Sem medo de organizar as finanças pessoais

Foto de Ronaldo Ramos

Por Danilo Cury*

Várias pesquisas feitas por entidades de defesa do consumidor, nos Estados Unidos, mostram que aproximadamente 50% dos entrevistados têm fobia de lidar com finanças pessoais. Boa parte deles diz que nem acompanha o saldo de suas contas e, muito menos, abre os envelopes que vêm dos bancos.

No Brasil, com todas as incertezas na área econômica, creio que essa dificuldade é ainda mais acentuada. Sintoma muito preocupante e um dos motivos pelos quais temos um dos maiores índices de endividamento pessoal do mundo, apesar das estratosféricas taxas de juros cobradas nos empréstimos.

A perspectiva piora quando observado o retorno médio mensal das aplicações de renda fixa, de 0,7%, enquanto as instituições cobram até 5% ao mês pelo crédito pessoal. Portanto, se você investir R$ 10.000 num Fundo DI, depois de um ano terá R$ 10.873. Já uma dívida do mesmo valor se transforma em R$ 17.959 no mesmo período, sem considerar a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) pelo governo. Imaginem isso ao longo de anos!

As pesquisas também revelam que as mulheres, em geral, são mais fóbicas que os homens, da mesma forma que os muito jovens ou mais idosos. É importante que as pessoas com disponibilidade financeira procurem analisar racionalmente seus investimentos. Conheço bons profissionais que perderam todo o dinheiro acumulado após muitos anos de trabalho por seguir o conselho de “amigos” de boa lábia.

Uma parte dessa fobia vem da linguagem propositalmente complexa que alguns profissionais do setor utilizam. Finanças pessoais é um assunto muito mais simples do que se imagina e tem como ciência alguns princípios básicos:

1- Só contraia dívidas em situações de extrema necessidade ou quando você tiver uma oportunidade que realmente valha a pena e renda pelo menos três vezes mais do que vai pagar de juros pelo empréstimo.
2- Nunca direcione mais de um terço de seus investimentos a uma só aplicação e/ou instituição financeira. Diversifique; nunca “coloque todos os ovos na mesma cesta”.
3- Escolha instituições financeiras sólidas, que tenham boa credibilidade. Fique atento aos boatos. Já vi muitos bancos passarem por sérias dificuldades e até quebrarem por causa de rumores.
4- Evite ser avalista ou emprestar dinheiro. Em transações feitas com amigos, geralmente se perde o dinheiro e o amigo.
5- Prefira investimentos com liquidez e procure ter uma reserva que dê para viver pelo menos um ano sem trabalhar.
6- Busque uma boa rentabilidade, mas não acredite em taxas milagrosas.
7- Para quem gosta de investir em imóveis, aplique em fundos imobiliários. Você terá menos problemas e possivelmente um maior rendimento.
8- Aja da mesma forma em relação ao mercado acionário. Os fundos de ações geralmente têm uma taxa baixa de administração e, assim, vale a pena pagar para que profissionais da área sempre avaliem as melhores oportunidades.
9- Pense no seu futuro. Aplique em fundos de previdência. A população está com uma expectativa de vida cada vez mais alta e, provavelmente, você vai viver mais que seus pais e avós.
10- E nunca esqueça o velho ditado: compre na “baixa” e venda na “alta”. Quando um tipo de investimento está aparecendo muito na mídia, geralmente é hora de sair dele.

Como no caso de todas as fobias, o primeiro passo é aceitá-la e enfrentá-la. Procure ler reportagens que abordem esse tema de forma clara e converse com bons profissionais do setor. Sempre acompanhe os extratos bancários para controlar suas finanças. Você vai perceber que a vida ficará muito mais fácil.

*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br

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