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Como gerir os riscos políticos: uma abordagem prática

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Por Maurício Del Buono Ramos*

Este artigo é o terceiro de uma série sobre o risco político e sua importância para a gestão estratégica empresarial. No primeiro, confirmamos a existência de riscos políticos, legislativos e regulatórios no Brasil e a potencialidade prejudicial para as atividades da empresa. No segundo, reforçamos como estes riscos são encarados e o quão despreparadas estão as equipes para gerir e superar esses desafios. Portanto, resta apenas entender de forma prática como gerenciar estes riscos. Primeiro devemos entender quem são os responsáveis pela análise política para depois entender como o trabalho é executado.

A equipe responsável pela análise política pode ser tanto interna quanto externa. Um departamento de relações governamentais é o responsável desta empreitada, geralmente consistindo de um diretor, gerente, coordenador e analista. O primeiro é o principal executivo do departamento, definindo as políticas e objetivos e conduzindo a elaboração e implementação do planejamento estratégico. Este é contratado pelo conselho e faz recomendações sobre estratégia corporativa e investimentos. Dependendo do tamanho do departamento pode ou não haver um gerente e coordenador como cargos distintos, estes são o elo entre os objetivos e a execução das tarefas. Por último, o analista realiza trabalhos técnicos, monitoramento e análises de impacto e antecipação de cenário.

Quando se opta pela escolha de uma equipe externa, o trabalho é realizado por uma consultoria política. É desta forma que a Parthenon Consultoria trabalha. Geralmente respondendo para o conselho ou para um C-level executive. O serviço é prestado de forma constante, com analises e relatórios semanais e mensais sempre monitorando e avaliando riscos, como também pode ser realizado como um estudo focado com um tema de contundência, por exemplo, uma análise dos riscos políticos de um país ou segmento de mercado.

Com nossa metodologia própria, temos o objetivo de compreender, identificar, avaliar, controlar e prestar consultoria estratégica para gerir os principais riscos políticos, regulatórios e legislativos para as empresas. Tudo isso baseado no ciclo do risco político na imagem abaixo:

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O ponto de partida é sempre a compreensão do cenário, momento sócio histórico e político do país, fazemos isso através de uma análise profunda da conjuntura política. Com isso em mãos seguimos para o mapeamento das principais políticas, discussões ou intenções que possam trazer algum risco para as atividades da empresa. Para isso passamos um pente fino no executivo, legislativo, ministérios e agências regulatórias. Mapeado os riscos, começamos a etapa de avaliação, levando em consideração a severidade e probabilidade. Depois seguimos para a mensuração destes riscos, quando confrontados com o planejamento corporativo, medindo a gravidade de seu impacto. Com essas informações em mãos partimos para o controle, ou melhor, o monitoramento dessas políticas, informando caso haja alguma atualização em nossa metodologia cíclica. Quando algum risco se torna iminente, ou deseja-se prever algum impacto futuro, fazemos um laudo de estratégia integrada como parte de gestão destes riscos, isto geralmente é realizado com ampla discussão com o CEO e os conselheiros.

No primeiro artigo levantamos provocações e indagações para o leitor refletir o quanto sua empresa está preparada para encarar acontecimentos políticos contundentes. Esperamos com este artigo final ter ajudado a responder essas perguntas e permitido ao leitor uma compreensão maior do funcionamento desta área. Para encerrar, convido o leitor a aplicar a leitura do ciclo político sempre que estiver revisando o planejamento estratégico. O sucesso só pode ser alcançado antecipando e controlando as imprevisibilidades.

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br
http://parthenoncp.com.br

 

 

Como as empresas encaram os riscos políticos?

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Por Maurício Del Buono Ramos*

Em uma tentativa de entender a ausência de análises de riscos e cenários políticos como parte integrante de estratégias corporativas, algumas pesquisas propuseram alguns motivos pelos quais empresas evitam encarar esse desafio.

Como mencionado no artigo anterior, a cada dia, em média, 18 leis são protocoladas, sendo que em sua maioria são rejeitadas por sua inconstitucionalidade. Fato preocupante se levarmos em conta a necessidade do conhecimento e respeito à constituição por parte de representantes eleitos. Além disso, em média, por dia, são redigidas mais de 500 normas, principalmente em agências de controle. Destas, quase 80% são normas tributárias, as quais necessitam de constante monitoramento.

Inúmeros atos políticos, sejam através de nomeações, medidas provisórias ou outras medidas governamentais podem refletir radicalmente na economia, oscilando câmbios, oportunidade de investimentos, bolsa de valores e notas de classificação de risco.

E nesta complexidade, as empresas acabam encarando estes riscos de três formas. A primeira é a abordagem apocalíptica – “socorro, estamos todos perdidos”. Nesta, ignora-se os riscos, pois são tão complexos e temerosos que não se pode fazer nada a respeito. A segunda abordagem é para pegar vácuo, como se diz no automobilismo – “deixem os grandes liderarem”. Nesta abordagem a empresa navega atrás de outras grandes empresas ou líderes do segmento com mais recursos (supostamente) para lidar com a política. Confortam-se ao saber se os grandes estão seguros com determinada estratégia, eles também estarão. E, por último, há a abordagem do especialista – “temos um especialista na empresa”. Geralmente este especialista já foi candidato por algum partido, ou tem algum familiar que já foi assessor, e por isso deve saber o que está acontecendo na política.

Estas formas de encarar a política estão abaixo da competência administrativa de muitas empresas. Assim, para os gestores mais determinados, oferecemos um quarto cenário – a análise de riscos políticos da Parthenon. Um cenário para prosperar deve incluir um planejamento de avaliação e gestão de riscos políticos. É necessário reconhecer as limitações, gerenciar riscos, entender e avaliar cenários presentes e futuros, ter uma visão dinâmica e estratégica, ter uma equipe flexível, criativa e com conhecimento e experiência comprovados.

Segundo a pesquisa Aon global risk management survey (pesquisa de gerenciamento de riscos), a qual avaliou centenas de empresas no mundo, concluiu que o maior risco percebido por empresas é o dano à reputação e marca. Mas entre os dez maiores riscos percebidos, estão o risco regulatório/legislativo e o risco geopolítico. No gráfico seguinte percebemos o quão preparados estão as empresas para lidar com esses riscos as empresas. De 2015 para 2017 os empresários consideram que estão menos preparados para lidar com esses riscos políticos, os quais são avaliados como mais incertos e perigosos.

Assim, consideramos o Cenário D, o cenário ideal para a sua empresa prosperar em uma política de incertezas. No próximo artigo descreverei mais sobre o processo e a metodologia para encarar este desafio. Quaisquer dúvidas, escreva para a Parthenon Consultoria Política.

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Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br
http://parthenoncp.com.br

O poder do conhecimento político para empresas

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Por Maurício Del Buono Ramos*

O risco político é uma das métricas mais importantes no planejamento estratégico da empresa. Isto já estava claro quando fundei a Parthenon Consultoria Política e a cada dia se torna mais imprescindível.

O suprimento de energia do mundo provém de países politicamente instáveis – com mudanças de regimes políticos, guerras e terrorismo. Os Estados Unidos, antes, a única superpotência, agora disputam a hegemonia mundial com Rússia e China. Mercados emergentes conduzem o crescimento global e são excelentes oportunidades de negócios, entretanto, possuem uma alta volatilidade política e instituições menos desenvolvidas. Novas tecnologias – perigosas, disruptivas e inovadoras – podem criar e destruir mercados em menos de um ano.

Com a escassez de água, o mundo se volta para o Brasil com a maior reserva de água potável do mundo. Nossa instabilidade política é uma barreira no planejamento de qualquer empresa. Hoje, 35 partidos disputam cargos eletivos e lutam para controlar a máquina estatal com quase 6000 municípios. Todo dia, mais de 18 leis são protocoladas no congresso e mais de 500 normas são redigidas – sua maioria na área tributária. Nunca uma eleição esteve tão indefinida e complexa com candidatos presos, réus e indiciados, uma coalizão política parece distante.

Estas conjunturas domésticas e internacionais requerem uma séria mudança na maneira como as empresas trabalham. Executivos precisam entender e avaliar o risco político, isto é, como a política afeta o mercado no qual operam ou desejam operar, caso desejem a prosperidade de seu negócio. O mundo dos negócios ainda não está preparado para encarar este desafio.

Com esta intenção criei a Parthenon Consultoria Política. A ciência política torna-se essencial para avaliar as questões determinantes no futuro dos negócios. A projeção de cenários políticos contribui para mitigar riscos e prevenir crises empresariais. Uma empresa preparada para tempos de crise pode se valer de estratégias políticas para crescer e até se tornar líder do setor. Em um mundo de incertezas políticas, planejar e antecipar ocorrências políticas – e por consequência, econômicas – podem prosperar ou quebrar uma empresa.

Apesar de tanta notícia ruim, a luz no fim do túnel dependerá de inteligência e planejamento. Com isso, ofereço algumas provocações, as quais fico à disposição para debater:

  • Como o crescimento do Bolsonaro nas pesquisas impacta o preço do dólar?
  • A queda de juros é uma medida eleitoral ou representa um planejamento econômico?
  • Como minha empresa avalia e antecipa os riscos políticos?
  • Minha empresa está preparada para qualquer candidato assumir a presidência?

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br
http://parthenoncp.com.br

A Reputação em Jogo

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Por Maurício Del Buono Ramos*

Abraham Lincoln uma vez escreveu: “O caráter é como a árvore e a reputação como a sombra. A sombra é como imaginamos, a árvore é como ela é.” A reputação esteve nos pensamentos de diversos pensadores e políticos por toda a história, em momentos de crises institucionais e profissionais, devemos retomar estes autores para nos ajudar a pensar na construção de nossa identidade no mercado.

Como candidato a uma promoção, ou como uma empresa superando uma crise de credibilidade, é importante ter em mente que nem sempre seremos vistos como o que de fato somos, mas muitas vezes pela sombra e pela imagem construída por outros. Então, como podemos começar a construir uma boa reputação?

Uma poderosa ferramenta da boa reputação é o prestígio acumulado por ações de altruísmo e solidariedade. Uma empresa em crise de credibilidade pode começar uma campanha de arrecadação para associações beneficentes, um candidato a cargo de liderança pode começar incluindo membros mais distantes do grupo, um novo candidato na política pode realizar ações em prol da comunidade. Em cada área, há sempre como ajudar o próximo.

Dois biólogos evolucionistas, Nowak e Sigmund, bolaram uma maneira de medir a reputação em um experimento social. Eles queriam saber a influência da reciprocidade indireta, ou seja, quão bem avaliamos uma pessoa a qual realizou ou não uma boa ação. Imagine a reciprocidade indireta com a sombra da árvore.

A pesquisa consistia em um grupo de 100 pessoas. Cada um recebia um valor em dinheiro e a cada encontro com outro participante ambos deveriam decidir se davam parte do seu dinheiro ao outro. Um pesquisador observava essas interações e concedia um ponto ou subtraia um ponto de um placar mantido na testa de cada um. Se alguém ajudava o próximo recebia um ponto positivo, se recusava ajuda, recebia um ponto negativo. Isso permitia saber como cada parceiro novo se comportou nos encontros anteriores: se tivesse uma pontuação positiva, significava que doou bastante, se tivesse uma pontuação negativa, significava que doou pouco.

Após várias rodadas, foi possível observar indivíduos utilizando a pontuação de seus parceiros como critérios para ajudar ou não. Alguns somente doavam caso seu parceiro tivesse pontuação acima de três, outros, talvez mais altruístas, ajudavam a partir de menos três. A medida que os encontros foram fluindo, a estratégia mais eficaz foi a de ajudar qualquer um com uma pontuação acima de zero. Isso permitia com que os mais altruístas formassem relações em que todos se ajudavam, mesmo indiretamente, permitindo evitar perder tempo com aqueles que não ajudavam ninguém.

Este é apenas um estudo de uma série sobre a reciprocidade indireta e o quanto ela influência na imagem pessoal. Esta estratégia é eficiente em várias áreas: ao lançar um candidato novo na política, ao contemplar um cargo desejado, ao fortalecer a imagem pública de uma empresa. Convido o leitor a pensar nesta estratégia que beneficia não apenas a si próprio como a todos em volta. Quanto mais altruísta for a árvore, mais prestigiada será sua sombra.

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

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