Processo justo, oceano azul e execução estratégica

photo-by-rawpixel-cc0

Por Ronaldo Ramos*

A dupla W. Chan Kim e Renné Mauborgne, que há 30 anos pesquisa a Estratégia do Oceano Azul, afirma que um dos grandes desafios de líderes e empreendedores é compreender que a atitude e o comportamento das pessoas devem ser considerados como valores da organização.

A empresa deve ser vista como um organismo único, em que o desempenho no processo e o resultado refletem a identidade e participação de todos. As atribuições não são apenas da alta administração e da gerência intermediária. Todos devem atuar em prol da superação dos desafios organizacionais que a adoção de uma determinada estratégia representa.

Esse movimento mais orgânico, mais sistêmico, acontece quando os colaboradores são reconhecidos e suas opiniões consideradas. Assim eles se sentem motivados a executar o combinado. De coadjuvantes passam a atuar como transformadores de uma nova cultura em que a confiança e o comprometimento estimulam a cooperação.

Isso nos conduz ao sexto princípio da estratégia do oceano azul, referenciado na edição estendida do best-seller “A Estratégia do Oceano Azul”, cujo objetivo é mitigar o risco do sentimento de exclusão por parte dos membros da organização e criar condições que ajudem a minimizar a desconfiança, a falta de cooperação e até mesmo a sabotagem. As empresas precisam ir além das recompensas financeiras.

Para que essa dinâmica aconteça é fundamental que haja o engajamento das pessoas-chave antes da concepção da estratégia. Emocionalmente as pessoas querem ser reconhecidas pelo seu valor como seres humanos. Intelectualmente, elas almejam o reconhecimento de suas ideias e opiniões.

Quando há a colaboração, todos se tornam capazes de encontrar soluções inteligentes para os problemas identificados. Muitas vezes, o segredo é aprender a construir novos scripts para desempenhar novos papéis diante das turbulências internas, com motivação e energia.

Enfrentar as turbulências dos oceanos não é tarefa fácil. Porém, quando se trata da estratégia do oceano azul, a turbulência é maior, afirmam os autores. Por quê? Porque ao saírem da sua zona de conforto, as pessoas querem compreender qual é a verdadeira razão da mudança. Porém, quando existe confiança entre as pessoas, o medo da mudança diminui.

É dever da liderança antecipar obstáculos à estratégia e desenhar possíveis rotas de mitigação para o processo de mudança. Se a ideia não fizer parte da cultura, os esforços de implantação poderão resultar em perdas de tempo e recursos essenciais à organização. Afinal, toda execução estratégica implica num processo de “change management”.

O recente artigo “Blue Ocean Strategy & Shift Tools”, publicado por Kim e Mauborgne traz uma reflexão sobre três princípios complementares que regem o conceito do processo justo.
São os chamados Três “Es”: Envolvimento, Explicação e Clareza das Expectativas.

“Envolvimento” significa engajar os indivíduos nas decisões estratégicas que têm impacto sobre eles. A “Explicação” está atrelada ao entendimento e à compreensão dos critérios na busca pelos interesses da empresa. É o poder do feedback verdadeiro, específico, respeitoso e oportuno para promoção do aprendizado. E por último, “Expectativa” envolve a definição das regras do jogo após a elaboração da estratégia. Significa ter consciência sobre escolhas, desafios e consequências.

A questão é como esses princípios podem contribuir e influenciar na implementação das mudanças estratégicas com mais consistência e velocidade. Ao aplicar o processo justo os membros tendem a se comprometer com os resultados. Eles priorizam os interesses da organização em relação aos pessoais, por se sentirem integrantes do organismo maior. A partir de então a construção do espírito de cooperação voluntária poderá fluir de maneira espontânea e colaborativa.

Por meio da empatia, respeito e clareza de ideias o líder pode propiciar um ambiente de confiança. O processo justo não se aprende da noite para o dia. O exercício da prática e a curva de aprendizado são essenciais. A mentoria é um caminho que ajuda os líderes a encontrarem respostas para seus questionamentos. Com métodos e soluções sob medida, os líderes compartilham experiências com o apoio de conselheiros especialistas em liderança e gestão de equipes.

Ronaldo Ramos
*Fundador do CEOlab e professor associado da FDC
ronaldo.ramos@ceolab.net
www.CEOlab.net

O indivíduo completo, em todos os mundos

photo-by-rawpixel-cc0

Por Ronaldo Ramos*

Com a tecnologia e a acessibilidade a serviços de comunicação, além da impaciência e ansiedade crescentes e nem sempre positivas ou necessárias no mundo dos negócios, fica difícil fazer uma separação clara entre negócios e lazer. Mais e mais somos desafiados a compatibilizar de maneira criativa os períodos de trabalho e descanso. Devemos levar em conta também que hoje as pessoas procuram mais atividades profissionais por paixão do que por imposições em relação às gerações passadas. Ou seja, a busca por propósito passa a nortear o indivíduo em todas as áreas, em contraposição ao automatismo latente.

Toca o despertador do celular, anunciando o início de mais um dia de trabalho. Ao desligar o alarme, já é possível ver muitas mensagens no WhatsApp, e-mails a responder e notícias recentes. Está na hora da call de equipe. Uma ligação via Skype acaba de entrar. Curtidas no Instagram, comentários no Facebook. Compartilhamentos. A conectividade torna a vida bem mais dinâmica, social e, por vezes, mais estressante. Ao mesmo tempo que a tecnologia e a comunicação em tempo real aproximam pessoas e facilitam a resolução de problemas, favorecem o trabalho excessivo e a dependência eletrônica.

A questão é pertinente nesta época de pressões profissionais intensas. A administração de crise exige respostas rápidas e personalizadas, seja qual for o cargo de liderança. A reação aos estímulos pode significar uma promoção, a permanência no emprego ou o retorno ao mercado. Por outro lado, há conscientização da necessidade de se sentir bem e de reservar tempo para isso. Vemos o número de academias, SPAS urbanos e terapias alternativas em expansão, além de aplicativos que ajudam a manter a qualidade de vida.

E devemos aprender com a experiência alheia sempre. Uma jornalista japonesa, de 31 anos, morreu depois de fazer 159 horas extras de trabalho em 2013. O caso só veio a público há dois anos pela agência de notícias Kyodo News: a repórter folgou apenas dois dias no mês que antecedeu a sua morte, por falência cardíaca. O canal japonês de televisão estatal NHK comprometeu-se a reformar suas práticas trabalhistas depois de perder sua funcionária de forma tão trágica.

De acordo com a Associação Americana de Psicologia, quase metade dos adultos empregados permanecem conectados fora do horário de expediente (à noite, em viagens, fins de semana e férias). E também lidam com questões pessoais durante o expediente. O uso de novas ferramentas de comunicação mudou a forma como trabalhamos e tornou nebuloso o limiar entre a vida doméstica e a profissional.

Para 90% dos brasileiros, a flexibilidade permite melhor equilíbrio entre trabalho e lazer, segundo estudo da Randstad realizado no segundo trimestre de 2018. Contudo, 38% dos entrevistados sentem que essa possibilidade também causa grande pressão na vida pessoal, já que nunca conseguem se desconectar completamente das tarefas profissionais.

Mais relevante que a flexibilidade é o comportamento individual e a capacidade de definir claramente expectativas junto aos stakeholders (superiores, clientes, familiares e amigos) e claro, consigo mesmo. Sim, é possível administrar o trabalho em casa e as obrigações profissionais em momentos de lazer, com a concordância da família. A ideia é separar horários pré-definidos e permitir ter maleabilidade com cada um dos familiares. Mas é importante saber desligar o smartphone ou o computador nos momentos previamente negociados. Se soubermos alocar tempo e tivermos disciplina de execução, é possível, sim. Diálogo, negociação e previsibilidade para colegas de trabalho e família podem ser alguns segredos.

Estudo da Robert Half com a Happiness Works mostra que conquistar um equilíbrio justo entre as responsabilidades profissionais e pessoais é um objetivo de praticamente todos os trabalhadores. Foram avaliados os níveis de felicidade de mais de 23.000 profissionais em oito diferentes países, que concordaram conversar sobre sua satisfação no emprego. Os entrevistados estavam em diferentes faixas etárias, níveis de experiência e indústrias. Dos colaboradores consultados, 19% disseram que sua felicidade no trabalho é de sua exclusiva responsabilidade, enquanto 6% a colocaram inteiramente nas mãos do chefe.

Em sua política de afastamentos remunerados, o Facebook passou a oferecer seis semanas para quem precisar cuidar de um membro da família doente. Em caso de luto, os colaboradores contam com 20 dias. A Delloite e o The Vanguard Group começaram a permitir que seus colaboradores tirem licenças remuneradas para cuidar de parentes enfermos desde 2017. É preciso também que as empresas enxerguem seus funcionários como seres humanos, em sua completude.

Da mesma forma, trabalho e lazer fazem parte da rotina do mesmo indivíduo. Não há mais espaço para uma divisão clássica, onde longos períodos de tempo são dedicados a cada um com exclusividade. Tudo junto e misturado, administrado consensualmente, parece ser a nova fórmula. A recomendação parte sempre da busca pelo autoconhecimento e por entender as prioridades de cada um e seus chamamentos interiores. A partir daí pode-se planejar diferentes maneiras de gerenciar os pontos mencionados. Na solidão, na reclusão e na crença de que damos conta de tudo e somos heróis, as coisas ficam mais difíceis. Procurar ajuda de profissionais e de amigos pode ser um caminho a ser percorrido até o sucesso e o bem-estar.

Ronaldo Ramos
*Fundador do CEOlab e professor associado da FDC
ronaldo.ramos@ceolab.net
www.CEOlab.net

Líderes Exponenciais, os líderes que construirão o futuro

photo-by-samuel-zeller

Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

Nossa realidade atual vem demandando rápidas mudanças de comportamento no ambiente do trabalho. Para tanto, precisamos trabalhar bastante as nossas lideranças, visto que serão elas que conduzirão os negócios a um patamar de maior sucesso.

No momento, temos visto muito pouca preocupação com o assunto, pois ainda contamos com lideres muito apegados ao pensamento linear, se agarrando a estruturas que em pouco tempo não farão mais sentido algum.

Para lidar com o trabalho e as empresas que serão criadas, precisamos urgentemente iniciar um movimento de preparar as pessoas para pensar e agir de forma diferente. Precisamos ter lideranças que pensem exponencialmente, sejam capazes de transformar, romper com formas arcaicas e tradicionais de fazer as coisas.

Esse novo líder, terá que ter uma visão ampliada, capaz de perceber nas informações com que conta, novas possibilidades, cenários diferentes, antecipando o inesperado que pode acontecer a qualquer momento. Tem que ter coragem de explorar o desconhecido a partir da análise do que lhe é familiar. Ele terá que ir além das tendências, das análises de risco tradicionais, tem que esgarçar sua curiosidade e se dar o direito de imaginar o que não é previsível.

O novo líder precisa ser inovador, o que vai exigir coragem para correr riscos e inclusive errar. Tem que abrir mão das estratégias conhecidas, abraçando a incerteza, acreditando que existem possibilidades de melhor exploração e experimentação em cada situação.
Um líder exponencial, sem dúvida, deverá ser capaz de pensar nas necessidades dos outros. Ele terá empatia em relação a quem vai comprar seu produto, pensará em oferecer soluções em vez de apenas produtos.

Ele deve entender o impacto que as novas tecnologias trazem para o negócio em que atua, compreender as mudanças que certamente virão e preparar-se melhor para elas. Portanto, ele precisará se familiarizar com essas tecnologias, conhecer as ferramentas e possibilidades e, mais do que tudo, pensar nas implicações éticas, sociais e morais que elas trazem não apenas para seu negócio, mas para a sociedade em geral.

Mais dos que tudo, um líder exponencial precisa ser capaz de exercitar sua humanidade ao limite, especialmente porque a tecnologia abriu espaço para novas formas de relacionamento, de contratação, de remuneração e de desempenho no trabalho. Dessa forma, compromisso com transparência e responsabilidade social são tão importantes quanto resultados financeiros. E, mais do que tudo, um ambiente de trabalho que traga satisfação e realização para as equipes é fundamental para construir um futuro melhor, com pessoas mais felizes, criativas e comprometidas.

Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini
*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@executivasechiques.com

Colapso Mental? Sobrecarga de Informações tem Solução

photo-by-markus-spiske

Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

Há um tempo atrás, encontrei um estudo muito interessante sobre as habilidades exigidas para navegar confortavelmente no futuro (2020 skills IFTF). Todas extremamente relevantes e já falei sobre algumas aqui. Uma delas, particularmente, me chamou a atenção: a necessidade de ser capaz de “selecionar” a busca de conhecimento de forma a não se perder na imensidão de informações a que a atualidade despeja sobre nossas cabeças a cada instante.

Provavelmente porque sou a rainha de “viajar” na busca, decidi ir atrás de mais. Foi quando cheguei ao conceito de “curadoria do conhecimento”. Descobri a forma de auxiliar a mim mesma e aos outros a evitar uma sobrecarga cognitiva que pode me levar a uma incapacidade de processar adequadamente as informações.

Curadoria
“Curadoria”, para quem não tem familiaridade com o termo, é o processo de encontrar, filtrar e compartilhar um conteúdo relevante e útil para o um público-alvo de sua escolha. Pode ser executada na arte, em conteúdo, tendências, moda, enfim. O compartilhamento pode ser feito de diversas maneiras, simplesmente via Internet ou redes sociais através links e conteúdo incorporado, ou de uma forma mais elaborada, acrescido de análises e comentários específicos.

Encontrei uma empresa brasileira trabalhando com o conceito, a Inesplorato, que ofereceu um curso, entre janeiro e março desse ano, para disseminar sua metodologia de trabalho e lá fui eu estudar um pouco mais. Como meu tempo no Brasil era curto – nos últimos tempos vivo entre São Paulo e Roma -, possivelmente não consegui chegar ao melhor resultado. Não sou ainda realmente um curador de conhecimento como aqueles da Inesplorato mas, mesmo assim, tive um grande aprendizado, que vai me permitir evoluir e compartilhar as habilidades inerentes à especialidade.

Curadoria de Conhecimento
Curadoria de conhecimento aparentemente é um conceito fácil de entender, mas vocês não imaginam a complexidade envolvida na execução, quando se decide fazer isso para outra pessoa ou alguma empresa.

Para começar, requer ética, comprometimento, pensamento estratégico, um esforço enorme e o mais precioso dos recursos, o tempo. Você precisa estar aberto a pensar fora da caixa, sair de sua zona de conforto e não ter medo de desagradar a pessoa que lhe solicitou o trabalho. Além disso, você deve ser capaz de organizar as informações de forma atraente, que desperte a curiosidade e a vontade do outro ir cada vez mais fundo. E, não se faz um bom trabalho sozinho, precisa ter parceiros que movam você em diversas direções e o ajudem a ser mais e mais interessante e instigante.

O objetivo principal da curadoria é reduzir o tempo e a distância entre as pessoas e aquele conteúdo realmente relevante, que pode trazer transformação. E aí está a maior complexidade da questão: o que é transformador? Você não está ali para agradar, para concordar com aquilo que mantém a pessoa confortável. Você está ali para ajudá-la a abrir-se para novos pensamentos, ideias e realidades que a ajudarão a ir em frente, crescer, ser melhor.

E então?
Mesmo quando seu “cliente” é você mesmo, todas as demandas do trabalho são exigidas. A “autocuradoria”, se é que existe, para mim é o começo de tudo. Estou testando esse conceito, usando metodologias aprendidas no curso, adaptando-as à minha ação solitária. Pelo menos, já descobri que posso ser um pouco mais organizada nas minhas buscas. Vai ser transformador? Não sei. Quando souber, conto para vocês.

Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini
*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@executivasechiques.com

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...