Arquivos da categoria: Carreira

O indivíduo completo, em todos os mundos

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Por Ronaldo Ramos*

Com a tecnologia e a acessibilidade a serviços de comunicação, além da impaciência e ansiedade crescentes e nem sempre positivas ou necessárias no mundo dos negócios, fica difícil fazer uma separação clara entre negócios e lazer. Mais e mais somos desafiados a compatibilizar de maneira criativa os períodos de trabalho e descanso. Devemos levar em conta também que hoje as pessoas procuram mais atividades profissionais por paixão do que por imposições em relação às gerações passadas. Ou seja, a busca por propósito passa a nortear o indivíduo em todas as áreas, em contraposição ao automatismo latente.

Toca o despertador do celular, anunciando o início de mais um dia de trabalho. Ao desligar o alarme, já é possível ver muitas mensagens no WhatsApp, e-mails a responder e notícias recentes. Está na hora da call de equipe. Uma ligação via Skype acaba de entrar. Curtidas no Instagram, comentários no Facebook. Compartilhamentos. A conectividade torna a vida bem mais dinâmica, social e, por vezes, mais estressante. Ao mesmo tempo que a tecnologia e a comunicação em tempo real aproximam pessoas e facilitam a resolução de problemas, favorecem o trabalho excessivo e a dependência eletrônica.

A questão é pertinente nesta época de pressões profissionais intensas. A administração de crise exige respostas rápidas e personalizadas, seja qual for o cargo de liderança. A reação aos estímulos pode significar uma promoção, a permanência no emprego ou o retorno ao mercado. Por outro lado, há conscientização da necessidade de se sentir bem e de reservar tempo para isso. Vemos o número de academias, SPAS urbanos e terapias alternativas em expansão, além de aplicativos que ajudam a manter a qualidade de vida.

E devemos aprender com a experiência alheia sempre. Uma jornalista japonesa, de 31 anos, morreu depois de fazer 159 horas extras de trabalho em 2013. O caso só veio a público há dois anos pela agência de notícias Kyodo News: a repórter folgou apenas dois dias no mês que antecedeu a sua morte, por falência cardíaca. O canal japonês de televisão estatal NHK comprometeu-se a reformar suas práticas trabalhistas depois de perder sua funcionária de forma tão trágica.

De acordo com a Associação Americana de Psicologia, quase metade dos adultos empregados permanecem conectados fora do horário de expediente (à noite, em viagens, fins de semana e férias). E também lidam com questões pessoais durante o expediente. O uso de novas ferramentas de comunicação mudou a forma como trabalhamos e tornou nebuloso o limiar entre a vida doméstica e a profissional.

Para 90% dos brasileiros, a flexibilidade permite melhor equilíbrio entre trabalho e lazer, segundo estudo da Randstad realizado no segundo trimestre de 2018. Contudo, 38% dos entrevistados sentem que essa possibilidade também causa grande pressão na vida pessoal, já que nunca conseguem se desconectar completamente das tarefas profissionais.

Mais relevante que a flexibilidade é o comportamento individual e a capacidade de definir claramente expectativas junto aos stakeholders (superiores, clientes, familiares e amigos) e claro, consigo mesmo. Sim, é possível administrar o trabalho em casa e as obrigações profissionais em momentos de lazer, com a concordância da família. A ideia é separar horários pré-definidos e permitir ter maleabilidade com cada um dos familiares. Mas é importante saber desligar o smartphone ou o computador nos momentos previamente negociados. Se soubermos alocar tempo e tivermos disciplina de execução, é possível, sim. Diálogo, negociação e previsibilidade para colegas de trabalho e família podem ser alguns segredos.

Estudo da Robert Half com a Happiness Works mostra que conquistar um equilíbrio justo entre as responsabilidades profissionais e pessoais é um objetivo de praticamente todos os trabalhadores. Foram avaliados os níveis de felicidade de mais de 23.000 profissionais em oito diferentes países, que concordaram conversar sobre sua satisfação no emprego. Os entrevistados estavam em diferentes faixas etárias, níveis de experiência e indústrias. Dos colaboradores consultados, 19% disseram que sua felicidade no trabalho é de sua exclusiva responsabilidade, enquanto 6% a colocaram inteiramente nas mãos do chefe.

Em sua política de afastamentos remunerados, o Facebook passou a oferecer seis semanas para quem precisar cuidar de um membro da família doente. Em caso de luto, os colaboradores contam com 20 dias. A Delloite e o The Vanguard Group começaram a permitir que seus colaboradores tirem licenças remuneradas para cuidar de parentes enfermos desde 2017. É preciso também que as empresas enxerguem seus funcionários como seres humanos, em sua completude.

Da mesma forma, trabalho e lazer fazem parte da rotina do mesmo indivíduo. Não há mais espaço para uma divisão clássica, onde longos períodos de tempo são dedicados a cada um com exclusividade. Tudo junto e misturado, administrado consensualmente, parece ser a nova fórmula. A recomendação parte sempre da busca pelo autoconhecimento e por entender as prioridades de cada um e seus chamamentos interiores. A partir daí pode-se planejar diferentes maneiras de gerenciar os pontos mencionados. Na solidão, na reclusão e na crença de que damos conta de tudo e somos heróis, as coisas ficam mais difíceis. Procurar ajuda de profissionais e de amigos pode ser um caminho a ser percorrido até o sucesso e o bem-estar.

Ronaldo Ramos
*Fundador do CEOlab e professor associado da FDC
ronaldo.ramos@ceolab.net
www.CEOlab.net

Colapso Mental? Sobrecarga de Informações tem Solução

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Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

Há um tempo atrás, encontrei um estudo muito interessante sobre as habilidades exigidas para navegar confortavelmente no futuro (2020 skills IFTF). Todas extremamente relevantes e já falei sobre algumas aqui. Uma delas, particularmente, me chamou a atenção: a necessidade de ser capaz de “selecionar” a busca de conhecimento de forma a não se perder na imensidão de informações a que a atualidade despeja sobre nossas cabeças a cada instante.

Provavelmente porque sou a rainha de “viajar” na busca, decidi ir atrás de mais. Foi quando cheguei ao conceito de “curadoria do conhecimento”. Descobri a forma de auxiliar a mim mesma e aos outros a evitar uma sobrecarga cognitiva que pode me levar a uma incapacidade de processar adequadamente as informações.

Curadoria
“Curadoria”, para quem não tem familiaridade com o termo, é o processo de encontrar, filtrar e compartilhar um conteúdo relevante e útil para o um público-alvo de sua escolha. Pode ser executada na arte, em conteúdo, tendências, moda, enfim. O compartilhamento pode ser feito de diversas maneiras, simplesmente via Internet ou redes sociais através links e conteúdo incorporado, ou de uma forma mais elaborada, acrescido de análises e comentários específicos.

Encontrei uma empresa brasileira trabalhando com o conceito, a Inesplorato, que ofereceu um curso, entre janeiro e março desse ano, para disseminar sua metodologia de trabalho e lá fui eu estudar um pouco mais. Como meu tempo no Brasil era curto – nos últimos tempos vivo entre São Paulo e Roma -, possivelmente não consegui chegar ao melhor resultado. Não sou ainda realmente um curador de conhecimento como aqueles da Inesplorato mas, mesmo assim, tive um grande aprendizado, que vai me permitir evoluir e compartilhar as habilidades inerentes à especialidade.

Curadoria de Conhecimento
Curadoria de conhecimento aparentemente é um conceito fácil de entender, mas vocês não imaginam a complexidade envolvida na execução, quando se decide fazer isso para outra pessoa ou alguma empresa.

Para começar, requer ética, comprometimento, pensamento estratégico, um esforço enorme e o mais precioso dos recursos, o tempo. Você precisa estar aberto a pensar fora da caixa, sair de sua zona de conforto e não ter medo de desagradar a pessoa que lhe solicitou o trabalho. Além disso, você deve ser capaz de organizar as informações de forma atraente, que desperte a curiosidade e a vontade do outro ir cada vez mais fundo. E, não se faz um bom trabalho sozinho, precisa ter parceiros que movam você em diversas direções e o ajudem a ser mais e mais interessante e instigante.

O objetivo principal da curadoria é reduzir o tempo e a distância entre as pessoas e aquele conteúdo realmente relevante, que pode trazer transformação. E aí está a maior complexidade da questão: o que é transformador? Você não está ali para agradar, para concordar com aquilo que mantém a pessoa confortável. Você está ali para ajudá-la a abrir-se para novos pensamentos, ideias e realidades que a ajudarão a ir em frente, crescer, ser melhor.

E então?
Mesmo quando seu “cliente” é você mesmo, todas as demandas do trabalho são exigidas. A “autocuradoria”, se é que existe, para mim é o começo de tudo. Estou testando esse conceito, usando metodologias aprendidas no curso, adaptando-as à minha ação solitária. Pelo menos, já descobri que posso ser um pouco mais organizada nas minhas buscas. Vai ser transformador? Não sei. Quando souber, conto para vocês.

Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini
*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@executivasechiques.com

Hora de pensar em movimentos na carreira

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Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

A economia está dando sinais positivos mesmo que ainda pequenos. Você, que ficou insatisfeito, mas meio paralisado no seu emprego, com medo de perder e ficar sem alternativas, tem agora um momento de alívio e pode pensar melhor no que quer e pode fazer.

Possivelmente seus planos contemplam um crescimento, mudança de função, ou mesmo de empresa. Ou talvez você esteja pensando apenas em sentir-se mais feliz com o que faz, mais realizado. Pode ser mesmo que descobriu que precisa integrar melhor sua vida pessoal com a profissional, estar mais presente para sua família ou para seus sonhos.

Independente da razão que está mobilizando você no momento, você é responsável para fazer as mudanças que sua vida está pedindo. Se não levantar da cadeira e começar a agir, dificilmente alguém vai cuidar de suas questões. Então, comece a fazer as perguntas certas para você mesmo.

Quem sou eu?
No que eu sou bom?
O que me traz satisfação?
O que o mercado precisa e eu posso oferecer?

Se precisar de ajuda, busque. Muitas vezes obtém-se mais clareza quando pensamos com alguém mais, especialmente se for uma pessoa especializada e séria. No entanto, se você apenas obtiver as respostas a essas perguntas, verá que elas poderão ajudá-lo a melhorar seu desempenho, ampliar os resultados positivos que você possa atingir e levá-lo com mais facilidade a um momento de maior realização.

Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini
*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@executivasechiques.com

Quem disse que CEOs não enfrentam dilemas?

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Por Paulo Henrique Ferro*

Estar na posição de CEO ou de empreendedor, não é tarefa fácil.
A complexidade de seu papel e a capacidade de influenciar as variáveis internas e externas de uma organização, exigem uma visão mais ampla de suas atribuições.

Estar no comando confere aos executivos o poder para influenciar a resolução dos problemas da organização. No entanto, administrar a multiplicidade de cenários e as aparentes contradições na tomada de decisão, requer velocidade e pensamento estruturado.

De fato, organizar e adequar as ideias parece óbvio, mas a dinâmica do cotidiano não é tão simples assim. A agenda e o ritmo intensos podem privar o executivo de reflexões mais elaboradas além de levar ao característico isolamento da posição. Por outro lado, os limites inerentes ao tempo e ao conhecimento dos executivos, significa que há a necessidade de influenciar as equipes por meio do contato indireto, com o apoio da estratégia adotada e dos processos organizacionais eficazes.

Um estudo da Harvard Business School, publicado em julho/agosto deste ano, mapeou a agenda de 27 CEOs de grandes companhias americanas durante três meses. Conduzido pelo professor , Michael Porter, e pelo reitor , Nitin Norhia, o estudo aborda a gestão do tempo e propõe seis dimensões que indicam como os executivos exercem influência.

Segundo os autores, gerenciar o tempo e as agendas representa uma das características mais importantes das responsabilidades de um executivo nas suas atribuições: estabelecer equipes de confiança e delegar tarefas. Em contrapartida, os dilemas sobre algo que pode ser feito ou pensado de forma diferente nessas dimensões, continuam presentes. E a pergunta é: como analisar e fazer a melhor escolha?

O estudo apontou que 61% dos entrevistados revelaram que gastam mais tempo no contato direto com as equipes. Essa interação permite ao executivo exercer influência e aprender o que realmente está acontecendo, para delegar e agilizar suas agendas. Ainda assim, os dados sobre o uso do tempo revelaram que executivos precisam aprender a gerenciar melhor a sua influência direta e indireta.

O estudo aponta que os executivos exercem influência baseando-se nas seis dimensões: Direta X Indireta (decisões e prioridade);
Interno X Externo (equipe e apoio); Proativa X Reativa (visão e propósito); Alavancagem X Restrições (influência e recursos); Tangível X Simbólico (decisão e valor) e Poder X Legitimidade (autoridade e resultado).

Ao examinar o papel do CEO foi identificado que cada uma das seis dimensões, envolvem uma dualidade – uma aparente contradição a que os autores se assemelham ao yin e ao yang – que eles devem gerenciar conjuntamente para serem eficazes.

Acessar esses domínios e ter consciência do que está em jogo, é um passo importante e um avanço na carreira de um CEO. Um pensar sólido depende não só da formação e experiência, mas do seu modo de agir.

Para treinadores e mentores, as dimensões propostas no estudo fornecem uma estrutura útil para analisar como os líderes gerenciam seu tempo.
No entanto, o principal benefício de estar atento à essas questões é o aumento da consciência. Isto, por sua vez, pode levar a melhores decisões sobre o uso do tempo e influência.

Por fim, orquestrar toda essa complexidade é uma tarefa que pode contar com o apoio de mentores como sounding partners, ou como alguém que agrega valor por meio de suas experiências e conhecimentos.

Nas próximas edições voltaremos nosso olhar para cada uma das seis dimensões.
Até a próxima!

Paulo Henrique Ferro
*Mentor, Coach, Mediador Organizacional e Consultor em DO no CEOlab.
paulo.ferro@ceolab.net

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