magras devoravam sete vacas gordas, sete espigas murchas de grãos consumiam sete saudáveis. José, que foi vendido por seus irmãos como escravo, interpretou o sonho, dizendo que haveria sete anos de abundância, seguidos por sete anos de fome e aconselhou o Faraó a começar a armazenar o excedente de grãos para os anos difíceis, que certamente viriam.

Nas corporações, as coisas não vão ser diferentes. Mais cedo ou mais tarde poderá vir a crise, a época das “vacas magras”. Como se preparar?

Primeiro, é necessário conhecer bem o mercado e ter todos os dados atualizados do seu setor, de sua empresa. Por incrível que possa parecer, ainda existem CEOs e diretores que não conhecem a fundo a organização em que trabalham. É preciso estabelecer protocolos, isto é, formas de atuação, além de preparar líderes para comandar o gabinete de crise, que deve ser imediatamente estruturado quando começar a tormenta.

Uma equipe formada por profissionais jovens, criativos e também por pessoas experientes; uma boa imagem, em que a preocupação com a qualidade e a sustentabilidade é essencial; diversificação de clientes e uma marca conhecida (nunca podemos nos esquecer da divulgação institucional) também são fatores essenciais para enfrentar crises. Toda empresa deve ter uma reserva financeira, para não ficar correndo atrás de empréstimos, a juros, muitas vezes, extorsivos.

A crise pode chegar em um momento inesperado e de uma forma imprevista. Pelo menos, nos prevenindo, teremos mais tranquilidade para enfrentá-lá e fazer planos adequados à corporação nos tempos de bonança.

*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br

Pesquise e mantenha seus contatos pessoais

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Foto de Ronaldo Ramos

Por Danilo Cury*

Nos dias de hoje, tudo que se faz fica registrado para a posteridade, e o fluxo de informações tem uma velocidade impressionante, impossível de acompanhar em tempo real. A Internet realmente mudou o mundo. É possível acessar dados sobre qualquer pessoa, empresa ou organização. Essa facilidade deve ser aproveitada da melhor maneira, principalmente na hora de fazer um negócio. Pesquisar na Web virou pré-requisito para a seleção de profissionais e o estabelecimento de parcerias corporativas.

Hoje, ninguém tem mais privacidade, o que é um aspecto negativo dos novos tempos, do qual não podemos mais fugir. E, por isso mesmo, é preciso proteger suas informações da melhor maneira possível, com firewall, antivírus e acesso somente por redes Wi-Fi confiáveis – as públicas são um atrativo para hackers de todas as idades. Devemos tirar o máximo de proveito disso. Antes de uma reunião, consulta a um médico ou advogado, devemos pesquisar sempre. Ganhamos tempo, o assunto se desenvolve com mais facilidade e os resultados são melhores. Claro que os “filtros” são fundamentais quando se trata de Internet. É recomendado confirmar as informações obtidas em pelo menos três fontes diferentes.

Por outro lado, a velocidade do fluxo de dados também acelerou a vida das pessoas. É possível trabalhar praticamente de qualquer lugar. Basta ter um smartphone, um tablet ou um notebook. Nesse aspecto, precisamos nos disciplinar para criar horários profissionais e pessoais, ou ficaremos conectados o tempo todo. E isso não faz bem à saúde.

Apesar da facilidade proporcionada pela Internet, não podemos ficar limitados a ela. Consultar as pessoas, pedir indicações, conversar “olho no olho”: o mundo social existe para nos beneficiar e deve ser valorizado. Informações de pessoas conhecidas e respeitáveis podem valer mais que cem pesquisas na rede. Devemos estar sempre abertos a novas ideias e opiniões. Assim, desbloqueamos a criatividade e nos tornamos capazes de solucionar qualquer problema. Muitas vezes, as melhores soluções surgem a partir das ideias mais malucas.

Esse é um pequeno roteiro para o dia a dia nos negócios, que tem uma complexidade cada vez maior. Vamos utilizando as ferramentas tecnológicas para nos adiantar, beneficiar e prevenir, mas precisamos manter contato com as pessoas e para evoluir profissionalmente e pessoalmente. É o caminho para sermos bem-sucedidos na vida atual.

*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br