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A Reputação em Jogo

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Por Maurício Del Buono Ramos*

Abraham Lincoln uma vez escreveu: “O caráter é como a árvore e a reputação como a sombra. A sombra é como imaginamos, a árvore é como ela é.” A reputação esteve nos pensamentos de diversos pensadores e políticos por toda a história, em momentos de crises institucionais e profissionais, devemos retomar estes autores para nos ajudar a pensar na construção de nossa identidade no mercado.

Como candidato a uma promoção, ou como uma empresa superando uma crise de credibilidade, é importante ter em mente que nem sempre seremos vistos como o que de fato somos, mas muitas vezes pela sombra e pela imagem construída por outros. Então, como podemos começar a construir uma boa reputação?

Uma poderosa ferramenta da boa reputação é o prestígio acumulado por ações de altruísmo e solidariedade. Uma empresa em crise de credibilidade pode começar uma campanha de arrecadação para associações beneficentes, um candidato a cargo de liderança pode começar incluindo membros mais distantes do grupo, um novo candidato na política pode realizar ações em prol da comunidade. Em cada área, há sempre como ajudar o próximo.

Dois biólogos evolucionistas, Nowak e Sigmund, bolaram uma maneira de medir a reputação em um experimento social. Eles queriam saber a influência da reciprocidade indireta, ou seja, quão bem avaliamos uma pessoa a qual realizou ou não uma boa ação. Imagine a reciprocidade indireta com a sombra da árvore.

A pesquisa consistia em um grupo de 100 pessoas. Cada um recebia um valor em dinheiro e a cada encontro com outro participante ambos deveriam decidir se davam parte do seu dinheiro ao outro. Um pesquisador observava essas interações e concedia um ponto ou subtraia um ponto de um placar mantido na testa de cada um. Se alguém ajudava o próximo recebia um ponto positivo, se recusava ajuda, recebia um ponto negativo. Isso permitia saber como cada parceiro novo se comportou nos encontros anteriores: se tivesse uma pontuação positiva, significava que doou bastante, se tivesse uma pontuação negativa, significava que doou pouco.

Após várias rodadas, foi possível observar indivíduos utilizando a pontuação de seus parceiros como critérios para ajudar ou não. Alguns somente doavam caso seu parceiro tivesse pontuação acima de três, outros, talvez mais altruístas, ajudavam a partir de menos três. A medida que os encontros foram fluindo, a estratégia mais eficaz foi a de ajudar qualquer um com uma pontuação acima de zero. Isso permitia com que os mais altruístas formassem relações em que todos se ajudavam, mesmo indiretamente, permitindo evitar perder tempo com aqueles que não ajudavam ninguém.

Este é apenas um estudo de uma série sobre a reciprocidade indireta e o quanto ela influência na imagem pessoal. Esta estratégia é eficiente em várias áreas: ao lançar um candidato novo na política, ao contemplar um cargo desejado, ao fortalecer a imagem pública de uma empresa. Convido o leitor a pensar nesta estratégia que beneficia não apenas a si próprio como a todos em volta. Quanto mais altruísta for a árvore, mais prestigiada será sua sombra.

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

A morte de Teori e o futuro incerto do Brasil

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Por Maurício Del Buono Ramos*

Teori Zavascki morreu nesta quinta (19) a tarde após um acidente aéreo em Paraty. O falecimento do ministro do Supremo Tribunal Federal e relator dos processos da Operação Lava Jato gera incertezas quanto ao futuro da operação, da estabilidade política e da crise econômica. A morte acontece pouco depois de uma vergonhosa participação do Brasil no Fórum Econômico Mundial. Depois de mais de uma década, o Brasil foi ignorado nas principais decisões, inclusive das que diziam respeito apenas a países emergentes.

Em dezembro do ano passado, o ministro recebeu as delações de 77 executivos da Odebrecht, também conhecida como a Delação do Fim do Mundo, e, ao que tudo indicava, iria realizar a homologação e a publicação do material na primeira quinzena de Fevereiro. Recentemente o ministro até encurtou suas férias para acelerar a análise das delações. O início das audiências com os delatores estava marcado para a próxima semana.
Com isto, a instabilidade política se agrava. A expectativa é de que as delações contenham informações que poderiam derrubar Michel Temer e políticos a ele ligados, incluindo membros do PSDB e PMDB.

De acordo com o regimento interno do STF há duas possibilidades para o andar da Lava Jato. O primeiro, como Marco Aurélio tem requisitado, é a redistribuição dos processos pela presidente do Supremo, Carmen Lúcia. O segundo é a indicação de um novo ministro pelo atual presidente da república. Entretanto, o nomeado terá que ser aprovado pelo Senado.

Para o mercado de capitais, espera-se algumas semanas de instabilidade. O início de boatos acerca dos motivos da queda do avião terá impacto sobre a confiabilidade de investidores internacionais. Até a conclusão das investigações do acidente, o investidor deverá estar preparado para grandes oscilações.

A indústria brasileira deverá seguir em acelerada desindustrialização. A esperança do industrial para a retomada do crescimento produtivo é a queda de Temer seguido de um novo pacto político e econômico que incluísse os interesses do empresariado nacional. Com a prorrogação e incerteza sobre o futuro da Lava Jato, o empresário pode esperar a continuação da política atual que gera crise de produtividade e substituição da indústria nacional por multinacionais nos principais contratos governamentais.

O futuro da Lava Jato permanece incerto. A preocupação é que um possível ministro nomeado por Temer não homologue as delações a fim de encerrar a lava jato e o sangramento do atual governo. Com a maior rejeição da história democrática do Brasil, o atual presidente tenta se sustentar com base em propagandas mal elaboradas. A morte de Teori pode ter adiado sua queda, mas é imprescindível que o empresariado nacional se prepare para ocupar um papel de destaque no próximo ciclo político a tempo de reverter o processo de desindustrialização e a crise econômica.

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

Já ouviu aquela da cerveja, psicologia social e do empresário?

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Por Maurício Del Buono Ramos*

No final do século XVIII, o filósofo David Hume foi ousado ao atribuir nossos julgamentos morais às emoções, opondo o pensamento da época relacionando aquela à razão. Em sua visão, a moral poderia ser comparada ao gosto, uma vez que as pessoas avaliam algo como errado ao sentir desgosto. Na época, o autor não possuía maneiras de comprovar suas ideias, entretanto, na atualidade, é possível estudar como a análise sensorial afeta temporariamente nossos julgamentos.

Em 2011, alguns estudiosos resolveram entender como o paladar pode moldar nossas percepções morais. Tal estudo chegou a dois importantes resultados para o mundo cervejeiro; primeiro, um gosto amargo, tento em vista o referencial de amargor de cada um, traz a sensação física associada ao nojo e, segundo, a sensação de amargor acaba induzindo momentaneamente uma visão moralista, enquanto uma sensação doce aumenta a confiabilidade nas pessoas presentes.

Este estudo é útil ao organizar um evento corporativo, como confraternização de fim de ano, happy hour ou até mesmo uma reunião despojada para networking. Ao servir uma bebida alcoólica em eventos empresariais é sempre bom levar em consideração os efeitos da interação entre as pessoas, visando à formalidade da postura e a integração entre colegas ou novos parceiros. Por isso, é necessária uma escolha cuidadosa caso se opte por um serviço cervejeiro.

Recomenda-se bebidas de baixo teor alcoólico, para manter o profissionalismo (convenhamos, não é lugar de colocar a gravata na cabeça, não é?), e como a evolução sensorial de cada um é variada, deve-se optar por cervejas de baixo amargor. Dê preferência por cervejas mais doces, permitindo uma maior confiabilidade entre as pessoas do grupo e abertura para novos contatos e parceiros.

Dentre os poucos estilos possíveis de atender este critério, pode-se destacar a Golden ou Blonde Ale estadunidense. Ela se encaixa de forma perfeita neste perfil, já que apresenta uma leve doçura de malte combinado com um baixo IBU, isto é, índice de amargor e um teor alcoólico entre 4-5%. Busque uma coloração brilhante e dourada, junto com leve aroma floral de lúpulo, ou notas frutadas, para aumentar sorrisos e a troca de cartões de visita.

As sensações de paladar contribuem para interações à nossa volta, em como nos relacionamos e como repensamos o mundo. Para isto, é necessário muito cuidado na escolha do serviço das cervejas em eventos empresariais. Pensando cuidadosamente na percepção sensorial do gosto e suas atribuições ao escolher as bebidas, seus parceiros certamente farão brindes muito produtivos.

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

Expectativas para o mercado de Software Livre Brasileiro

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Por Maurício Del Buono Ramos*

Expectativas para o mercado de Software Livre Brasileiro
Até dia 11 de novembro todos os órgãos do SISP¹ deverão encaminhar manifestação de interesse em adquirir produtos e soluções da Microsoft. Com algumas exceções, esta é a primeira vez que o governo federal, desde a era PT, compra sistemas da multinacional de forma tão deletéria. O interesse de compra ainda não é de conhecimento público e só depois da manifestação dos órgãos interessados será possível conhecer o volume e o valor total liberado para as contratações. Entretanto é esperado que o governo adquira, por meio de licenças perpétuas e subscrições: Office, Windows Professional, Windows Server e Client Access. A notícia tem gerado temor no mercado de software brasileiro mediante o impacto no crescimento de Software livre nacional.

Sequência dos fatos
Conforme noticiou o portal do SISP, recentemente a Microsoft realizou uma reunião de portas fechadas com o governo onde anunciou a escolha de Brasília para sediar o Centro de Transparência que tem como objetivo a segurança cibernética e a troca de informações com governos da América latina sobre a origem de ataques virtuais. Nesta quarta-feira (19), a Secretaria de Tecnologia da Informação (STI)² firmou uma carta de intenções com o centro da multinacional e em doze meses, o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão deverá indicar se irá aderir ao programa. Participaram da reunião o presidente em exercício e presidente da câmara, Rodrigo Maia, o ministro das Ciências, tecnologia e comunicações, Gilberto Kassab do Governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg e outros integrantes do governo.

A Importância do Software Livre
Graças à tecnologia de open source houve um enorme avanço na conectividade entre o mundo físico e o virtual. Este conceito dá acesso a novos padrões de tecnologia assim que eles são desenvolvidos, ampliando sua utilização e acelerando seu compartilhamento entre a comunidade tecnológica.

Responsável pelo surgimento de muitos softwares e sistemas, como o Linux, a cultura do Open Source prega que os softwares devem ser avaliados acima de tudo pelos critérios técnicos e, consequentemente, promover vantagens econômicas e tecnológicas.

O Open Source abre diversos novos caminhos, ao permitir que diferentes cabeças, de diferentes lugares, trabalhem em determinada tecnologia. É um conceito que democratiza a indústria de tecnologia, visto que há pouco mais de dez anos toda a cadeia de inovação estava nas mãos de cinco empresas.

Para as empresas, o software livre significa uma redução de custos em serviços e pagamento de licenças. Para o país significa aumento de empregos gerados e a diminuição da dependência tecnológica de grandes multinacionais.

O mercado brasileiro de Softwares e Projeções para 2017
Este ano, a associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) junto com a International Data Corporation, divulgou o estudo Mercado Brasileiro de Software e Serviços 2016 com dados consolidados de 2015. Tal estudo anual mostra o mercado de TI no Brasil, o qual cresceu 9,2% no ano passado, acima da média mundial de 5,6%. No mundo, os investimentos do setor somaram US$ 2,2 trilhões.

O mercado doméstico de Tecnologia da Informação no Brasil em 2015 foi de R$ 153 bilhões, ocupando o sétimo maior mercado mundial e primeiro na América latina. Já no mercado mundial de software e serviços o Brasil manteve o oitavo lugar no ranking, com um mercado interno de US$ 27 bilhões.

Segundo as últimas previsões feitas pela Gartner para 2017, o segmento de dispositivos, isto é, PCs, tablets, celulares e impressoras, no Brasil deve atingir um total de R$ 46 bilhões, um aumento de 5,3% comparado com este ano. Os gastos com sistemas de Data Center, lugar que abriga servidores e armazenamento de dados, totalizarão R$ 6,8 bilhões, uma queda leve de 1,4%. Por sua vez, as despesas com softwares crescerão 7,8%, totalizando R$ 14,6 bilhões. Por fim, os gatos com serviços de TI e de comunicação chegarão a R$ 55,4 bilhões e R$ 113,3 bilhões, respectivamente.

Consequências para o mercado
Embora seja um mercado pequeno, comparativamente, o software livre representou R$ 1,5 bilhão em 2015. Ainda que seja um segmento em crescimento e modesto, na divisão por mercados, o governo tem uma participação de praticamente 60%. Embora nos últimos anos o governo federal já vinha tendo dificuldades em se livrar da dependência e dos altos custos dos contratos com a microsoft, ele vinha sinalizando uma política a favor da indústria de open source. Com uma possível mudança nas políticas nacionais, muitos especialistas já falam no fim da indústria nacional de software livre.

Conclusão
Uma auditoria realizada entre 2013 e 2014 pela controladoria geral da união sobre o Portal do Software Público³ concluiu que o Estado poderia economizar milhões de reais em programas de computador ao deixar de comprar softwares administrativos no exterior. Para ser mais preciso, é possível economizar até R$ 600 milhões em dinheiro público. O open source tem uma enorme importância tanto para o estado brasileiro – quanto à proteção de dados e redução de despesas – quanto para a indústria nacional, já que é uma das poucas áreas geradoras de tecnologia de ponta. O abandono de uma política desenvolvimentista nacional para uma liberal dependente está acelerando um longo processo de desindustrialização brasileira.

¹O Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação – SISP, foi instituído em janeiro de 1994 e atualizado em outubro de 2011, com o objetivo de organizar a operação, controle, supervisão e coordenação dos recursos de tecnologia da informação da administração direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo Federal.

²A Secretaria de Tecnologia da Informação – STI é o órgão central do SISP. É sua responsabilidade propor políticas e também planejar, coordenar, supervisionar e orientar normativamente as atividades de gestão dos recursos de tecnologia da informação, governo digital e segurança da informação no âmbito do sistema.

³O Software Público Brasileiro é um tipo específico de software livre que atende às necessidades de modernização da administração pública de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e é compartilhado sem ônus no Portal do Software Público Brasileiro, resultando na economia de recursos públicos e constituindo um recurso benéfico para a administração pública e para a sociedade.

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

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