Arquivos da categoria: Mercado

Análise do Mini Crash

photo-by-g-crescoli-cc0

Por Danilo Cury

Os mercados globais, após um desempenho forte desde o início de 2018 (S&P atingindo ganhos de +7.44% no dia 26.01.2018), estão agora cedendo ao avanço do início do ano.

A queda tem sido rápida e está ocorrendo em um contexto geral de boas notícias econômicas e corporativas. Nesses momentos é de extrema importância manter os acontecimentos em perspectiva e tomar uma certa distância.

Esta é a primeira correção relevante após 15 meses consecutivos de performance positiva no S&P. Tradicionalmente, o S&P deveria ter uma correção entre 5% -10% por ano, mesmo em mercados de alta.

É provável que o mercado esteja processando e se adaptando a dois elementos:
1. por uma parte, está digerindo o avanço e a expansão de múltiplos e
2. por outro lado, está em um ponto do ciclo onde poderia haver pressões inflacionárias.

O mercado tem que se adaptar a essa nova eventual realidade e consequentemente taxas de juros mais altas. Durante esse processo de adaptação o mercado passa pela correção.

Em relação aos níveis dos mercados, poderemos ver 2,525 a 2,535 no S&P, o qual nos levaria aos níveis de Setembro/Outubro de 2017.

Os acontecimentos atuais parecem bastante similares aos eventos do verão de 2006, onde o S&P teve uma queda de -8.25% antes da recuperação de +28% levando o índice ao topo em 2007. A baixa também ocorreu em um contexto onde havia receio de uma aceleração da inflação.

Em conclusão, sugiro manter as carteiras investidas e para aqueles que buscam uma maior exposição em renda variável, aproveitar esses momentos para investir.

Danilo Cury
*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br

Esta é uma análise de tendências gerais do mercado. Todo investimento envolve riscos.
Esse artigo reflete a opinião do autor e não a do CEOlab.
Cada investimento deve ser analisado de acordo com o perfil da pessoa. Portanto, antes de fazer qualquer mudança no seu portfólio sugerimos consultar um Analista de Investimentos.

O fim da indústria (parte 2)

photo-by-clever-sparkle-cc0

Por Maurício Del Buono Ramos* e Vinicius Melleu Cione*

O fim da indústria (parte 2)
(Leia também a primeira parte deste artigo)

Em virtude de diferentes escolas e linhas de pensamento econômico, como o liberalismo ortodoxo, liberalismo heterodoxo, neoliberalismo, estruturalismo e o desenvolvimentismo, por exemplo, há certa dificuldade em compreender o conjunto de ideias que englobam cada uma. Assim, futuros artigos serão voltados ao esclarecimento de conceitos econômicos e políticos úteis ao empresário quando entendido e aplicado de maneira correta. Apesar de tantas formas de se pensar a economia, há um consenso geral: a lógica do capitalismo é a lógica da competição.

A competição quando não regulada de maneira saudável leva, de forma inevitável, à lei do mais forte; o vencedor, ou o monopólio explora e tira vantagem dos mais fracos. O que vale para a indústria – a constante busca pelo seu fortalecimento, ou no caso do Brasil, evitar seu enfraquecimento – também vale para os países e seus mercados internos.

A lógica da dominação dos países ricos é clara; suas empresas se interessam em obter lucros em países com uma economia mais fraca, ou em desenvolvimento. Esse lucro pode ser realizado ao exportar bens de maior valor adicionado per capta do que os que importam, isto é, bens manufaturados, provenientes da indústria de transformação. Também o pode através de financiamentos os quais sobreapreciam a taxa de câmbio aumentando o consumo ao invés de aumentar o investimento. Parte da inconsequência econômica e política do Brasil são vibrar com um câmbio sobrevalorizado que serve exclusivamente para adquirir bens de consumo supérfluos e desprezar as consequências em longo prazo; a desindustrialização e a reprimarização da economia, isto é, acabar com a indústria de transformação e reduzir o país a um estágio atrasado de exportador de matérias primas.

Interessa aos países desenvolvidos a abertura comercial e financeira de países subdesenvolvidos, a fim de ocupar seus mercados internos com multinacionais sem que tenham que oferecer, em troca, seus próprios mercados internos. A reciprocidade em trocar mercados internos é vista em acordos econômicos entre países já industrializados e competitivos. Também não se pode esquecer que nenhum país rico conquistou sua revolução industrial com uma abertura econômica que exigem de países pobres.

Dentro de este quadro de interesses entre nações, as teses econômicas que visam proteger as indústrias de países em desenvolvimento são descartadas e rejeitadas por economistas de países ricos, com exceção de países asiáticos, especialmente a China. Futuramente dedicarei um artigo exclusivo a respeito do protecionismo chinês o qual possibilitou seu processo de industrialização e crescimento acelerado. A educação desenvolvimentista é importante no sentido da necessidade de reverter o quadro atual de desindustrialização precoce no Brasil. As grandes mentes econômicas acabam realizando sua educação no exterior, através de MBAs, mestrados e doutorados e voltam ao Brasil exercendo uma política econômica contrária aos interesses nacionais.

As avaliações acadêmicas oferecem maior pontuação aos pesquisadores que conseguem publicar em revistas estrangeiras em detrimento das nacionais. Ao fazerem isso, incentivamos que economistas brasileiros orientem seu pensamento conforme países ricos para conseguir publicar artigos em suas revistas.

Uma última consequência por parte dos industriais brasileiros em adotar uma ideologia econômica de países desenvolvidos é acreditarem na tese de que o problema da economia brasileira – do país todo, aliás – está na má administração das instituições do estado, na má fé e incompetência de servidores e políticos e não nas políticas econômicas equivocadas, na dependência intelectual e no populismo econômico.

Este artigo é parte de uma série de posts sobre o tema da desindustrialização no Brasil.
(Leia também a primeira parte aqui).

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

Vinicius Melleu Cione
*Formado em Relações Internacionais e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
vinicius@parthenoncp.com.br

O fim da indústria (parte 1)

Jayphen-Simpson-cc0-700
Por Maurício Del Buono Ramos* e Vinicius Melleu Cione*

O fim da indústria
(parte 1 – artigo dividido em 2 partes)

O liberalismo ortodoxo domina há algumas décadas o pensamento econômico brasileiro. É, sem dúvida, uma das principais causas da desindustrialização visto que nos leva a crer necessário competir com outros países em desenvolvimento para receber investimentos diretos de estrangeiros e aceitar uma política de crescimento com poupança externa.

Ao abrir os mercados para as empresas multinacionais, algo iniciado na década de 50 com a entrada de montadoras de carros, os países em desenvolvimento fazem todo tipo de concessão sem nenhuma contrapartida. O investimento dessas empresas não interessa a indústria nacional, uma vez que a entrada de capital sobreaparecia o câmbio e promove a substituição da poupança interna pela externa. A tecnologia dessas multinacionais nos interessa, entretanto, esta permanece em seu país de origem e mesmo quando é introduzida no Brasil já é uma tecnologia ultrapassada.

Ao aceitar essas políticas, a indústria nacional cria condições para a sua dominação. Uma vez adquirido créditos externos (o alto endividamento é uma característica de países em desenvolvimento), o país necessita fazer de tudo para manter sua credibilidade e confiança internacionalmente. Para isso, o país se submete a adotar recomendações e pressão de grupos econômicos de países desenvolvidos como o Banco Mundial e o FMI. Não é de se espantar que tais recomendações sejam contra a teoria econômica – historicamente os países desenvolvidos fazem recomendações econômicas que nunca foram aplicadas durante seu processo de industrialização – e o interesse nacional.

As agências classificadoras de risco são empresas que avaliam ativos e classificam empresas e governos de acordo com o risco de que não paguem suas dívidas. As agências mais conhecidas são Standard & Poor´s, Lehman Brothers e Moodys´s. Baseado na explicação da subordinação do Brasil as economias desenvolvidas não é de se espantar também a subordinação da nossa economia às avaliações dessas agências classificadoras. Ao contrário do que muitos economistas pensam as agências de risco não falharam em avaliar a crise imobiliária de 2008, ao contrário, ao negar a bolha estavam apenas representando os interesses especulativos de seus clientes. Como foram, em parte, responsáveis pela recente crise na maior economia do mundo, não podemos ser ingênuos em achar que essas agências – através de seus clientes – respeitam o industrial brasileiro.

Em política externa, o Brasil encaminhava para uma posição de liderança internacional junto aos países membros dos BRICS ao constituírem uma contraposição ao monopólio do crédito internacional exercido pelo Banco Mundial e o FMI. A política catastrófica exercida pelo novo chanceler brasileiro indica um abandono dessa posição soberana para o regresso a uma subordinação dos interesses dos países desenvolvidos. Agora, depois de muitos anos o FMI voltou a se reunir com o executivo e emitir “sugestões” para as políticas econômicas do Brasil.

O sucateamento da indústria nacional, a substituição de produtos nacionais por importados e o crescimento da dívida pública só podem ser combatidos pelo fortalecimento do empresariado nacional. A compreensão da conjuntura baseada em fatos concretos, até o presente momento, ainda indica uma possibilidade de reversão deste cenário.

(Leia também a segunda parte deste artigo)

Maurício Del Buono Ramos
*Formado em Sociologia e Política e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
mauricio@parthenoncp.com.br

Vinicius Melleu Cione
*Formado em Relações Internacionais e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
vinicius@parthenoncp.com.br

Indicadores econômicos e a razão de investigá-los – Confiança da indústria brasileira

ceolab-indicadores-economicos-700

Foto: Rafael Matsunaga / Creative Commons 2.0

por Cristiane Mancini*

Em tomada de decisões individuais, geralmente retemos a nossa atenção em quanto poupamos, ou em quanto estamos dispostos a gastar e esses valores nada mais são do que indicadores desta “disposição a investir”. Em uma empresa independentemente de seu porte, esta atenção não é e nem deve ser diferente. É necessário investigar o comportamento dos indicadores econômicos. Neste artigo, apresento a Confiança da Indústria brasileira.

Em meio à crise em diferentes âmbitos: econômica, política e moral, de um quadro econômico e político ainda conturbado e de deteriorização das contas públicas, o Índice de Confiança da indústria brasileira (ICI) subiu.

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a prévia de junho deste índice subiu 3,9 pontos sobre o resultado de maio, para 83,1 pontos, significando o maior nível desde fevereiro de 2015 (84,9 pontos). O índice denota uma melhora na confiança da indústria brasileira. Possivelmente para os empresários, apesar da situação econômica ainda bastante crítica, a indústria não tem se relevado com perspectivas demasiadamente negativas como apresentava no início do ano.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) é um termômetro de como os empresários, no caso, industriais, percebem a indústria. Através deste indicador é possível ter uma compreensão mediana do setor como um todo e em conjunto com outros indicadores, pode auxiliar em projeções e elaboração de estratégias.

Cristiane Mancini
*Economista/Economist
cristiane_mancini@yahoo.com.br

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...