Arquivo do autor:Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini

Afinal, você é ou não inteligente?

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Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini* 

Ao final de minha adolescência tive a oportunidade de fazer um teste de QI – Quociente de Inteligência. Um teste de QI, vocês sabem, é um teste padronizado, que mede habilidades cognitivas de uma pessoa em relação a um padrão relacionado inclusive à faixa etária. Bem, como o resultado do meu teste foi muito bom, eu assumi minha inteligência superior como definitiva, sem pensar que mudanças de todas as naturezas poderiam alterar esse padrão.

No entanto, quando eu via algumas pessoas lidarem com tanta facilidade com coisas que para mim eram um mistério difícil de decifrar, dúvidas cruéis me assombravam e me faziam duvidar da acuracidade do teste. Brincadeiras à parte, imagino que eu não seja a única pessoa com dúvidas sobre a própria inteligência, portanto decidi compartilhar um pouco do que aprendi para me proteger do abalo na autoestima.

Howard Gardner é um professor de Cognição e Educação da Harvard School of Education, professor adjunto de Psicologia na Harvard University e Senior Director do Project Zero (esse projeto é demais!!!). Para quem não sabe, a Harvard School of Education é uma das top escolas de educação dos Estados Unidos.

Pois bem, o professor Gardner lançou uma teoria em que afirmou de início existirem 7 tipos de inteligência. Depois acrescentou mais uma e mais recentemente, uma outra surgiu. Na verdade, ele ainda não está inteiramente convencido sobre essa última pois ela não atende a todos os critérios que ele estabeleceu para definir as outras.

Quer saber quais são? Vou contar. Não sigo nenhuma ordem, pois não tem melhor ou pior ou qualquer outra classificação.

Inteligência musical – aquela que facilita à pessoa o discernimento de sons, tons, ritmos e timbre. Sabe aquele sujeito que aprende todas as músicas ouvindo uma ou duas vezes? É esse.

Inteligência lógico-matemática – facilita a quantificação das coisas, capacita a propor e provar hipóteses. Essa é forte naquele que sabe todos os números de telefone de cor, faz contas mentalmente, etc.

Inteligência interpessoal – permite que a pessoa compreenda os sentimentos dos outros, perceba nas entrelinhas o que o outro está pensando, sinta quando as coisas não vão bem com o amigo.

Inteligência corporal-cinestésica – é aquela que proporciona ao indivíduo a capacidade de coordenar mente e corpo, utilizando-os, controlando-os e manipulando-os com precisão para atingir metas e objetivos. É aquela de atores, malabaristas, bailarinos, cirurgiões e atletas.

Inteligência linguística – é a habilidade em lidar com todos os aspectos da linguagem e por meio dela da comunicação humana. É aquele sujeito que sempre encontra a palavra certa para expressar um significado, comunica bem, tanto falando como escrevendo e é eficaz na conexão e transmissão de ideias.

Inteligência intrapessoal – capacidade que o sujeito tem de identificar emoções, habilidades e sentimentos, assim como pontos fortes e fraquezas, compreendendo-os e controlando-os de maneira adequada.

Inteligência visual-espacial – dá à pessoa facilidade de discriminar cores, formas, texturas, dimensões e relações espaciais. As pessoas com esse tipo de inteligência forte conseguem recriar as suas experiências visuais sob diferentes formas, incluindo vários tipos de arte, pensam, lembram com facilidade e aprendem com imagens visuais.

A oitava inteligência assumida por Gardner depois de um tempo é a inteligência naturalista, ou seja, a habilidade daquela pessoa que entende melhor os seres vivos, lê a natureza, é capaz de distinguir com facilidade animais, plantas, rochas e tudo o que está na natureza.

Por último, a nona inteligência, que não atende a todos os critérios de Gardner, mas não posso deixar de citar é a existencial/moral, ou seja aquela que capacita as pessoas a ter consciência de sua posição no universo, seus limites e sua relação com as grandezas desse universo. É aquela pessoa capaz de estudar e entender porque vivemos e porque morremos.

O mais importante disso tudo, porém, é que você pode ser muito inteligente num aspecto e pouco no outro. E, mais do que isso, existe uma mídia adequada para seu aprendizado, de acordo com seu tipo de inteligência. Portanto, quando você tiver dificuldade para aprender algo, lembre-se que talvez seu tipo de inteligência exige formas diferentes de aprender e que você é capaz de saber o que quiser se for adequadamente ensinado.

Ah, existem diversos testes de QI por aí, faça tantos quantos quiser, mas tenha sempre em mente que eles não são totalmente verdadeiros para você. Afinal, para que sirvam para um grande número de pessoas, eles devem ter uma certa generalidade e você é único!

Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini
*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@executivasechiques.com

O céu e o inferno do Home Office

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Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini* 

Cada dia mais eu vejo as pessoas escolherem trabalhar em suas próprias casas. Se moram em São Paulo, então, isso se parece muito com o céu. Imagina não ter que enfrentar o trânsito cada vez mais caótico da cidade, não ter que pagar o aluguel de um escritório e o salário de alguém para recepcionar pessoas e atender ao telefone, outra pessoa para limpar, fazer café ou outras pequenas tarefas do dia-a-dia? Pensar nisso traz imediatamente a certeza de que não existe uma melhor escolha.

Muito bem, parece ser uma solução perfeita, mas antes de decidir por trilhar esse caminho, é necessário colocar em uma balança os prós e os contras dessa situação. Pensou que só existiam prós? Engano, pois existem os contras. É preciso avaliar com cuidado, veja o que está logo ali esperando.

O inferno começa quando você não tem disciplina suficiente para definir e respeitar um horário para iniciar e outro para terminar seu dia de trabalho. Você tem que deixar a casa de lado enquanto está “no escritório” exatamente como o fazia ao trabalhar numa empresa. Da mesma forma, tem que “largar o serviço” num horário que não invada sua vida familiar. Claro que algumas exceções sempre podem acontecer, você ter que terminar uma tarefa à noite, depois do jantar, mas cuidado para não fazer disso uma regra.

Ter disciplina suficiente para não se dispersar é fundamental. Não dá para ir à cozinha tomar ou fazer um café a toda hora ou arrumar uma gaveta “para descansar a cabeça” ou servir um sorvete no meio da tarde. Além de perder o foco no que você está fazendo, vai ficar gordo. Não dá, certo? Se você decidir fazer trocas entre horário de trabalho e horário de lazer, trate de cumprir, ou seja, saiu para ir ao cinema na sexta à tarde e deixou para trabalhar à noite, faça exatamente isso, sob o risco de começar a tratar seu trabalho com menos compromisso.

Seu espaço de trabalho deve ser definido, especialmente se você tem crianças e bichos em casa. Mesmo que seja um cantinho, deve ser só seu e suas coisas devem ficar guardadas nele. Nada de deixar seus papeis e relatórios rodando pela casa. Se o cachorro comer, não vai ter aquela professora compreensiva do tempo da escola para a qual você pede mais uma chance.

Ter uma secretária eletrônica é fundamental para atender às chamadas quando você não está disponível. Se puder, deixe um número apenas para o seu trabalho, separado do telefone da família. Se for possível contratar um serviço de detecção de chamada, isso pode ajudá-lo a não perder tempo com chamadas irrelevantes. Explique às pessoas que vivem com você que o telefone do escritório é para seu uso no trabalho. Elas não precisam atender e não devem usar para falar com o namorado ou a comadre.

Se não puder ter dois telefones e o do trabalho for o mesmo que o da família é bom preparar quem fica em casa para atender. Explique direitinho como as pessoas que o procuram devem ser tratados e, principalmente, como anotar os recados. Tenha um bloco de papel e uma caneta num lugar fixo para isso. Se você morar num prédio, esses avisos devem incluir porteiros e zelador, especialmente no que se refere a materiais entregues na portaria para você.

Use tudo o que puder das novas tecnologias, elas podem ser muito úteis. As novas linhas digitais permitem navegar na Internet e falar ao telefone simultaneamente. Outra saída é utilizar os serviços das TVs a cabo para plugar o micro na rede. Não esqueça de tomar providências para a segurança de suas informações, pois você pode ficar vulnerável a hackers se não tiver sistemas de proteção.

Não seja bobo de comprar um computador porque é bonito ou está na moda. Veja um que lhe sirva e que você seja capaz de operar. Especialmente se você passou dos 50, normalmente precisa de ajuda em algumas tarefas e seus filhos odeiam quando você lhes pede, mesmo que sejam pequenas explicações que eles estão carecas de saber. Não esqueça que aquele serviço de suporte 24 horas que você tinha na empresa em que trabalhava não existe mais no seu escritório em casa, a menos que esteja disposto a pagar um bom dinheiro.

Avalie bem se você precisa de outros equipamentos como impressoras, fax ou scanners. Muitas vezes a falta desses equipamentos produz muitas encrencas e stress, tirando sua energia, que poderia estar sendo usada em produzir aqueles projetos brilhantes que você é capaz.

Trabalhar de pijama, com barba por fazer ou sem pentear o cabelo pode parecer libertador, mas só vai fazer com que você se sinta relaxado e esse não é o estado de espírito ideal para quem pretende ser produtivo. Não improvise cadeira e mesa, arquivos e estantes, pois a bagunça pode fazer você se perder entre papeis e, quem sabe, ter que fazer o mesmo trabalho mais de uma vez.

Explique sua rotina para sua família e peça que a respeitem. Se você é mulher, então, nem se fala, explique tudo uma, duas, vinte vezes. Seus filhos não podem pedir que você fique intermediando suas brigas constantemente. Sua empregada tem que saber que não pode entrar no seu escritório a cada cinco minutos para saber o que faz com sua blusa ou seu sapato. Diga a ela para fingir que você não está em casa e resolver do jeito dela. Se ela fizer tudo errado, deixe para chamar a atenção no outro dia antes de começar seu dia. Não é porque você está em casa que sua rotina de trabalho deve mudar.

Bem, você pode ter mais céu do que inferno, se for capaz de realmente “profissionalizar” sua rotina. Se você não conseguir, trate de repensar sua opção. É o que algumas pessoas já estão fazendo…

Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini
*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@executivasechiques.com

Lidar com cargo de maior responsabilidade é muito difícil?

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Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

Como o assunto mais citado na minha pesquisa sobre Desafios da Liderança foi sobre como lidar com cargo de maior responsabilidade, decidi rever um post escrito em 2011. Fiz alguma atualização, claro, mas basicamente não houve grandes mudanças nos comportamentos esperados de um novo líder.

“Bem, depois de muito trabalho e esforço, você foi promovido a chefe da equipe da qual fez parte até ontem. Você entra no seu espaço diferenciado dos demais, sente-se orgulhoso, recompensado pela dedicação e empenho com que se destacou dos outros. Cadeira confortável? Mesa maior? Uma sala fechada? Maravilha! E agora? Como vai ser com seus camaradas, seus companheiros de almoço, de piadas sobre o chefe, de reclamações e fofocas? Pensa que é fácil? Não é mesmo.

A primeira coisa que você deve ter notado é que agora você tem um papel diferente dentro da organizacão. Você foi escolhido para liderar essa equipe, para obter o melhor de seus subordinados, agora você é o responsável por trazer os resultados. Bem, sua carreira de executivo iniciou e ela é diferente de sua carreira de subordinado. Você foi chamado para essa posição porque seu chefe reconheceu em você capacidade de mobilizar pessoas e motivá-las a produzir aquilo que a empresa precisa para atingir suas metas.

Não pense que, porque chegou a essa posição tudo está resolvido. Lembre-se que nos primeiros momentos você é um cara sob observação e os olhos de todos estão sobre você. Há um período de iniciação em que você terá de ser aceito pelos seus próprios pares, além da própria equipe. Não precisa ficar assustado com isso, todos os outros executivos passaram por esse período e, se você não tivesse mostrado capacidade, certamente não teria sido promovido.

Apenas aceite que esse período existe e não tente dar a impressão de que sabe tudo a respeito de liderar essa equipe somente porque fez parte dela. Não se acanhe em fazer perguntas, em buscar respostas claras sobre o que sua chefia espera de você, peça opiniões e sugestões aos subordinados. Afinal, gerir uma equipe exige que, além de conhecimento técnico você precisa ser capaz de controlar as tensões do grupo e manter o time focado em missão, valores, metas, indicadores de desempenho, agenda…

Você terá que ser capaz de antecipar problemas, identificar opções, desenvolver estratégias, estabelecer metas e planos de ação. Vai ter que organizar a distribuição de tarefas, facilitar a ação das pessoas, fazer correções de rota quando necessário.

Você terá que limitar as fofocas, mesmo que seus subordinados sejam seus super-amigos. E, se alguma chegar a você, lembre-se de, antes de tomar decisões, achar um jeito de separar o que é fato do que é fruto de opiniões ou sentimentos. Aprenda a ouvir os diversos lados envolvidos, de forma delicada para não ofender ninguém e para que seus velhos amigos não pensem que o cargo lhe subiu à cabeça.

Lembre-se que, para você se sair bem, é necessário criar alianças e parcerias com chefes, pares e com sua equipe. Você não precisa saber tudo de tudo, saiba o essencial e saiba quem tem as respostas para as diversas questões do seu dia-a-dia. Busque ajuda de outros gerentes se precisar e, principalmente de seu chefe, pois ele está tão interessado quanto você no seu triunfo.

Não pense que é necesário mudar sua personalidade, tratar friamente seus amigos só porque virou chefe deles. Existem muitas maneiras delicadas de sair fora de uma fofoca ou de uma conversa boba. Aos poucos as pessoas percebem que seu papel mudou e começam a tratá-lo como chefe, sem com isso deixarem de ser seus amigos. E daqui a pouco você vira Diretor…”

Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini
*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@executivasechiques.com

Sobre Valores da Empresa

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Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

Afinal, o que são valores de uma empresa? Você tem ideia de o quanto os funcionários da sua empresa têm total compreensão dos valores da sua? Esses valores são efetiva e claramente praticados por todos ou são apenas um bonito discurso para seus potenciais clientes?

Bem, do que eu tenho observado, mesmo os empregados sejam capazes de citar os valores da empresa sem titubear, se você perguntar o que eles significam na sua prática diária, muitos deles não fazem a menor ideia.

E os valores estabelecidos para sua empresa são as crenças e atitudes que você acredita irão definir sua identidade. Determinam as regras que os colaboradores devem seguir para a obtenção de melhores resultados. Definem a ética que deve estar entremeada a todos os comportamentos e relações. Eles formam a base da cultura organizacional e se não forem perfeitamente compreendidos, podem trazer distorções importantes ao dia-a-dia da empresa.

Os processos de planejamento estratégico estão presentes em todas as empresas que se dizem organizadas, mas, na prática, não é fácil definir e disseminar os valores e, principalmente, fazer com que sua equipe se engaje a eles.

Sem dúvida, os valores precisam ser públicos para a organização como um todo e para todos aqueles agentes afetados por ela. Têm que ser obrigatórios também. Mas, principalmente, devem ser claros e objetivos, compreendidos por todos não apenas conceitualmente.

E aí está o ponto que vem chamando minha atenção já há algum tempo. Percebi que, mesmo sendo bastante claros para o pessoal da alta gerência, quando se chega ao pessoal operacional eles ficam obscuros, distantes da realidade.

Boa parte dos empregados operacionais não sabe quais são os valores da empresa. Simplesmente citam um ou outro, porque ouviram falar, mas não têm a compreensão de seu significado. Por outro lado, na maioria das empresas, não se percebe uma ação de divulgação interna que efetivamente os informe. Ah, claro, o jornalzinho interno os cita, no site eles aparecem pomposos, estão sempre nos discursos do presidente, mas não existe uma discussão ampla sobre seu significado no trabalho efetivo de cada um. Mesmo lideranças primeira e segunda linha têm pouca clareza sobre seu sigificado prático.

Minha opinião é que esse desajuste entre a principal proposta da empresa e seu mais importante ativo, as pessoas, é causa de uma grande perda. Valores são essenciais para determinar comportamentos e mesmo o desempenho, e devem ser utilizados em sua plenitude, com todos tendo consciência de como são parte da ação cotidiana individual.

Se usarmos como exemplo, um valor bastante constante nas empresas, o Compromisso com Resultados, veremos que existe uma enorme possibilidade de nem todos saberem como isso deve acontecer. Entretanto, se for “traduzido” e cada um souber que deve produzir determinadas respostas individuais e que isso trará consequências nos ganhos gerais da empresa – o que significa garantia de emprego, melhorias salariais e outros benefícios -, provavelmente você terá empregados mais comprometidos.

Se um valor como Austeridade for entendido por todos como o cuidado com materiais e equipamentos, o evitar desperdícios e ser eficiente nas tarefas, resultados econômicos significativos poderão ser obtidos, com diminuição de gastos e uma racionalização geral de recursos.

Um valor como Comprometimento, quando relacionado à melhor execução das tarefas, ao estar envolvido, interessado, obrigado, responsabilizado, faz uma enorme diferença quando se trata do desempenho geral da empresa. Se ficar claro que significa também paixão pelo que faz e a possibilidade de aliar desempenho, inciativa e criatividade, você terá colaboradores capazes não apenas de produzir o melhor, mas de defender a empresa, empenhar-se como se eles mesmo fossem os donos do negócio.

Um valor como Trabalho em Equipe só fará realmente sentido se todos souberem que significa compromisso uns com os outros, cada um sendo responsável pela sua parte nas tarefas, a união dos esforços de todos para atingir um resultado comum.

Finalmente, o que eu gostaria de destacar é que só existe uma maneira de fazer com que os valores da empresa sejam assimilados por todos: fazer a relação direta entre eles e as atividades do dia-a-dia de cada pessoa. E os valores da empresa só terão realmente VALOR se forem introjetados em todas as mentes e corações dos colaboradores, de tal forma que afete sua vida e se revele em suas palavras e atitudes.

Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini
*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@navitasconsult.com.br

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