Geração eólica no mundo e no Brasil e a competitividade industrial

Por Cristiane Mancini*

O Brasil tem se destacado na geração eólica. De acordo com o Ministério e Minas e Energia (MME), alcançou a 8º posição no ranking mundial de geração eólica em 2015 e registrou o 1º lugar no ranking mundial em fator de capacidade de geração (38%) e manteve a 4ª posição no ranking mundial de potência instalada. Esse resultado é o reflexo de avanços tecnológicos em materiais, no porte das instalações e melhores sítios, que em conjunto, propiciam melhor aproveitamento dos ventos. São 16,6 GW de potência eólica contratada, dos quais, 9,3 GW em operação; 3,4 GW em construção e 3,9 GW a construir.
No mundo, a Dinamarca apresenta a maior fatia de geração de energia através dos ventos, com 44,6%. Em seguida, a Irlanda (24,8%), Portugal (21,7%) e Espanha (18,2%).
(colocar gráfico pizza)

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Emergentes puxam investimento global
De acordo com a Unep (Programa das Nações Unidas para o Ambiente, em inglês), liderado pelos países emergentes, o setor de energia limpa recebeu mais do que o dobro de investimentos do que outros tipos de geração no ano passado.
Além da agenda pública e compromisso internacional à produção de energia mais limpa, a redução no custo de implantação tem incentivado o crescimento pela procura de energia limpa. Estudo elaborado pela mesma entidade mostra que houve queda no custo dos painéis solares de cerca de 80% e de até 40% nas turbinas eólicas.
De acordo com um estudo de fatores como necessidade de geração de energia, políticas favoráveis, financiamento, infraestrutura e recursos naturais disponíveis, revela que o potencial de atração de investidores por país. Em primeiro lugar, os Estados Unidos, em 2º a China; em 3º, a Índia, em 4º, o Chile, em 5º, a Alemanha e em 6º lugar, o Brasil; em 7º, o México; em 8º, a França; em 9º, o Canadá e em 10º, a Austrália.

Primeiro semestre de 2016
De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a produção de energia eólica no Brasil cresceu 55% nos primeiros seis meses do ano. Com 2.860 MW médios, o desempenho das usinas em operação no Sistema Interligado Nacional (SIN) foi 1.018 MW médios a mais que o registrado no mesmo período de 2015 (1.842 MW médios). No final do primeiro semestre do ano, os 366 empreendimentos eólicos em operação no SIN atingiram 9.330 MW em capacidade instalada (+50% sobre junho do ano passado).
Regionalmente, os números do primeiro semestre apontam a liderança do Rio Grande do Norte que permanece como principal produtor de energia eólica e com maior capacidade instalada de usinas desta fonte no país. Em seguida, o estado da Bahia na 2ª colocação com 599 MW médios (+47,5%), seguido pelo Rio Grande do Sul, que alcançou 479 MW médios (+66,6%), e o Ceará com 456 MW médios (+25,7%) produzidos no primeiro semestre.

Rio Grande do Norte ultrapassa marca de 1.500 turbinas eólicas em operação
De acordo com o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), o Rio Grande do Norte ultrapassou a marca de 1.500 turbinas eólicas em operação comercial. O recorde foi alcançando com a entrada em operação comercial do parque eólico Macambira II. O empreendimento é composto por 9 aerogeradores de 2 MW, somando um total de 18 MW em potência instalada, reforçando o papel do estado como principal produtor de energia eólica do país. A usina Macambira II, de propriedade da empresa espanhola Gestamp, encontra-se instalada no município de Lagoa Nova, na região da Serra de Santana. Com a entrada em operação comercial do parque, o estado atinge o total de 1508 turbinas em funcionamento. Para ilustrar, o estado sozinho possui mais de três vezes a potência eólica instalada de todos os outros 8 países da América do Sul e acima do Japão e Nova Zelândia, além de países europeus como Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Republica Checa, Finlândia, Grécia, Hungria, Noruega, Suíça e Ucrânia.

Ceará – rumo ao pioneirismo
Segundo dados da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), pioneiro em energia eólica no país, o Ceará está investindo para atingir a lideraça nacional. Quarto colocado no ranking nacional, o Ceará tem capacidade instalada de 1,6 GW. Segundo o governo do estado, 39% da energia elétrica consumida é proveniente dos ventos – acima dos 6,25% do país e até da média do Nordeste, de 30%. Atualmente, o estado conta com 59 parques eólicos e pretende atingir 102 até 2019, gerando cerca de 17 mil empregos durante a fase de construção.

Crédito do BNB atrai projetos eólicos na Bahia
O Banco do Nordeste (BNB) já recebeu somente na Bahia cerca de 40 projetos de empresas em sociedades de propósito específico (SPE) em busca de recursos para a construção de sistemas eólicos e solares. O banco financia, além de empresas, projetos de pessoas físicas e de condomínios e associações, sejam na zona rural ou urbana. Para isto, foi criada uma linha de crédito específica para a micro e a minigeração distribuída de energia elétrica, usando recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.
No caso de projetos de grande porte nos setores de biomassa, energia eólica, energia solar fotovoltaica e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), as condições são: financiamento de até 60% do valor, com prazo de até 20 anos e carência de até 8 anos, com taxas de juros de 12,95% e bônus de adimplência 15%, podendo ser pago em até 12 anos, com até 1 ano de carência. Cerca de R$ 500 milhões devem ser direcionados para micro e minigeração, por meio deste programa.

Realidade empresarial
Além do compromisso internacional (entre países) na redução da emissão de gases poluentes, o comércio, as residências e como não, as indústrias, percebem a energia eólica como uma possibilidade de complementaridade de geração de energia, redução de resíduos na produção e principalmente corte de custos, principalmente quando se trata de setores eletrointensivos. Seguindo essa linha, a Honda Energy do Brasil, subsidiária da Honda Automóveis do Brasil, anunciou que, a partir de novembro deste ano, toda a demanda de energia elétrica do escritório da marca na capital paulista será suprida através da geração eólica. Desde novembro de 2014, o parque eólico da Honda, situado em Xangri-Lá (RS), fornece energia limpa e renovável para o complexo de Sumaré, interior de São Paulo, onde se localiza a sede administrativa da marca na América do Sul, o centro de pesquisa e desenvolvimento da Honda na região e a fábrica de automóveis, que opera, anualmente, em sua capacidade produtiva plena de 120 mil veículos ao ano. Em 2011, a matriz já havia estabelecido como meta a redução em 30% as emissões de CO2 de seus automóveis, motocicletas, produtos de força e também de seus processos produtivos em todas as suas unidades no mundo.
Como precursora no grupo e no setor automotivo nacional, a filial brasileira propôs a criação do parque eólico e já em 2015, reduziu mais de 50% das emissões.
A construção do Parque Eólico Honda Energy representa uma nova realidade e preocupação empresarial, de readequação e inovação da produção de energia em prol da redução do custo deste insumo, um dos principais drivers de competitividade na produção industrial nacional.

Cristiane Mancini
*Economista/Economist
cristiane_mancini@yahoo.com.br

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