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A importância do legado na era da transformação digital

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Por Paulo Henrique Ferro*

É fato que as tecnologias emergentes estão contribuindo e influenciando diretamente as formas de consumo e o comportamento das pessoas.

Os movimentos sociais, as novas tendências, os estilos de vida e as experiências de consumo, ocupam novos espaços e trazem outra roupagem para os hábitos cotidianos. É a era da Quarta Revolução, do compartilhamento e da diversidade.

Os questionamentos sobre a pauta são vários, pois as transformações têm impacto direto no campo do trabalho, no uso dos recursos do planeta, nas formas de comunicação e interação das pessoas, no aprendizado, nas relações governo e organização, nas empresas globais e nos arranjos da economia.

Não podemos negar que a transformação digital tem atuado na solução de diversas causas e nas dores do mundo moderno. Porém, o desafio maior tem sido a falta de preparo do ser humano para lidar com a velocidade da tecnologia. É muito comum ver a disrupção atropelando aspectos morais e éticos, sem refletir sobre as consequências. Em virtude disso, a nossa responsabilidade diante da transformação digital vem aumentando exponencialmente. Isso converge para o assunto que irei explorar ao longo do texto: o legado. Acredito que ele nos traz uma dose de segurança para agir diante dos movimentos disruptivos.

O legado tem a força de enquadrar essas ações na perspectiva de um processo que está além daquilo que enxergamos. Ele é a parte intangível da obra do ser humano. É o complemento da experiência e da vivência; e não do aprendizado. O legado deve ser nossa grande obra, o resumo do que fazemos para o outro e para o mundo.

Desde a revolução industrial, nos ensinaram que a competição é a máquina do crescimento. Do crescimento material e não do crescimento como ser humano, acredito. O desenvolvimento humano supõe a existência e a potencialização da relação construtiva com o outro. Da compreensão das necessidades de cada um.

Assim nasce a colaboração.

Na prática, os desenhos organizacionais são definidos para criar uma empresa dirigida pela competição ou pela cooperação. Enquanto as organizações verticais são mais tendentes a competição, as estruturas horizontais abrem espaço para a colaboração, facilitado a contribuição.

Quando entramos no nível das relações e da intervenção do ser humano na empresa, compreendemos os espectros mais sutis que a circundam. É neste estágio que os sinais do legado se tornam evidentes e que o CEO deve atuar para criar algo novo. Por outro lado, no nível da Identidade da empresa, o legado se mostra por inteiro, por meio dos ritos e dos valores, impactando fortemente a organização.

Explorar a prática da mentoria nessa dimensão enriquece as discussões sobre o papel e a contribuição do executivo para o legado. A organização traz pistas para que ele se posicione no entendimento de sua atuação.

Para tanto, a existência de um legado supõe a aceitação de que você o recebeu e agrega sua contribuição para as próximas gerações. O legado, por sua vez, não deixa de existir. Ele passa por reparos ou uma simples ressignificação, mas ele se perpetua!

Paulo Henrique Ferro
*Mentor, Coach, Mediador Organizacional e Consultor em DO no CEOlab.
paulo.ferro@ceolab.net

Afinal, você é ou não inteligente?

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Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini* 

Ao final de minha adolescência tive a oportunidade de fazer um teste de QI – Quociente de Inteligência. Um teste de QI, vocês sabem, é um teste padronizado, que mede habilidades cognitivas de uma pessoa em relação a um padrão relacionado inclusive à faixa etária. Bem, como o resultado do meu teste foi muito bom, eu assumi minha inteligência superior como definitiva, sem pensar que mudanças de todas as naturezas poderiam alterar esse padrão.

No entanto, quando eu via algumas pessoas lidarem com tanta facilidade com coisas que para mim eram um mistério difícil de decifrar, dúvidas cruéis me assombravam e me faziam duvidar da acuracidade do teste. Brincadeiras à parte, imagino que eu não seja a única pessoa com dúvidas sobre a própria inteligência, portanto decidi compartilhar um pouco do que aprendi para me proteger do abalo na autoestima.

Howard Gardner é um professor de Cognição e Educação da Harvard School of Education, professor adjunto de Psicologia na Harvard University e Senior Director do Project Zero (esse projeto é demais!!!). Para quem não sabe, a Harvard School of Education é uma das top escolas de educação dos Estados Unidos.

Pois bem, o professor Gardner lançou uma teoria em que afirmou de início existirem 7 tipos de inteligência. Depois acrescentou mais uma e mais recentemente, uma outra surgiu. Na verdade, ele ainda não está inteiramente convencido sobre essa última pois ela não atende a todos os critérios que ele estabeleceu para definir as outras.

Quer saber quais são? Vou contar. Não sigo nenhuma ordem, pois não tem melhor ou pior ou qualquer outra classificação.

Inteligência musical – aquela que facilita à pessoa o discernimento de sons, tons, ritmos e timbre. Sabe aquele sujeito que aprende todas as músicas ouvindo uma ou duas vezes? É esse.

Inteligência lógico-matemática – facilita a quantificação das coisas, capacita a propor e provar hipóteses. Essa é forte naquele que sabe todos os números de telefone de cor, faz contas mentalmente, etc.

Inteligência interpessoal – permite que a pessoa compreenda os sentimentos dos outros, perceba nas entrelinhas o que o outro está pensando, sinta quando as coisas não vão bem com o amigo.

Inteligência corporal-cinestésica – é aquela que proporciona ao indivíduo a capacidade de coordenar mente e corpo, utilizando-os, controlando-os e manipulando-os com precisão para atingir metas e objetivos. É aquela de atores, malabaristas, bailarinos, cirurgiões e atletas.

Inteligência linguística – é a habilidade em lidar com todos os aspectos da linguagem e por meio dela da comunicação humana. É aquele sujeito que sempre encontra a palavra certa para expressar um significado, comunica bem, tanto falando como escrevendo e é eficaz na conexão e transmissão de ideias.

Inteligência intrapessoal – capacidade que o sujeito tem de identificar emoções, habilidades e sentimentos, assim como pontos fortes e fraquezas, compreendendo-os e controlando-os de maneira adequada.

Inteligência visual-espacial – dá à pessoa facilidade de discriminar cores, formas, texturas, dimensões e relações espaciais. As pessoas com esse tipo de inteligência forte conseguem recriar as suas experiências visuais sob diferentes formas, incluindo vários tipos de arte, pensam, lembram com facilidade e aprendem com imagens visuais.

A oitava inteligência assumida por Gardner depois de um tempo é a inteligência naturalista, ou seja, a habilidade daquela pessoa que entende melhor os seres vivos, lê a natureza, é capaz de distinguir com facilidade animais, plantas, rochas e tudo o que está na natureza.

Por último, a nona inteligência, que não atende a todos os critérios de Gardner, mas não posso deixar de citar é a existencial/moral, ou seja aquela que capacita as pessoas a ter consciência de sua posição no universo, seus limites e sua relação com as grandezas desse universo. É aquela pessoa capaz de estudar e entender porque vivemos e porque morremos.

O mais importante disso tudo, porém, é que você pode ser muito inteligente num aspecto e pouco no outro. E, mais do que isso, existe uma mídia adequada para seu aprendizado, de acordo com seu tipo de inteligência. Portanto, quando você tiver dificuldade para aprender algo, lembre-se que talvez seu tipo de inteligência exige formas diferentes de aprender e que você é capaz de saber o que quiser se for adequadamente ensinado.

Ah, existem diversos testes de QI por aí, faça tantos quantos quiser, mas tenha sempre em mente que eles não são totalmente verdadeiros para você. Afinal, para que sirvam para um grande número de pessoas, eles devem ter uma certa generalidade e você é único!

Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini
*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@executivasechiques.com

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