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Quem é e o que faz o Community Manager

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Por Alex Anunciato*

Community Manager (Gerente de Comunidade) é o profissional que define e executa estratégias de conteúdo nos canais digitais, monitora interações dos membros da comunidade e atua de acordo com o tom de voz de uma marca. Além disso, investiga a movimentação de concorrentes e faz uma constante análise de resultados obtidos a cada período.

A gestão das experiências dos usuários e consumidores nos meios digitais é cada vez mais importante para as marcas e é através das comunidades online que muitas pessoas expressam seus desejos, necessidades, críticas, dúvidas, interesses e todo tipo de opiniões sobre os mais diversos produtos, serviços e assuntos.

O Community Manager (às vezes também chamado de Gestor de Comunidades) é o profissional que tem seu discurso e ações totalmente alinhados com a linguagem e a estratégia da marca e, com base nessas diretrizes, faz a ponte entre a empresa/marca e seus clientes/usuários nos ambientes online.

Este profissional pode responder pelas interações com a marca em todos os pontos de contato com seu público (nos diversos perfis em mídias sociais, por exemplo) ou realizar esse trabalho somente em uma plataforma (como em fanpages e grupos do Facebook) ou pode, ainda, estar focado na gestão de um website específico criado única e exclusivamente para os interesses da própria comunidade e que permita participações e interações de seus membros. Tudo depende dos objetivos, valores de investimento e estratégias do negócio.

O trabalho de gestão de comunidades pode, dentre outras coisas:

  • gerar, a todo tempo, novos insights para as marcas
  • ser totalmente voltado para uma causa específica
  • inspirar o surgimento de novas ideias, produtos, serviços e soluções
  • mudar características de produtos ou soluções que já estão no mercado
  • descobrir novos nichos de mercado
  • monitorar pontos fortes e pontos fracos de concorrentes
  • possibilitar um entendimento mais profundo e honesto das reais necessidades das pessoas e da sua relação com determinados produtos e serviços

Estes são apenas alguns exemplos. Tudo isso e muito mais pode ser obtido com base na análise das interações e dos interesses dos membros da comunidade e ninguém melhor que o Community Manager para fazer isso porque, além de possuir visão estratégica e grande expertise em criação e gestão de conteúdos, esse profissional sabe fazer uso dos mais avançados recursos digitais.

O modelo de negócios tradicional da indústria da propaganda já se tornou coisa do passado. A maioria das pessoas assiste e acredita cada vez menos em anúncios publicitários. Atualmente, antes de comprar qualquer produto, muitas pessoas buscam saber qual é a experiência real de seus pares: os demais membros de confiança da sua comunidade.

Neste cenário, o Community Manager é um profissional-chave. É ele quem gerencia as expectativas dos membros de uma comunidade, busca agregar valor à vida dos participantes e atua para tornar as marcas mais lembradas e em sintonia com seus públicos. O Community Manager é o guardião das marcas nos ambientes digitais.

Alex Anunciato
*Consultor de Marketing e Comunicação Digital
anunciato@gmail.com

Os olhos voltados à Turquia: atentados e o comércio bilateral com o Brasil

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Por Cristiane Mancini*

A Turquia tem sofrido alguns atentados desde julho de 2015, incluindo ataques suicidas em áreas turísticas de Istambul atribuídos ao Estado Islâmico, e carros-bomba na capital, Ancara. No entanto, esta semana, o atentado inesperado e audacioso no aeroporto de Ataturk em Istambul acendeu um sinal de alerta no país e em todo o mundo. Audacioso por se tratar de um local que dificilmente acredita-se ser alvo de um atentado, por ser 3º maior aeroporto da Europa e o 11º do mundo em fluxo de pessoas (60 milhões de passageiros em 2015).

Apesar das variáveis que impossibilitam este ocorrido, a Turquia está inserida em um conflito em duas frentes: dentro do país e na fronteira com a Síria. Consequentemente, a instabilidade afeta sua economia e o comércio com os países em que mantém relações.

No que se refere ao turismo, este setor é responsável por 9% do PIB (Produto Interno Bruto) turco, que indubitavelmente será impactado por esta onda de ataques em que reduz o número de voos para o país, à adesão aos passeios turísticos e a movimentação e comércio em bairros turísticos como Sultanahmet (alvo em janeiro de 2016).

No entanto, apesar de ser caracterizado como um país bastante seguro, a Turquia sempre foi um marco de estabilidade entre a Europa e o Oriente Médio. O país faz fronteira com países como Síria, Irã, Azerbaijão, Georgea, Armênia, áreas instáveis cada qual com sua particularidade. É rota comercial, turística, de negócios entre a Europa, Ásia e Oriente Médio e se tratando de Istambul, o local preserva características de ambos os “mundos”- Ocidental e Oriental.

Sua atual conjuntura reflete seu passado, no entanto, sua problemática é recente também. Vive um período de alta tensão, lutando contra militantes curdos no leste e evitando conflitos na fronteira com a Síria (a Turquia faz parte da coalizão liderada pelos Estados Unidos). Tratando os militantes curdos como ameaça principal, os turcos se tornaram alvo do Estado Islâmico (EI). Neste quadro, os ataques eram presenciados apenas em áreas curdas do leste e sudeste do país – onde já era bastante conhecido por todos e a violência se dava basicamente em escritórios de partidos políticos.

Assim, os curdos eram vistos como terroristas pelo governo e por muitos países do Ocidente, até que o cessar fogo em julho de 2015 mudou essa percepção, pois um ataque bomba matou inúmeros jovens curdos e ativistas de esquerda, denotando que a ameaça talvez não fosse a antiga conhecida, mas sim os extremistas do EI (Estado Islâmico) ou Daesh (outro nome dado).

Além desta questão, a Turquia passa pela desaprovação do governo atual pela maioria de sua população e disputa entre partidos políticos, o que gera maior instabilidade e desacordo interno bem como, um número bastante elevado de refugiados que entram em seu país, por aprovação da Turquia, mas que não se sabe ao certo o propósito real de cada indivíduo ao passar pela fronteira (no momento, novos refugiados estão proibidos de entrar no país).

Relações internacionais
De acordo com algumas linhas de pensamento, os ataques revelam as conflituosas e dúbias relações da Turquia com alguns países fronteiriços e com o próprio Estado Islâmico. Nesse contexto se insere também o enfrentamento constante do governo turco com os curdos, que reivindicam um Estado próprio. Além disso, por conta desta questão dúbia, parceiros comerciais da Turquia como os Estados Unidos ficam indecisos quanto ao posicionamento da Turquia sobre algumas questões. Dentre elas: a dúbia relação com o Estado Islâmico; o enfrentamento com os curdos; a oposição ao governo sírio e os objetivos divergentes em relação à Rússia no que se refere à geopolítica da região.

Comércio Bilateral Brasil-Turquia
Por conta de sua história, de algumas condutas presidenciais e organização partidária, a Turquia e o Brasil se parecem demasiadamente, o que poderia ser uma oportunidade de estabelecer acordos comerciais, porém o comércio entre os países se mantém ainda tímido, mas em crescimento.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o comércio bilateral entre Brasil e Turquia quadruplicou em dez anos, passando de US$ 530 milhões em 2004 para US$ 2,102 bilhões em 2013. O Brasil representa apenas 0,9% das exportações totais da Turquia (maior volume de exportações são para a Europa) e se posicionou, em 2013, em 33º no ranking entre os fornecedores do mercado turco com 0,6% do total. A Turquia foi, em 2013, o 41º parceiro comercial brasileiro, com participação de 0,44% no comércio exterior brasileiro.

Dentre os produtos básicos líderes na pauta de exportação brasileira à Turquia, estão a soja, o café e o minério de ferro. Produtos semimanufaturados e manufaturados também são vendidos ao país euroasiático, como parte de motores, fumo, tubos de aço.

No que se refere ao mercado internacional, a Turquia revela inúmeras oportunidades para as empresas brasileiras. A Turquia possui um acordo de preferência comercial com a União Europeia (UE) desde 2004 (mas ainda almeja sua entrada na União Europeia), possivelmente podendo se tornar um facilitador entre o Brasil e o mercado europeu. Para a própria Turquia, uma forma de o Brasil adicionar maior valor agregado às suas exportações ao país é investir na manufatura de alimentos ou exportar sua tecnologia em desenvolvimento agrícola ou ainda, o setor militar, já que a Turquia é um grande demandante desses produtos. Já a maior parte dos produtos comprados pelo Brasil da Turquia são manufaturados, como barras de ferros, partes de veículos, alumínio, maquinário, ferro fundido, pérolas, etc. O acordo nuclear assinado pelo Irã, proposto pelo Brasil e pela Turquia em 2010, também é outro exemplo de aproximação diplomática entre ambos os países.

O Brasil e a Turquia possuem grande potencial de aproximação, já que são países com influências políticas regionais e desta aproximação pode render um aumento no volume de negócios.

Política Externa Turca
Desde o estabelecimento da República, a Turquia, diferentemente do que se é conhecido, segue uma política externa pacífica, realista e consistente, baseada na “Paz em Casa, Paz no Mundo” de Mustafa Kemal Atatürk – fundador da República. O objetivo do país é a cooperação internacional, na resolução pacífica de conflitos, relações amigáveis e compatíveis com todos os países, e de contribuição em nível regional e internacional. Esses princípios formam os elementos centrais da política externa turca até os dias atuais. Com o aumento substancial do número de operações multinacionais com o objetivo de apoiar manter a paz, a participação da Turquia em tais operações também aumentou proporcionalmente.

A Turquia é um país de oportunidades empresariais, educacionais e de negócios, não muito exploradas. Assim como para uma empresa, para um país, muitas vezes o desconhecido gera insegurança, mas por muitas vezes não significa insucesso, muito pelo contrário.
Lamentavelmente, observamos os atuais ocorridos no país, que se espera a resolução o mais breve possível, mas estes não descaracterizam o seu potencial.

Cristiane Mancini
*Economista/Economist
cristiane_mancini@yahoo.com.br

Como e porque criar um projeto editorial

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Por Alex Anunciato*

Um projeto editorial é um documento que apresenta as orientações do seu produto editorial, que pode ser um jornal, site, blog, revista, canal no YouTube ou o que a sua imaginação mandar. Esse documento descreve qual será o tom de voz utilizado, quais editorias e temas você pretende destacar e todas as demais informações sobre o que irá escrever e como. Serve tanto para um projeto individual quanto para um projeto coletivo, no caso de uma revista com diversos colaboradores.

Existem muitas vantagens de planejar e desenvolver com carinho o seu projeto editorial. Dentre as quais, destaco:

  • Maior clareza e foco da linha editorial (o que fortalece seu projeto, possibilidades de parcerias, negócios etc.);
  • Facilidade de trabalhar em equipe (uma vez que toda linha editorial já foi planejada e está tudo documentado);
  • Fidelidade do seu público-alvo (que, a partir da sua coerência e relevância, se torna um seguidor fiel das suas publicações).

Estes são alguns dos elementos que podem ser adotados na definição de um projeto editorial:

Nome da publicação
“Revista Biotech” (exemplo fictício).

Objetivo
Defina a missão da sua publicação:
“O objetivo é fazer uma abordagem didática e informativa sobre avanços, inovações e desafios relacionados a biotecnologia, bioética e biohacking.”

Público-alvo
Quanto mais claro for quem é seu leitor mais bem dirigida será a publicação:
“A publicação é direcionada ao público empreendedor e universitário paulista, de todos os gêneros, na faixa etária entre 18 e 30 anos.”

É claro que você pode escolher falar com pessoas de todo o Brasil e até de todo o mundo. Vale lembrar que quanto mais você fecha o seu foco, dentro de um nicho específico, mais forte fica nesse segmento e isso aumenta a empatia com o seu público, aumenta suas possibilidades de parcerias etc.

Política editorial
Como pretende alcançar seus objetivos:
A “Revista Biotech” visa a tornar temas como biotecnologia, biohacking e bioética mais atraentes para o público universitário e jovens empreendedores. A abordagem se dará pela ótica da geração de negócios e inovações. Seus conteúdos serão objetivos e, sempre que possível, apresentados com relatos de caso reais.

Tom de voz
Defina a Persona: se sua publicação fosse uma pessoa, como ela seria?
(Curiosa? Amável? Fria? Descontraída? Essencialmente técnica?).
Defina a Linguagem: simples, informal e divertida ou mais complexa, formal e séria?
Sua voz reflete seu objetivo inicial? (Nesse caso: ensinar e informar).

Editorias ou Seções
Defina as principais seções da sua publicação. Sobre quais temas pretende falar com mais frequência?
Seguindo o exemplo, uma revista (site ou blog) poderia ter as seguintes seções: Genética, Biotecnologia, Bioética, Biohacking e ainda uma área de Entrevistas ou um Tutorial.

Periodicidade
Qual será sua frequência de publicação?
Pode ser mensal, bimestral (com artigos extensos e bem elaborados) ou pode ter vários posts diários com rápidas notas sobre o que acontece de mais relevante nesse universo.

Além disso, você deve dedicar uma atenção especial às mídias sociais, que possuem picos de audiência em determinados dias e horários. Publicando na hora certa você tem mais chances de impactar pessoas e tornar seu conteúdo conhecido.

Canais de publicação
Em quais plataformas sua publicação se fará presente?
Será uma publicação impressa? Terá um site e blog?
Presença em redes sociais? Em quais redes sociais? Com que frequência?
Será possível acessar com facilidade seus conteúdos pelo celular?
Você usará as novas mídias apenas para replicar conteúdos da mídia original ou irá trabalhar de forma integrada e complementar?

Para fazer um melhor uso dos meios digitais, lembre-se que nesses canais tudo pode ser medido e melhorado continuamente. Ferramentas de análise de tráfego (como Google Analytics e Facebook Insights, dentre outras) podem lhe dizer quais dias e horários de publicação estão trazendo mais ou menos resultados para o seu projeto. Faça suas experiências.
Concluindo, todas as escolhas realizadas estão alinhadas o objetivo da sua publicação e as características do seu público-alvo? Lembre-se que o objetivo do seu projeto editorial é estabelecer identidade.

Quando você planeja e define com antecedência todos esses aspectos, cria uma uniformidade no projeto editorial e isso reflete mais profissionalismo e consistência em todos os seus conteúdos.

*Consultor de Marketing e Comunicação Digital
anunciato@gmail.com