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Futuro daqui 1.000 anos

Daqui 60.000 anos, pele pigmentada para evitar os efeitos da radiação ultravioleta.

Por Beia Carvalho

Traduzi livremente esta animação em vídeo “Como serão os humanos daqui 1.000 humanos?”

Muito do que está colocado para daqui 1.000 anos está sendo discutido seriamente para daqui 30, 50, 100 anos. Alguém não está fazendo bem as contas, rs.

Mas o que importa, é que em menos de 3 minutos, este vídeo nos traz uma panorama do que está por vir, seja durante o período de nossas vidas ou para a humanidade transespacial. Aqui começa o vídeo e a tradução:

Se os humanos ainda estão evoluindo, onde essa evolução nos levará em 1.000 anos?

Com certeza seremos mais altos. Nos últimos 130 anos já crescemos bastante. Em 1880, a estatura do homem americano médio era 1,70m e hoje é 1,78m.

Também poderemos fundir com robôs/máquinas que vão aprimorar nossa audição, visão e saúde e muito mais.

Hoje em dia, temos aparelhos auditivos que permitem gravar sons, gerar ruídos brancos e até vem com um celular integrado. Outro exemplo é uma equipe da Universidade de Oregon que está desenvolvendo olhos biônicos para ajudar cegos a voltarem a ver.

Mas não é impossível pensar que esta tecnologia permitirá que possamos enxergar coisas que hoje consideramos invisíveis, como energias diferentes de luz como infravermelho e raios X.

E chegará o dia em que as próteses não serão apenas para deficientes. No entanto, não será apensas a nossa aparência exterior que sofrerá mudanças. Nossos genes também evoluirão em níveis microscópicos, para ajudar em nossa sobrevivência.

Por exemplo, um estudo da Oxford descobriu um grupo de crianças infectadas com o vírus da Aids, HIV, na África do Sul, que levavam uma vida totalmente normal. Como? Eles tinham um mecanismo de defesa contra o HIV, que impedia o vírus de desenvolver a Aids. E com ferramentas de edição genética como o CRISPR, nós poderemos finalmente controlar nossos genes e DNA até o ponto onde poderemos ter uma humanidade imune a doenças e reverter os efeitos do envelhecimento.

Uma outra forma de acelerar a evolução, em outro nível, é mudar alguns de nós para Marte. Marte recebe 66% menos luz que a Terra, o que pode significar que humanos vivendo em Marte desenvolvam pupilas muito maiores, para absorver mais luz e poder enxergar. E como a força gravitacional de Marte é apenas 38% que a da Terra, as pessoas que nascerem em marte deverão ser mais altas que qualquer um aqui na Terra.

No espaço, o fluido que separa nossas vértebras expande, e segundo o engenheiro espacial Robert Zubrin, a baixa gravidade de Marte fará com que a espinha dorsal humana se alongue e adicione alguns centímetros a mais na estatura humana.

Mas nem mesmo essa mudança para Marte poderá ofuscar a maior das mudanças na evolução humana que pode surgir nos próximos 1.000 anos: imortalidade.

O caminho para a imortalidade vai exigir que os humanos baixem seus conhecimentos (mente) para uma máquina. Hoje já há cientistas na Itália e China testando o transplante de cabeças em ratos para descobrir se há como transferir a mente de um corpo a outro. O próximo passo desses cientistas é transplantar cabeças humanas.

O que quer que aconteça nos próximo 1.000 anos, se vamos nos fundir com máquinas ou nos tornarmos uma delas, uma coisa é certa: a raça humana está em mudança constante. E quanto mais rapidamente mudarmos ou sairmos da Terra, maior será a chance de superarmos a extinção.

Publicado no Youtube por Tech Insider, em 6 maio 2017. Um ano depois: 18.230.294 visualizações. 

O rosto simulado para daqui 100.000 anos: olhos muito grandes e verdes para proteção contra os raios cósmicos, crânio e testa maiores para acomodar o aumento considerável do cérebro, os narizes serão mais retos e rosto cada vez mais simétrico e ainda proporcional à proporção áurea.

Beia Carvalho
*Palestrante futurista

beia@5now.com.br

Futuro das Câmeras

Por Beia Carvalho

Traduzi este artigo do New York Times, que termina com uma afirmação daquelas de arrepiar você inteiro, não só o cabelo!

As câmeras inteligentes não irão apenas observar você – elas também vão te entender.

Quem é que vai querer ou precisar de uma Câmera que “pensa”?

Parece que o mercado tem muito mais gente que quer saber tudo o que está acontecendo em suas casas, enquanto estão fora ralando no trabalho.

Leia esse relato do jornalista Farhad Manjoo, ele mesmo um louco por registrar tudo que se passa com sua família. Ele fez um “test-drive” com 2 destas super novas câmeras com Inteligência Artificial. A Clips, da Google e a Lighthouse. Boa leitura.

O Sublime e Assustador Futuro das Câmeras Com Inteligência Artificial 

Uma nova geração de câmeras, como a Google’s Clips, pode entender o que elas veem, criando possibilidades intrigantes e, algumas vezes, inquietantes.

Alguma coisa estranha, assustadora e sublime está acontecendo com as câmeras que vai complicar tudo o que sabemos sobre fotos. As câmeras agora tem cérebros. Até a poucos anos, quase todos as câmeras – de smartphones ou não, ou de circuito fechado de televisão para vigilância – eram como olhos sem nenhuma inteligência.

Elas capturavam qualquer coisa que você pusesse em frente delas, mas elas não tinham a mínima ideia do que elas estavam vendo. Mesmo os fatos mais básicos do mundo lhe escapavam. É louco, por exemplo, que em 2018, seu smartphone não detecte automaticamente quando você tira uma foto de você nua e ofereça a opção de armazená-la numa super especial uma camada extra de segurança.

Mas tudo isso está mudando. Está chegando uma nova geração de câmeras que entendem o que elas veem. Elas tem olhos conectados com o cérebro, são máquinas que não apenas veem o que você põe na frente delas, mas podem tomar decisões sobre o que veem – criando possibilidades intrigantes e, algumas vezes, inquietantes.

No início, essas câmeras nos prometem tirar fotos melhores, capturar momentos que seriam impossíveis com as câmeras burras de antigamente. Esse é o pitch (argumento de venda) que a Google está fazendo com a Clips, uma nova câmera que começou a ser vendida nesta quinta feira (2 março). Ela usa machine learning* (aprendizagem automática) para tirar automaticamente fotos de pessoas, pets e outras coisas que ela achar interessante.

Outras estão usando Inteligência Artificial (IA) para fazer com que as câmeras sejam mais úteis. Você já ouviu falar que o novo iPhone da Apple usa reconhecimento facial para desbloquear seu iPhone. A startup Lighthouse AI quer fazer algo similar para sua casa, usando uma câmera de segurança que adiciona uma camada de inteligência visual às imagens que ela vê. Quando você instala a câmera na entrada de sua casa, ela pode analisar constantemente a cena, alertando você se o passeador do seu cão não voltou, ou se as suas crianças ainda não chegaram em casa depois da escola, na hora prevista.

Nem precisamos ir longe para imaginar as possibilidades úteis e assustadoras de câmeras que podem decifrar o mundo. As Câmeras Digitais trouxeram uma revolução para a fotografia, mas até o momento, era só uma revolução de escala: graças ao microchips, as câmeras ficaram menores e mais baratas, e começamos a carregá-las o tempo todo.

Agora, a Inteligência Artificial (IA) vai criar a revolução de como as câmeras funcionam, também. Câmeras inteligentes deixam você analisar fotos com precisão inconteste, aumentando o espectro de um novo tipo de vigilância  — não apenas pelo governo, mas por todos a sua volta, até os seus entes mais queridos dentro de casa.

As empresas que fabricam esses equipamentos estão cientes dos perigos de privacidade. Muitos estão entrando no mercado cautelosamente, espalhando seus produtos com salvaguardas que eles dizem reduzir o nível de horror.

Veja a Clips do Google, que usei nestes últimos 10 dias. É um dos equipamentos mais inusitados que já vi. A câmera é do tamanho de uma latinha de Altoids, sem nenhuma tela. Na parte da frente tem uma lente e um botão. O botão tira a foto, mas só está ali se você realmente precisar dele.

Na realidade, na maior parte do tempo, você confia na intuição da câmera, que foi treinada para reconhecer expressões faciais, luz, enquadramento e outras qualidades de uma foto bem feita. Ela também reconhece rostos familiares – as pessoas com quem você passa mais tempo são aquelas que ela julga serem as mais interessantes para serem fotografadas.

A Clips, que está sendo vendida por US$ 249 (R$ 850) transforma o ato de tirar fotos em algo inconsciente e invisível. Fácil de carregar, tem um clip que se adapta em suas roupas, na mesa, na palma de sua mão ou qualquer lugar com uma vista.

Daí pra frente, fica por conta da Inteligência Artificial.

A Clips fica observando a cena e quando vê algo que acha que vai dar numa boa foto, ela captura uma foto de 15 segundos (burst picture), algo como um GIF animado, ou a Live Photo do iPhone.

Viajei com a minha família para a Disneylândia, na semana passada, e durante 2 dias eu quase nem tirei uma foto (com tanto para ser fotografado!). Em compensação, esse trequinho automaticamente capturou mais de 200 fotos (clips) de nossas férias.

Algumas delas ficaram muito boas, pegaram os pontos altos de nossa viagem do mesmo jeito que eu teria tirado com o meu celular. Mas o interessante mesmo foi tudo que eu não teria capturado conscientemente.

A Clips pegou momentos das minhas crianças distraídas, se divertindo, brigando nas filas intermináveis da Disney, dançando como loucos  — momentos super espontâneos ou insignificantes para que eu apontasse a câmera, mas que provavelmente registrou nossas vidas de forma mais fidedigna para daqui a 30 anos.

Leitores habituais desta coluna sabem que capturar momentos da infância de minhas crianças é uma das minhas grandes ansiedades; eu até instalei minha câmeras pela casa toda para guardar um tipo de reality show da vida em minha casa. Mas você não precisa ser tão louco como eu  — de ter medo de perder o que suas crianças ou seus pets estão fazendo constantemente, mas que seu smartphones geralmente não registra. Uma câmera inteligente pega todo esse tempo porque não te faz perder esse momento para capturá-lo. Mas, obviamente, que deixar ali uma câmera que não tem que torar fotos específicas, é um problema e levanta a lebre de ser espionado  — tanto pela Google, ou por você, para espionar os outros.

Google trata essa questão de 2 formas. A câmera está na maior parte do tempo desconectada da internet. Não precisa estar conectada para tirar fotos, e você precisa de seu celular para ver ou salvar as fotos. Mais ainda, tudo que acontece com a IA precisa rola na câmera, você nem precisa ter uma conta Google, diz a empresa.

“Gastamos muito tempo pensando no tema da privacidade para ter a certeza que esse seria um equipamento que as pessoas gostariam de ter,” disse Eva Snee, que chefia a pesquisa Google sobre como as pessoas interagem com a Clips. “O que a gente aprendeu, é que as câmeras não assustam as pessoas quando elas são usadas deliberadamente e a pessoa é parte do processo.”

A presença da Clips traz à memória outros produtos na mesma vibe, como o Snap’s Spectacles e o Google Glass, que também não conseguiram fazer com que os consumidores usassem óculos para tirar fotos.

Para fugir disso, a Clips foi desenhada para se parecer com uma câmera. Quando está ligada, um LED branco pisca dando o sinal de que pode estar gravando. Ela tampouco grava áudios, porque aí sim pareceria uma câmera-espiã.

A câmera Lighthouse, que eu também usei por algumas semanas, foi feita para ser uma versão melhor das câmeras de segurança interna interconectadas, que se tornaram tão populares. Esses equipamentos são muito chatos porque eles disparam toda vez que percebem algum momento.

O truque especial da Lighthouse é o sistema da câmera que pode sentir (identificar) espaços 3D e aprender e reconhecer faces  — uma  inteligência pensada para evitar alarmes falsos. Ela também tem uma sofisticada interface de linguagem, para que você possa fazer perguntar naturalmente: “O que as crianças fizeram enquanto eu estava fora?” Ela vai mostrar vídeos (clips) de suas crianças enquanto você estava fora.

A câmera Lighthouse está à venda por US$299, (R$ 1.020) requer uma assinatura mensal de US$10, e passa a sensação de um projeto em andamento (work in progress). Ela foi mais precisa em diferenciar as pessoas na minha casa, mas também se enganou com um desses balões metálicos, que estava flutuando no meu quarto, pensando que era um intruso.

A empresa é jovem e aposta na melhoria de seu software. Consigo ver uma utilização genuína para as pessoas que querem saber o que se passa em suas casas quando elas estão fora. Quer saber se o seu cachorro está pulando no seu sofá? Pergunte pra Lighthouse; ela pode reconhecer cachorros pulando pelos sofás da casa e instantaneamente lhe mostrar um vídeo.

Mas e se você estiver preocupado com a sua mulher, e não o seu pet? Eu confio na minha mulher, mas por uma questão de clareza desta coluna, eu pedi para a câmera me mostrar qualquer vídeo de minha mulher com alguém estranho. E ela me enviou minha mulher numa noite com a baby sitter, que a Lighthouse nunca tinha visto antes. Foi um caso flagrante de espionagem em minha família. Mas é uma possibilidade óbvia com uma câmera que entende o mundo tão bem.

O presidente da Lighthouse, Alex Teichman, disse que poderia adicionar salvaguardas contra essa espionagem intrafamiliar, por exemplo, ao restringir a identificação facial apenas à rostos não reconhecíveis. Ele também apontou que o sistema tem vários tipos de sofisticados de controle de privacidade que permite que qualquer gravação seja desligada quando certo membros da família estão presentes.

Tanto a Lighthouse como a Clips são muito bem trabalhadas contra o fraude. Note-se que nenhuma delas permite mais espionagem do que você já pode fazer com seus smartphones. A vigilância social constante é a norma em 2018.

Mas elas são guias para o futuro. Amanhã, todas as câmeras terão suas capacidades. E elas não irão apenas observar você – elas vão entendê-lo.

.

NOTAS:
Foto: Doug Chayka/The New York Times
Artigo do New York Times por Farhad Manjoo

Beia Carvalho
*Palestrante futurista

beia@5now.com.br

A Mala do Futuro é uma Mala?

 A Roda surge no período Neolítico, a Idade da Pedra Polida, no 4º século antes de Cristo


Por Beia Carvalho

Aqui e ali, há mais de 5.000 anos surgiu a roda. Cinco mil anos!

A história da humanidade bem rapidinho

De lá pra cá muita coisa foi feita para usar uma, duas, quatro ou cinco rodas.

Mas é quase inacreditável pensar que até 50 anos atrás estávamos nos digladiando para carregar nossas (pesadas) malas. Eu sofri muito. Sou daquelas fracotes, sem força para pesos ou para abrir vidros de geleia. Aplaudi de pé a chegada das malas com rodinhas.


Comercial da Bluesmart sobre a Evolução das Malas: tem localizador, carregador de baterias USB, cadeado digital, balança integrada, alertas de distâncias, itinerários de viagem, status de viagem.

A inovação reverenciada por viajantes do mundo todo é de 1972! Pensa nisso: o homem foi pra lua antes de deslizar uma mala pelos corredores de um aeroporto!

E no ano seguinte, surgiu a cadeira de escritórios com rodinhas, de 1973.
Dizem que Charles Darwin, há mais de 150 anos, colocou rodinhas em sua
poltrona para ganhar mais mobilidade. Mas a “inovação” morreu com o gênio.

Meu amigo Edu Freire testando a Mala Patinete

Meu amigo Eduardo Freire, um peso pesado em todos os sentidos, postou outro dia sua estripulia de usar sua mala como patinete. A cena me fez pensar como conseguimos conviver com a inconveniência e o desconforto, que malas sem rodinhas nos impuseram por séculos.

Por que as malas não sofreram nenhuma inovação? Sim, mudamos um pouquinho aqui e ali,
basicamente experimentando materiais, de plástico duro ou tecidos leves de nylon a fibras de carbono.

 

Pouca inovação e muita maquiagem não foram privilégios das bagagens.
Ironicamente, é o cenário mais comum em um mundo desesperado por
inovação. Raro assistir a algo que infrinja uma ação diretamente no coração
de produtos e serviços.

E pensa que foi fácil convencer as empresas a comprarem e as pessoas a
usarem a maravilha de uma mala que rola? Não foi, não! Bernard D. Sadow
era então vice presidente de uma fábrica de malas, a US Luggage e colocou
a patente das rodinhas, em 1970.

A mala com rodinhas é uma inovação por combinações inovadoras. Este é
um dos 3 tipos de inovação, que discorro em minhas palestras. Como fazer
combinações inovadoras? Pra começar, diz o mestre Einstein, imaginar é
mais importante que conhecer. Tudo começa com um olhar que não tem
medo de imaginar. É disparar um novo olhar, um olhar fresco, um olhar de
olhos que querem enxergar.

Bernard, que convivia com malas em seu trabalho, um dia olha um
carregador empurrando uma máquina pesadíssima sem fazer esforço algum,
auxiliado por plano com rodinhas. Milhares de pessoas viram a mesma cena
muito antes daquele dia e naquele dia. A diferença é que Bernard olha, vê e
enxerga. ‘É disso que as malas precisam, disse a sua mulher.

Chega em casa, arranca os rodízios de um baú e os coloca numa mala bem
grande. Daí, amarra uma alça na frente da mala e puxa. Funcionou!.

Prototipar é uma fase da maior importância no processo de inovar –
ironicamente uma das mais negligenciadas. Nascia uma inovação, que iria se
massificar depois de muita ralação a partir da aceitação da poderosa loja de
departamentos Macy’s com o anúncio “A Mala que Patina”.

Em 1987, o piloto de aviação Robert Plath inventa a Rollaboard: 4 rodinhas,
alça retrátil deslizando de pé. E assim, a mala de 4 rodinhas enterra a super
inovação de Bernard Sadow, que demorou tanto tempo para acontecer e
reinou sozinha por apenas 15 anos.

Ao final do ano passado, palestrei sobre um novo tema Integrutopia, e
perguntava à plateia: “O que não vemos?”. Por que por tanto tempo não
vimos as rodinhas em cadeiras e malas? O que estamos deixando de ver
hoje?

É interessante notar que uma vez “destapada” a tampa da inovação ela
parece se mover com uma nova e turbinada força. De 1972 até hoje os
pequenos incrementos e inovações não cessaram. A Mala Patinete, a Mala
que vira cadeira, mesinha pro laptop, que não amassa sua roupa e a Mala
Inteligente: aquela que te segue.

Mas será qual o papel dos wearables nas bagagens de viagens? Vamos
teletransportar nossas coisinhas? Ou vamos carregar o que é realmente
pessoal em um casaco com 26 bolsos e alugar tudo o que precisamos no
local de chegada? Qual é o próximo passo?

Num mundo tecnológico e globalizado e preocupado com a pegada de carbono seria de se esperar que as pessoas não precisassem viajar tanto.

Não é o que acontece. O fenômeno da mobilidade mundial começou no início do século passado e parece ter um fôlego inesgotável.

Está aí um campo que vai precisar muito da sua imaginação. Afinal, que malas vamos levar na viagem espacial para Marte?

NOTAS:

Bernard D. Sadow comprou a empresa US Luggage. Morreu em 2011 aos 86 anos.
Charles Darwin (1809-1882), naturalista inglês que desenvolveu a teoria da evolução a partir da seleção natural em seu livro “A Origem das Espécies” de 1859.
Rolling Luggage: patente número 3.653.474, United States, 1970.
Veículos com rodas: https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda
Cadeira Synthesis 45 produzida pela Olivetti, em 1973, ergonômica, e
encosto com 2 articulações.
Aeron chair, 1992, desenhada por Don Chadwick e Bill Stumpf e produzida
por Herman Miller.
What came first? Wheeled luggage or a man on the moon?
https://betafactory.com/what-came- first-wheeled- luggage-or- a-man- on-the-
moon-20f8b22529a3
A mala Bluesmart tem localizador, carregador de baterias USB, cadeado
digital, balança integrada, alertas de distâncias, itinerários de viagem, status
de viagem etc.
Eduardo Freire é CEO e co-fundador da Framework: Consultoria e Projetos
de Educação e Inovação.
Reinventing the Suitcase by Adding the Wheel:
https://www.nytimes.com/2010/10/05/business/05road.html

Beia Carvalho
*Palestrante futurista

beia@5now.com.br

Drones – Uma realidade que chegou para ficar

photo-by-annie-spratt-cc0

Por Valesca Elisa Michelon*

As novas tecnologias vêm transformando drasticamente o mundo como o conhecemos. Essa afirmativa torna-se ainda mais surpreendente se considerarmos que no início do século XX não tínhamos sequer aviões. O que existia eram meros ensaios de equipamentos que mal saíam do chão. De lá para cá o homem já chegou até a lua e criou observatórios habitados no espaço. Podemos nos deslocar de um hemisfério a outro em não mais do que algumas horas, e nos comunicar em tempo real, por áudio e vídeo, com pessoas que estão do outro lado do mundo. Algumas poucas décadas atrás, tudo isso não passaria de ficção científica.

Os Drones são mais uma destas inovações fantásticas que surgiram nos tempos modernos e cada vez mais parecem ter vindo para ficar. Esses equipamentos, que já nasceram complexos, são aperfeiçoados diariamente, e podem servir em benefício da humanidade quando bem empregados, tais como logística, emergência médica, agronegócios, salvamentos, vigilância de fronteira e patrimonial, ajuda humanitária em ambientes hostis e uma infinidade de outras utilidades, por outro lado por serem equipamentos extremamente poderosos podem ter sua utilização desvirtuada podendo se tornar armas perigosas, tais como invasão de privacidade, tráfego de drogas, de armas, terrorismo, atentado a segurança de pessoas e países.

Não obstante, a regulamentação dessa atividade não tem acontecido na mesma velocidade das inovações, o que acaba por deturpar e complicar a correta utilização destes equipamentos. Essa lacuna nos regulamentos dos Drones, implica em grandes prejuízos para a sociedade, podendo, inclusive, colocar vidas em risco.

O primeiro Drone brasileiro ficou registrado como BQM1BR, um protótipo de VANT que funciona com propulsão a jato, e que voou pela primeira vez em 1983.
Porém, os investimentos na tecnologia Drone no Brasil só ganharam força a partir do ano 2000, com o lançamento do Projeto Arara (Aeronave de Reconhecimento Autônoma e Remotamente Assistida), com a finalidade de atingir o mercado civil.

O Brasil é o país que mais pesquisa por Drones da América Latina, e foi o terceiro a regulamentar essa atividade, ficando atrás somente do Chile e da Argentina.
Atualmente, a Polícia Federal Brasileira possui Drones que vigiam as fronteiras do país. A tecnologia também foi utilizada para a transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2014, através de imagens aéreas, e nas Olimpíadas de 2016, com a mesma finalidade.

Em 2011, a ICAO (International Civil Aviation Organization), organismo regulamentador das atividades aéreas mundiais, do qual o Brasil é signatário, divulgou circular de nº 328-NA/190 que tinha como objetivo informar sobre a integração dos Vants (Veículos aéreos não tripulados) ao espaço aéreo segregados e aos aeródromos, considerar as diferenças entre a aviação tripulada e a não tripulada, e encorajar seus Estados membros a contribuírem com suas próprias experiências para uma normatização do uso desses equipamentos.

No Brasil, a competência de legislar sobre regulamentação do espaço aéreo brasileiro é do DCEA. Em 19 de novembro de 2015 foi publicada no Diário Oficial a promulgação da Instrução de Comando Aéreo (ICA) de número 100-40, que tinha por finalidade servir como guia para regulamentar o uso dos Drones em espaço aéreo segregados e aeródromos, compartilhando com aeronaves tripuladas dentro do espaço aéreo Brasileiro.

No mesmo ano a ANAC fez uma consulta popular sobre Drone, de nº 13/2015 com pretensão de regulamentar até as Olimpíadas de 2016, mas sem sucesso.

Da consulta pública realizada pela ANAC nasceu a RBAC-E 94, editada em 02/05/17, a normatização em questão basicamente teve como norte a Circular 328 da ICAO, e as regras da Aviação Civil Internacional atuais, entretanto alguns pontos relevantes foram definidos, tais como classificação das aeronaves não tripuladas por peso.

  • Classe 1: RPA com PMD maior que 150 kg;
  • Classe 2: RPA com PMD maior que 25 kg e menor ou igual a 150 kg;
  • Classe 3:RPA com PMD menor ou igual a 25kg.

Muito embora cada classe tenha suas particularidades de operação, alguns pontos definidos são relevantes para operação na classe 1 e 2 tais como:

  • Idade mínima para operação: 18 anos.
  • Os pilotos deverão possuir Certificado Médico Aeronáutico de 5ª Classe (Emitido segundo RBAC nº 57) e habilitação para operar.
  • Todas as aeronaves devem possuir RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro).
  • Todos os voos deverão ser registrados.
  • Seguro contra terceiros será exigido em todas as categorias.

A regulamentação ainda adentra a questão de atividades ilícitas e invasão de privacidade que serão tratadas pelas autoridades de segurança pública competentes e as punições também estão previstas na Resolução nº 25/2008.

É importante ressaltar que a Regulamentação trata somente de aeronaves civis, não estão em questão as aeronaves militares.

Em tempo, é preciso notar que a normas da ANAC não são as únicas que devem ser observadas para operação dos Vants – tem que se obedecer, ainda, as regras do DECEA e da ANATEL.

Os Drones já fazem parte da nossa realidade, e chegaram para beneficiar a cadeia logística de diversos setores.

Valesca Elisa Michelon
*Advogada. Pós Graduada em Direito Aeronáutico.
v.michelon@outlook.com

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