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O poder do conhecimento político para empresas

parthenon

Por Maurício Del Buono Ramos*

O risco político é uma das métricas mais importantes no planejamento estratégico da empresa. Isto já estava claro quando fundei a Parthenon Consultoria Política e a cada dia se torna mais imprescindível.

O suprimento de energia do mundo provém de países politicamente instáveis – com mudanças de regimes políticos, guerras e terrorismo. Os Estados Unidos, antes, a única superpotência, agora disputam a hegemonia mundial com Rússia e China. Mercados emergentes conduzem o crescimento global e são excelentes oportunidades de negócios, entretanto, possuem uma alta volatilidade política e instituições menos desenvolvidas. Novas tecnologias – perigosas, disruptivas e inovadoras – podem criar e destruir mercados em menos de um ano.

Com a escassez de água, o mundo se volta para o Brasil com a maior reserva de água potável do mundo. Nossa instabilidade política é uma barreira no planejamento de qualquer empresa. Hoje, 35 partidos disputam cargos eletivos e lutam para controlar a máquina estatal com quase 6000 municípios. Todo dia, mais de 18 leis são protocoladas no congresso e mais de 500 normas são redigidas – sua maioria na área tributária. Nunca uma eleição esteve tão indefinida e complexa com candidatos presos, réus e indiciados, uma coalizão política parece distante.

Estas conjunturas domésticas e internacionais requerem uma séria mudança na maneira como as empresas trabalham. Executivos precisam entender e avaliar o risco político, isto é, como a política afeta o mercado no qual operam ou desejam operar, caso desejem a prosperidade de seu negócio. O mundo dos negócios ainda não está preparado para encarar este desafio.

Com esta intenção criei a Parthenon Consultoria Política. A ciência política torna-se essencial para avaliar as questões determinantes no futuro dos negócios. A projeção de cenários políticos contribui para mitigar riscos e prevenir crises empresariais. Uma empresa preparada para tempos de crise pode se valer de estratégias políticas para crescer e até se tornar líder do setor. Em um mundo de incertezas políticas, planejar e antecipar ocorrências políticas – e por consequência, econômicas – podem prosperar ou quebrar uma empresa.

Apesar de tanta notícia ruim, a luz no fim do túnel dependerá de inteligência e planejamento. Com isso, ofereço algumas provocações, as quais fico à disposição para debater:

  • Como o crescimento do Bolsonaro nas pesquisas impacta o preço do dólar?
  • A queda de juros é uma medida eleitoral ou representa um planejamento econômico?
  • Como minha empresa avalia e antecipa os riscos políticos?
  • Minha empresa está preparada para qualquer candidato assumir a presidência?

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br
http://parthenoncp.com.br

A Reputação em Jogo

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Por Maurício Del Buono Ramos*

Abraham Lincoln uma vez escreveu: “O caráter é como a árvore e a reputação como a sombra. A sombra é como imaginamos, a árvore é como ela é.” A reputação esteve nos pensamentos de diversos pensadores e políticos por toda a história, em momentos de crises institucionais e profissionais, devemos retomar estes autores para nos ajudar a pensar na construção de nossa identidade no mercado.

Como candidato a uma promoção, ou como uma empresa superando uma crise de credibilidade, é importante ter em mente que nem sempre seremos vistos como o que de fato somos, mas muitas vezes pela sombra e pela imagem construída por outros. Então, como podemos começar a construir uma boa reputação?

Uma poderosa ferramenta da boa reputação é o prestígio acumulado por ações de altruísmo e solidariedade. Uma empresa em crise de credibilidade pode começar uma campanha de arrecadação para associações beneficentes, um candidato a cargo de liderança pode começar incluindo membros mais distantes do grupo, um novo candidato na política pode realizar ações em prol da comunidade. Em cada área, há sempre como ajudar o próximo.

Dois biólogos evolucionistas, Nowak e Sigmund, bolaram uma maneira de medir a reputação em um experimento social. Eles queriam saber a influência da reciprocidade indireta, ou seja, quão bem avaliamos uma pessoa a qual realizou ou não uma boa ação. Imagine a reciprocidade indireta com a sombra da árvore.

A pesquisa consistia em um grupo de 100 pessoas. Cada um recebia um valor em dinheiro e a cada encontro com outro participante ambos deveriam decidir se davam parte do seu dinheiro ao outro. Um pesquisador observava essas interações e concedia um ponto ou subtraia um ponto de um placar mantido na testa de cada um. Se alguém ajudava o próximo recebia um ponto positivo, se recusava ajuda, recebia um ponto negativo. Isso permitia saber como cada parceiro novo se comportou nos encontros anteriores: se tivesse uma pontuação positiva, significava que doou bastante, se tivesse uma pontuação negativa, significava que doou pouco.

Após várias rodadas, foi possível observar indivíduos utilizando a pontuação de seus parceiros como critérios para ajudar ou não. Alguns somente doavam caso seu parceiro tivesse pontuação acima de três, outros, talvez mais altruístas, ajudavam a partir de menos três. A medida que os encontros foram fluindo, a estratégia mais eficaz foi a de ajudar qualquer um com uma pontuação acima de zero. Isso permitia com que os mais altruístas formassem relações em que todos se ajudavam, mesmo indiretamente, permitindo evitar perder tempo com aqueles que não ajudavam ninguém.

Este é apenas um estudo de uma série sobre a reciprocidade indireta e o quanto ela influência na imagem pessoal. Esta estratégia é eficiente em várias áreas: ao lançar um candidato novo na política, ao contemplar um cargo desejado, ao fortalecer a imagem pública de uma empresa. Convido o leitor a pensar nesta estratégia que beneficia não apenas a si próprio como a todos em volta. Quanto mais altruísta for a árvore, mais prestigiada será sua sombra.

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

A morte de Teori e o futuro incerto do Brasil

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Por Maurício Del Buono Ramos*

Teori Zavascki morreu nesta quinta (19) a tarde após um acidente aéreo em Paraty. O falecimento do ministro do Supremo Tribunal Federal e relator dos processos da Operação Lava Jato gera incertezas quanto ao futuro da operação, da estabilidade política e da crise econômica. A morte acontece pouco depois de uma vergonhosa participação do Brasil no Fórum Econômico Mundial. Depois de mais de uma década, o Brasil foi ignorado nas principais decisões, inclusive das que diziam respeito apenas a países emergentes.

Em dezembro do ano passado, o ministro recebeu as delações de 77 executivos da Odebrecht, também conhecida como a Delação do Fim do Mundo, e, ao que tudo indicava, iria realizar a homologação e a publicação do material na primeira quinzena de Fevereiro. Recentemente o ministro até encurtou suas férias para acelerar a análise das delações. O início das audiências com os delatores estava marcado para a próxima semana.
Com isto, a instabilidade política se agrava. A expectativa é de que as delações contenham informações que poderiam derrubar Michel Temer e políticos a ele ligados, incluindo membros do PSDB e PMDB.

De acordo com o regimento interno do STF há duas possibilidades para o andar da Lava Jato. O primeiro, como Marco Aurélio tem requisitado, é a redistribuição dos processos pela presidente do Supremo, Carmen Lúcia. O segundo é a indicação de um novo ministro pelo atual presidente da república. Entretanto, o nomeado terá que ser aprovado pelo Senado.

Para o mercado de capitais, espera-se algumas semanas de instabilidade. O início de boatos acerca dos motivos da queda do avião terá impacto sobre a confiabilidade de investidores internacionais. Até a conclusão das investigações do acidente, o investidor deverá estar preparado para grandes oscilações.

A indústria brasileira deverá seguir em acelerada desindustrialização. A esperança do industrial para a retomada do crescimento produtivo é a queda de Temer seguido de um novo pacto político e econômico que incluísse os interesses do empresariado nacional. Com a prorrogação e incerteza sobre o futuro da Lava Jato, o empresário pode esperar a continuação da política atual que gera crise de produtividade e substituição da indústria nacional por multinacionais nos principais contratos governamentais.

O futuro da Lava Jato permanece incerto. A preocupação é que um possível ministro nomeado por Temer não homologue as delações a fim de encerrar a lava jato e o sangramento do atual governo. Com a maior rejeição da história democrática do Brasil, o atual presidente tenta se sustentar com base em propagandas mal elaboradas. A morte de Teori pode ter adiado sua queda, mas é imprescindível que o empresariado nacional se prepare para ocupar um papel de destaque no próximo ciclo político a tempo de reverter o processo de desindustrialização e a crise econômica.

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

Já ouviu aquela da cerveja, psicologia social e do empresário?

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Por Maurício Del Buono Ramos*

No final do século XVIII, o filósofo David Hume foi ousado ao atribuir nossos julgamentos morais às emoções, opondo o pensamento da época relacionando aquela à razão. Em sua visão, a moral poderia ser comparada ao gosto, uma vez que as pessoas avaliam algo como errado ao sentir desgosto. Na época, o autor não possuía maneiras de comprovar suas ideias, entretanto, na atualidade, é possível estudar como a análise sensorial afeta temporariamente nossos julgamentos.

Em 2011, alguns estudiosos resolveram entender como o paladar pode moldar nossas percepções morais. Tal estudo chegou a dois importantes resultados para o mundo cervejeiro; primeiro, um gosto amargo, tento em vista o referencial de amargor de cada um, traz a sensação física associada ao nojo e, segundo, a sensação de amargor acaba induzindo momentaneamente uma visão moralista, enquanto uma sensação doce aumenta a confiabilidade nas pessoas presentes.

Este estudo é útil ao organizar um evento corporativo, como confraternização de fim de ano, happy hour ou até mesmo uma reunião despojada para networking. Ao servir uma bebida alcoólica em eventos empresariais é sempre bom levar em consideração os efeitos da interação entre as pessoas, visando à formalidade da postura e a integração entre colegas ou novos parceiros. Por isso, é necessária uma escolha cuidadosa caso se opte por um serviço cervejeiro.

Recomenda-se bebidas de baixo teor alcoólico, para manter o profissionalismo (convenhamos, não é lugar de colocar a gravata na cabeça, não é?), e como a evolução sensorial de cada um é variada, deve-se optar por cervejas de baixo amargor. Dê preferência por cervejas mais doces, permitindo uma maior confiabilidade entre as pessoas do grupo e abertura para novos contatos e parceiros.

Dentre os poucos estilos possíveis de atender este critério, pode-se destacar a Golden ou Blonde Ale estadunidense. Ela se encaixa de forma perfeita neste perfil, já que apresenta uma leve doçura de malte combinado com um baixo IBU, isto é, índice de amargor e um teor alcoólico entre 4-5%. Busque uma coloração brilhante e dourada, junto com leve aroma floral de lúpulo, ou notas frutadas, para aumentar sorrisos e a troca de cartões de visita.

As sensações de paladar contribuem para interações à nossa volta, em como nos relacionamos e como repensamos o mundo. Para isto, é necessário muito cuidado na escolha do serviço das cervejas em eventos empresariais. Pensando cuidadosamente na percepção sensorial do gosto e suas atribuições ao escolher as bebidas, seus parceiros certamente farão brindes muito produtivos.

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

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