A Mala do Futuro é uma Mala?

 A Roda surge no período Neolítico, a Idade da Pedra Polida, no 4º século antes de Cristo


Por Beia Carvalho

Aqui e ali, há mais de 5.000 anos surgiu a roda. Cinco mil anos!

A história da humanidade bem rapidinho

De lá pra cá muita coisa foi feita para usar uma, duas, quatro ou cinco rodas.

Mas é quase inacreditável pensar que até 50 anos atrás estávamos nos digladiando para carregar nossas (pesadas) malas. Eu sofri muito. Sou daquelas fracotes, sem força para pesos ou para abrir vidros de geleia. Aplaudi de pé a chegada das malas com rodinhas.


Comercial da Bluesmart sobre a Evolução das Malas: tem localizador, carregador de baterias USB, cadeado digital, balança integrada, alertas de distâncias, itinerários de viagem, status de viagem.

A inovação reverenciada por viajantes do mundo todo é de 1972! Pensa nisso: o homem foi pra lua antes de deslizar uma mala pelos corredores de um aeroporto!

E no ano seguinte, surgiu a cadeira de escritórios com rodinhas, de 1973.
Dizem que Charles Darwin, há mais de 150 anos, colocou rodinhas em sua
poltrona para ganhar mais mobilidade. Mas a “inovação” morreu com o gênio.

Meu amigo Edu Freire testando a Mala Patinete

Meu amigo Eduardo Freire, um peso pesado em todos os sentidos, postou outro dia sua estripulia de usar sua mala como patinete. A cena me fez pensar como conseguimos conviver com a inconveniência e o desconforto, que malas sem rodinhas nos impuseram por séculos.

Por que as malas não sofreram nenhuma inovação? Sim, mudamos um pouquinho aqui e ali,
basicamente experimentando materiais, de plástico duro ou tecidos leves de nylon a fibras de carbono.

 

Pouca inovação e muita maquiagem não foram privilégios das bagagens.
Ironicamente, é o cenário mais comum em um mundo desesperado por
inovação. Raro assistir a algo que infrinja uma ação diretamente no coração
de produtos e serviços.

E pensa que foi fácil convencer as empresas a comprarem e as pessoas a
usarem a maravilha de uma mala que rola? Não foi, não! Bernard D. Sadow
era então vice presidente de uma fábrica de malas, a US Luggage e colocou
a patente das rodinhas, em 1970.

A mala com rodinhas é uma inovação por combinações inovadoras. Este é
um dos 3 tipos de inovação, que discorro em minhas palestras. Como fazer
combinações inovadoras? Pra começar, diz o mestre Einstein, imaginar é
mais importante que conhecer. Tudo começa com um olhar que não tem
medo de imaginar. É disparar um novo olhar, um olhar fresco, um olhar de
olhos que querem enxergar.

Bernard, que convivia com malas em seu trabalho, um dia olha um
carregador empurrando uma máquina pesadíssima sem fazer esforço algum,
auxiliado por plano com rodinhas. Milhares de pessoas viram a mesma cena
muito antes daquele dia e naquele dia. A diferença é que Bernard olha, vê e
enxerga. ‘É disso que as malas precisam, disse a sua mulher.

Chega em casa, arranca os rodízios de um baú e os coloca numa mala bem
grande. Daí, amarra uma alça na frente da mala e puxa. Funcionou!.

Prototipar é uma fase da maior importância no processo de inovar –
ironicamente uma das mais negligenciadas. Nascia uma inovação, que iria se
massificar depois de muita ralação a partir da aceitação da poderosa loja de
departamentos Macy’s com o anúncio “A Mala que Patina”.

Em 1987, o piloto de aviação Robert Plath inventa a Rollaboard: 4 rodinhas,
alça retrátil deslizando de pé. E assim, a mala de 4 rodinhas enterra a super
inovação de Bernard Sadow, que demorou tanto tempo para acontecer e
reinou sozinha por apenas 15 anos.

Ao final do ano passado, palestrei sobre um novo tema Integrutopia, e
perguntava à plateia: “O que não vemos?”. Por que por tanto tempo não
vimos as rodinhas em cadeiras e malas? O que estamos deixando de ver
hoje?

É interessante notar que uma vez “destapada” a tampa da inovação ela
parece se mover com uma nova e turbinada força. De 1972 até hoje os
pequenos incrementos e inovações não cessaram. A Mala Patinete, a Mala
que vira cadeira, mesinha pro laptop, que não amassa sua roupa e a Mala
Inteligente: aquela que te segue.

Mas será qual o papel dos wearables nas bagagens de viagens? Vamos
teletransportar nossas coisinhas? Ou vamos carregar o que é realmente
pessoal em um casaco com 26 bolsos e alugar tudo o que precisamos no
local de chegada? Qual é o próximo passo?

Num mundo tecnológico e globalizado e preocupado com a pegada de carbono seria de se esperar que as pessoas não precisassem viajar tanto.

Não é o que acontece. O fenômeno da mobilidade mundial começou no início do século passado e parece ter um fôlego inesgotável.

Está aí um campo que vai precisar muito da sua imaginação. Afinal, que malas vamos levar na viagem espacial para Marte?

NOTAS:

Bernard D. Sadow comprou a empresa US Luggage. Morreu em 2011 aos 86 anos.
Charles Darwin (1809-1882), naturalista inglês que desenvolveu a teoria da evolução a partir da seleção natural em seu livro “A Origem das Espécies” de 1859.
Rolling Luggage: patente número 3.653.474, United States, 1970.
Veículos com rodas: https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda
Cadeira Synthesis 45 produzida pela Olivetti, em 1973, ergonômica, e
encosto com 2 articulações.
Aeron chair, 1992, desenhada por Don Chadwick e Bill Stumpf e produzida
por Herman Miller.
What came first? Wheeled luggage or a man on the moon?
https://betafactory.com/what-came- first-wheeled- luggage-or- a-man- on-the-
moon-20f8b22529a3
A mala Bluesmart tem localizador, carregador de baterias USB, cadeado
digital, balança integrada, alertas de distâncias, itinerários de viagem, status
de viagem etc.
Eduardo Freire é CEO e co-fundador da Framework: Consultoria e Projetos
de Educação e Inovação.
Reinventing the Suitcase by Adding the Wheel:
https://www.nytimes.com/2010/10/05/business/05road.html

Beia Carvalho
*Palestrante futurista

beia@5now.com.br

Aumenta o IOF nas remessas para contas de mesma titularidade no exterior

money

Por Amal Nasrallah*

Aumenta o IOF nas remessas para contas de mesma titularidade no exterior

O Presidente Michel Temer assinou um decreto no início do mês de março, aumentado a incidência de IOF nas operações de remessa de recursos de uma conta bancária no país para outra conta no exterior de mesma titularidade, de pessoas físicas e jurídicas, com as compras de moeda estrangeira em espécie.

Na nova redação do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, a alíquota da operação que era de 0,38% passou a ser de 1,10% que é a mesma alíquota aplicada nas nas operações de compra de moeda estrangeira.

Amal Nasrallah
*Advogada tributarista
anasrallah@uol.com.br

Receita Federal permutará informações bancárias com estados e municípios

Por Amal Nasrallah*

A Solução de Consulta Interna Cosit nº 17, de 26 de julho de 2007 entendia, que não havia permissão legal, para que a RFB transmitisse às Secretarias de Fazenda de Estado, Distrito Federal ou Município os dados obtidos junto às instituições financeiras.

Contudo, agora a Cosit alterou seu entendimento por meio da Solução de Consulta Interna nº 2 – Cosit de 26 de fevereiro de 2018.

A base da mudança do entendimento está calcada em várias normas, mas principalmente no art. 37, XXII da CF e no art. 199 e parágrafo único Código Tributário Nacional (CTN).

O artigo da CF citado estabelece que as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.

Por sua vez, o artigo 199 do CTN flexibiliza o dever de sigilo fiscal ao autorizar que as Administrações Tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios permutem entre si informações protegidas ou não por sigilo fiscal, desde que haja previsão em tratados, acordos ou convênio.

Note-se que os artigos 37, XXII da CF/88 e o artigo 199 do CTN não autoriza a troca de informações bancárias, mas informações fiscais.

Contudo, a Solução Interna enfrentou essa questão afirmando que “tão logo os dados das instituições financeiras sejam obtidos pela Receita Federal (transferência de dados sigilosos), tais dados passam a ser acobertados pelo sigilo fiscal, sendo, portanto, considerados dados fiscais, independentemente de sua utilização, pela RFB, em processos administrativos fiscais (como, por exemplo, na constituição de créditos tributários federais). E como tal, em princípio, já estariam aptos a serem compartilhados entre as administrações tributárias dos demais entes da federação, conforme preceitos legais supra expostos, e a depender do cumprimento de outros requisitos adiante analisados”.

Em vista disso e demais argumentos, a Solução Interna conclui que existe permissão legal para que a o fisco federal informe, sob determinadas condições, às Secretarias de Fazenda de Estado, Distrito Federal ou Município os dados obtidos junto às instituições financeiras, nos seguintes termos:

“O acesso às informações compartilhadas se dará:

a) única e exclusivamente pelos servidores concursados da carreira;

b) desde que haja e seja mantido controle de acesso aos dados, ficando sempre registrado o responsável por cada acesso e o momento de sua realização; e

A legislação do ente convenente deve prever sanções para o descumprimento das obrigações supracitadas, ao menos no seguinte sentido:

a) o servidor que utilizar ou viabilizar a utilização de qualquer informação obtida nos termos do convênio, em finalidade ou hipótese diversa da prevista nele, em lei, regulamento ou ato administrativo será responsabilizado administrativamente por descumprimento do dever funcional de observar as normas legais ou regulamentares, se o fato não constituir infração mais grave, sem prejuízo de sua responsabilização em ação regressiva própria e responsabilidade penal cabível;

b) o servidor que divulgar, revelar ou facilitar a divulgação ou revelação de qualquer informação sigilosa de que trate o convênio, com infração ao disposto no art. 198 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), ficará sujeito à penalidade de demissão, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis;

c) o servidor que permitir ou facilitar, mediante atribuição, fornecimento ou empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações, banco de dados, arquivos ou a autos de processos que contenham informações sigilosas ou que utilizar-se indevidamente do acesso restrito, será responsabilizado administrativamente, nos termos da legislação específica, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis; e

d) o servidor que não proceder com o devido cuidado na guarda e utilização de sua senha ou emprestá-la a outro servidor, ainda que habilitado, ou que acessar imotivadamente sistemas informatizados que contenham informações protegidas por sigilo fiscal comete infração aos deveres funcionais de exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo e de observar normas legais e regulamentares, sem prejuízo da responsabilidade penal e civil cabível, se o fato não configurar infração mais grave.

O convênio poderá ser denunciado por qualquer das partes, mediante comunicação escrita aos demais entes convenentes.

Os requisitos mínimos ao compartilhamento dos dados deverão ser comprovados previamente à celebração do convênio”.

Amal Nasrallah
*Advogada tributarista
anasrallah@uol.com.br

 

2018: presentão para chineses 60+

Marcas na mira da Economia Prateada, da China

Por Beia Carvalho

2018 começa com um presentão para os acima de 60. Pelo menos, para os chineses.

Daqui a 2 anos, a China terá 255 milhões acima de 60 anos, um mercado intocado valendo potencialmente bilhões de dólares. Serão quase 20% de toda a população chinesa.

Mas essa virgindade acaba de ser perdida com o lançamento do aplicativo Taobao, para a população acima dos 60. Taobao é um hipermercado online como um Mercado Livre ou Ebay, fundado pela gigante do mercado eletrônico chinês Alibaba.


Taobao: hipermercado como Mercado Livre ou Ebay, parte da rede Alibaba

Traduzi livremente o artigo da Business Insider “Esqueça os Milênios — Alibaba está investindo em um surpreendente mercado na China, tão forte quanto seus 222 milhões de consumidores” e o post da Trendwatching “Innovation of the Day, Alibaba.”

Quem me segue, sabe de minha curiosidade e paixão pela tendência da Longevidade, tão forte na China e Japão, que já estão no mainstream do mercado. A economia prateada está provando a linha de leite para consumidores chineses acima de 50 lançada pela Nestlé. E os iPads modificados pela IBM e Apple, com textos maiores e interfaces mais simples para o mercado japonês, onde a população prateada corresponde a estonteantes 1/4 da população!

IBM e Apple com textos maiores e interfaces mais simples para idosos do mercado japonês

No mês passado, a Alibaba lançou uma versão super-simples-de-usar de seu aplicativo Taobao tendo em mente a população mais idosa. E apesar do interface ser muito mais simples, os mais velhos podem acessar as mesmas utilidades – como as sugestões de compras personalizadas e conteúdos transmitidos em tempo real – idênticos àqueles do aplicativo original. Taobao também adicionou uma função que permite que o target mais velho entrar em contato com suas famílias ao toque de botão. Mais de 30 milhões de usuários do Taobao tem mais de 50 anos.

Geralmente, o que mais vemos são empresas respondendo às necessidades das gerações Y (entre 21-38 anos) e Z (9-20 anos). Os estereótipos ditam que os consumidores mais jovens são ‘nativos digitais’, radicalmente diferentes de seus pares mais velhos, os ‘imigrantes digitais’.

Será mesmo verdade? Veja que interessante este sinal dos novos tempos: o número de anfitriões idosos que recebem hóspedes pelo Airbnb, na Ásia, está crescendo mais rápido que qualquer outro grupo etário. Talvez o desejo por conexões significativas possa ser estendido para além dos 18-24?

Note também, que o Taobao não usou a ‘simplificação’ como uma desculpa para economizar nas suas ofertas essenciais. Os consumidores mais velhos estão cada vez mais exibindo os mesmos comportamentos (digital ou não) e tem as mesmas expectativas. Satisfaça-os, mas não os trate de forma diferente!

Para incrementar e manter seu aplicativo atraente para seu target, Alibaba postou uma vaga para pessoas acima de 60 e recebeu 1.000 currículos, em 24 horas. O interessado mais velho tem 83 anos!

A supercentenária japonesa Nabi Tajima é a pessoa mais velha do mundo com 117 anos e 192 dias, em fevereiro/2018

E para fechar, estou eu aqui de volta. Marcas que infantilizam os mais velhos, que tratam estas gerações como “deficientes” ou “pouco inteligentes”, estão fadadas a serem rechaçadas diante das marcas que realmente compreendem suas dificuldades e as superam com o uso cirúrgico da tecnologia – ao mesmo tempo, que os tratam como o que realmente são: consumidores.

Muito podemos aprender com as tentativas e os erros das empresas que estão explorando a economia prateada, na Ásia. Elas não tinham em quem se espelhar. Nós não teremos esta desculpa.

Os centenários fazem parte do grupo etário que mais cresce no mundo. Durma com essa!

NOTAS
Artigo da Business Insider, clique aqui:
Esqueça os Milênios — Alibaba está investindo em um surpreendente mercado na China, tão forte quanto seus 222 milhões de consumidores
Taobao fundado em 2003. Versão para idosos em janeiro 2018.
Alibaba fundado em 1999.
Airbnb permite aos indivíduos alugar o todo ou parte de sua própria casa, como uma forma de acomodação extra.
A supercentenária japonesa Nabi Tajima é a pessoa mais velha do Japão e a pessoa mais velha do mundo. As 3 pessoas mais velhas do mundo são mulheres, na data de hoje, 13 fevereiro de 2018. Os supercentenários tem acima de 105 anos.

Beia Carvalho
*Palestrante futurista

beia@5now.com.br

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