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O que faz o sucesso na carreira?

Foto de Ronaldo Ramos

Por Walter Mendes*

Uma pessoa da minha equipe me perguntou por que alguns profissionais tecnicamente medíocres tinham tanto sucesso na carreira e outros, como ela, tecnicamente muito bem preparados e dedicados ao extremo em seu trabalho, não se destacavam no ambiente corporativo. E o que ela deveria fazer para alterar essa situação.

Eu não tinha uma resposta pronta. Não caí na fácil tentação de justificar com o lugar-comum da capacidade de liderar equipes e motivar colaboradores. Todos sabemos que essas são características muito valorizadas, que agregam e até explicam o sucesso profissional de pessoas com gaps de conhecimento. Mas concordava que os exemplos negativos que ela levantou não mostravam essas virtudes. Seriam essas raras exceções ou ocorrências relativamente comuns?

Passei um bom tempo pensando no assunto e revendo minha experiência profissional. Acho que essa é uma questão para a qual não há resposta fácil nem única. Há vários ambientes de trabalho diferentes, onde valores e posturas são mais ou menos valorizados. A possibilidade de ascensão na carreira ou de reconhecimento profissional com ganho financeiro varia conforme o local e mesmo momentos de mercado. Mas, correndo o risco de falsa generalização, vou traçar uma das respostas possíveis.

Acho que mesmo entre técnicos igualmente bem preparados e dedicados há uma diferença que pesa muito na imagem profissional: a capacidade de dar respostas, de propor soluções simples.

Em alguns ambientes de pesquisa, onde o perfil técnico é muito valorizado, a capacidade de descobrir problemas e levantar dúvidas é admirada, tanto quanto a de procurar e apontar soluções. Trabalhei numa empresa estrangeira, numa área composta por pessoas de forte perfil técnico, cujo principal executivo era admirado pela habilidade de fazer as perguntas certas, sem necessariamente apontar soluções. Seu prestígio se baseava na capacidade de fazer seus colaboradores pensarem.

Participei de um workshop em que um dos apresentadores lembrou a frase que o ex-ministro Pedro Malan tinha enquadrada logo acima de sua mesa: “Para todo problema complexo, sempre há uma solução simples e quase sempre errada!” Como pesquisador, o ex-ministro deve desprezar posturas superficiais e valorizar a análise aprofundada, o debate intelectual e o questionamento teórico.

Mas esse não é o padrão das organizações privadas. Nas empresas, é valorizada a capacidade de dar respostas simples e soluções rápidas. Não há muito tempo nem disposição para se aprofundar nos assuntos. O executivo e mesmo os técnicos que o assessoram são mais valorizados quanto mais objetivos e propositivos se demonstram. Ainda que algumas dessas soluções rápidas, simples e objetivas se mostrem erradas no futuro, parece que demora um bom tempo para que a imagem do profissional fique definitivamente arranhada. Até lá, já foram amealhadas boas gratificações e sempre haverá um head hunter disposto a vender a imagem do profissional bem-sucedido a outra empresa.

Os profissionais que apontam problemas e propõem reflexão, sem indicar soluções fáceis e rápidas, podem ser percebidos como “trouble makers”. Na ausência de resposta ao questionamento, seus pares ou superiores tendem a não registrar o conteúdo das suas colocações e a reação automática é de rejeição.

Nesse sentido, minha resposta tardia àquela pessoa da minha equipe seria: se quiser aumentar suas chances de sucesso, analise bem o meio em que trabalha e adapte sua postura ao ambiente. No meio acadêmico, você pode manter uma postura crítica, levantando problemas e questões pertinentes, sem apresentar soluções. No meio corporativo, de forma geral, só gere dúvidas e questionamentos se puder apresentar sugestões a seguir. De preferência, soluções simples e fáceis de serem digeridas. Enquanto não as encontrar, guarde para si suas dúvidas e questionamentos.

Pode não ser a recomendação mais agradável ou politicamente correta, mas vale anotar no rodapé do seu manual de sobrevivência no meio corporativo.

*Especialista em gestão e start-ups
walter.mendes.of@gmail.com

Procrastinar, palavra difícil e comum no dia a dia

Foto de Ronaldo Ramos

Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

Procrastinar é quase um palavrão, não acha? Chega a assustar. E é tão comum no nosso cotidiano que, sem nos dar conta, conjugamos o verbo a todo instante. Deixar para outro dia um ato ou decisão necessários para o seu sucesso é mais incidente do que parece. Acontece especialmente quando estamos inseguros sobre o que fazer; temos receio de tomar uma atitude efetiva; ou, o que é pior, estamos inconscientemente boicotando nosso próprio crescimento e futuro.

Tenho conversado com várias pessoas que se queixam da falta de tempo ou de condições para fazer algo ou tomar uma decisão complexa que possa mudar sua vida. Também me vejo nessa algumas vezes: envolvida em tarefas que podem ser perfeitamente executadas por outras pessoas, deixo de lado o que é essencial para que os projetos andem na direção planejada.

Por que será? É preciso parar para pensar naquelas pequenas desculpas que arranjamos para a não ação e tentar eliminá-las rapidamente, sob o risco de perder um tempo precioso e construtivo.

Podemos começar pensando se realmente sabemos o que estamos buscando. Muitas vezes, nosso empenho fica comprometido por não sabermos exatamente o que queremos. Sem uma meta, qualquer rumo que você decida tomar pode levar a lugar nenhum. Claro que é difícil admitir isso. Esse sentimento pode estar enterrado no seu pensamento sem que o perceba. Você decidiu que vai trocar de emprego, conta para seus amigos e, no entanto, nem preparou seu currículo. Você realmente quer mudar? A perspectiva de enfrentar um novo começo está trazendo insegurança? Ou, quem sabe, ao conversar com seu travesseiro à noite, diz para si mesmo que é melhor ficar onde está por saber o que esperam de você, mesmo que seja ruim.

Algumas vezes não temos escolha, é verdade. Se você decidiu continuar no emprego e foi demitido, precisa buscar outro para ganhar seu dinheiro. Faz uma ou outra tentativa fraca e, quando as primeiras fracassam, começa a desconfiar de sua capacidade, do surgimento de uma boa oportunidade e do interesse do mercado em você. Essa espiral autodepreciativa só leva ao fundo do poço.

Você sabe que para recomeçar precisa atualizar seu currículo, mas atua sem concentração, sem uma reflexão sobre seus conhecimentos e experiências registrados nele. Sabe que a busca por um novo emprego exige planejamento e disciplina, sabe também que precisa fazer contatos. Entretanto, se envolve na reforma da casa, no conserto do carro, fica doente, entra na briga do condomínio, qualquer coisa que o deixe muito ocupado para dizer a si mesmo que não teve tempo.

Está se identificando? Pois saiba que está procrastinando. Então, saia dessa rapidamente. Tome as rédeas da sua vida outra vez. Faça uma lista de tarefas, determine uma hora para cuidar de cada assunto, esqueça aqueles trabalhos que dispensam sua presença. Marque encontros com pessoas que possam lhe trazer benefícios nesse momento, envie e-mails para outros, estude as possibilidades de colocação em empresas fora da sua zona de conforto, faça um curso que realmente possa suprir uma falha do seu currículo.

Esse raciocínio vale para seu trabalho e para sua vida, como encerrar relacionamentos destrutivos, mudar de casa ou de cidade, enfim, qualquer situação que envolva transformações importantes.

Decida fazer o que tem que ser feito! Se estiver muito preguiçoso – um efeito colateral da procrastinação –, comece um programa de exercícios físicos, que dão energia e diminuem a tensão. Mantenha sua mente sempre em estado positivo; esqueça fracassos, pense em vitórias. Convença a si mesmo que procrastinar é apenas um palavrão que nada tem a ver com você.

*Consultora de Carreira e Coach
carmo@navitasconsult.com.br

Quem pode ajudar na construção do seu futuro

Foto de Ronaldo Ramos

Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

Recebi de um amigo um comentário de Max Gehring sobre Relações Humanas muito interessante, que me exigiu um pouco de reflexão. Basicamente, o principal ponto é sobre não fazer inimigos no trabalho. Entretanto, o que me fez pensar mais foi o parágrafo seguinte:

“Um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que, durante algum tempo, parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor amigo. Mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego. Amigo é aquela pessoa que liga para perguntar se você está precisando de alguma coisa. Ex-colega que parecia amigo é aquela pessoa que você liga para pedir alguma coisa, e ela manda dizer que no momento não pode atender.”

Vi muitas pessoas – até eu mesma – nessa situação terrível de ligar para um ex-colega, considerado um amigo, e não ser atendida. Muitas vezes nem era para pedir alguma coisa, apenas para saber notícias, bater um papo, senti-se inserido no contexto profissional. Não ser atendido dói muito, especialmente se você está num momento ruim. Por outro lado, vi ex-colegas de quem se esperava muito pouco permanecerem amigos muito tempo depois do período de convivência cotidiana.

Antes de mais nada, precisamos ter clareza sobre a qualidade de nossas relações de trabalho. Temos colegas, alguns se transformam em grandes amigos (eu tenho muitos, preciosos), outros viram ex-colegas que continuam a ter simpatia e consideração por você, mas não são seus amigos, outros são completamente indiferentes a você e uns, ainda, que querem ver você na pior. Esses últimos são os inimigos. É importante saber que essas categorias existem para não criar expectativas erradas, sob o risco de sofrer decepções e mágoas.

Seus amigos, quando deixam de trabalhar com você, continuam a encontrá-lo, tentam saber como anda sua vida, telefonam algumas vezes e atendem quando você liga. Obviamente, nem sempre podem ajudá-lo a reerguer sua carreira, arrumar um novo emprego ou contratá-lo como consultor. É importante não desperdiçar uma amizade insistindo em pedir oportunidades que eles não estejam em condições de oferecer.

Seus amigos vão continuar gostando e respeitando você, mas só vão se comprometer com uma recomendação sua para uma posição que saibam que dará conta. Preste atenção: amigos são preciosos demais para perdê-los por questões materiais. Se pedir alguma coisa que ele não possa atender, deixe para lá, mantenha sua amizade e busque ajuda em outro lugar. Se ele é seu amigo e pode ajudar, tenha certeza de que o fará.

Ex-colegas que continuam a respeitar você podem ser úteis na busca de oportunidades. Mesmo com eles, tome cuidado para não ser inconveniente. Você podia ser admirável na antiga empresa e isso pode ser mantido com a simpatia e consideração das pessoas. Se for pedir alguma coisa, verifique antes se é possível ser atendido, seja objetivo, nada de pedir “uma chance”, “uma oportunidade” ou, muito menos, “qualquer coisa”. Só você pode saber exatamente o que lhe serve e do que é capaz, ninguém vai fazer pesquisa de vagas que combinem com as suas necessidades. Se não for atendido dentro de um prazo razoável, ligue para lembrar. Caso perceba qualquer indício de desconforto, saia fora e busque outras alternativas.

Você pode até pedir alguma coisa aos indiferentes. Às vezes, uma dessas pessoas pode ajudar. É importante ressaltar suas qualidades, algum evento ou projeto em que estiveram juntos, despertar boas memórias. De qualquer maneira, tenha os mesmos cuidados sempre, nada de pedidos vagos, nada de insistência repetitiva, nada de ficar falando mal se a pessoa não puder atendê-lo.

Lembre daquelas lideranças que acreditam em você, com quem trabalhou e mostrou bom desempenho. Claro que esses contatos são muito importantes na hora de uma recomendação. Não precisam ser seus amigos, basta ter certeza de que o respeitam o bastante para se comprometerem a indicá-lo. Cuidado com leituras erradas sobre o quanto essas pessoas o apreciam. Pense nos momentos em que seu resultado foi elogiado, reconhecido. Se isso nunca aconteceu, esqueça; você está se iludindo.

Poupe-se de momentos tensos e aborrecidos, de frustrações, não procure seus desafetos. Se alguém é seu inimigo vai lembrar sempre cada incidente que vocês protagonizaram juntos. Quando você pedir alguma coisa, as más memórias todas vão reaparecer e, quem sabe, a pessoa, além de não ajudar, pode prejudicar o alcance do seu objetivo. Nem pense em mostrar fragilidade, porque eles podem estar apenas à espera para ver você na lama…

*Consultora de Carreira e Coach
carmo@navitasconsult.com.br

Como criar um Networking eficaz

Foto de Ronaldo Ramos

Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

Uma boa rede de relacionamentos é essencial para ajudar o profissional a desenvolver sua carreira e ter melhor desempenho no trabalho. Mesmo do ponto de vista pessoal, as conexões certas podem trazer mais tranquilidade e qualidade de vida. Investir na criação e manutenção dessa rede é fundamental para que se contar com o parceiro indicado a cada momento.

Mais importante que se relacionar com um número grande de pessoas é interagir com aquelas que possam lhe dar apoio e trazer desafios capazes de fazê-lo crescer como profissional e ser humano. Apenas conhecer um monte de gente tende a fazê-lo se dispersar, sem conseguir dar e receber o melhor delas. Além disso, cultivar apenas os maiores expoentes, as lideranças sociais ou setoriais, pode gerar resistência entre seus pares e membros da equipe, prejudicando o apoio que você espera e precisa deles.

As pessoas que contribuem para ampliar sua influência, aumentar seus conhecimentos e abrir sua cabeça para novos horizontes são as que você deve ter em sua rede. São profissionais de várias áreas, de diversos cargos, com visões diferentes da vida, da empresa e do trabalho. Se relacionar apenas com seus colegas próximos, que vivem sua mesma realidade, limita a possibilidade de descobrir novas formas de lidar com situações do dia a dia. Incluir em sua rede profissionais com outras perspectivas e valores abre caminho para aprender a resolver problemas de maneira diferente, possivelmente mais eficiente e menos estressante.

Faça conexões que ofereçam ampla gama de informações sobre o comportamento do mercado no qual você atua, que contem suas melhores práticas e as inovações mais recentes. Acrescente quem pode lhe dar apoio, ajudá-lo a buscar recursos novos, aumentar sua influência nos círculos certos. Sobretudo, inclua gente com energia positiva, que tem entusiasmo, vê oportunidades mesmo nos momentos de crise, abre espaço para suas ideias. Fuja dos negativos, que sugam sua energia, vivem reclamando, criticam tudo e todos, têm raciocínio inflexível, não mostram interesse pelos outros nem são capazes de abrir portas para o crescimento dos demais.

Lembre-se também que, para desenvolver melhor sua carreira, você precisa de bem-estar e qualidade de vida. Portanto, escolha colegas e amigos que o ajudem a se recuperar quando você “quebra a cara”. Busque estar perto de quem valoriza seu trabalho e valida sua opinião. Fique ao redor de quem o chama para viver plenamente, que o convida a relaxar e melhorar sua forma física, emocional e espiritual.

Criar uma rede eficiente é mais fácil do que parece. Mesmo que você mantenha relação com muitas pessoas, tenha um “núcleo” com o qual possa contar, para direcionar a maior parte de seu tempo, atenção e esforço.

Analise seus relacionamentos e classifique-os conforme o que agregam. Identifique quem compartilha informações, conhecimento, apoio, influência, desenvolvimento pessoal e técnico, energia, valor e integração entre trabalho e individualidade. Depois de fazer essa análise, procure diminuir o tempo gasto com pessoas que não trazem benefícios. Se perceber que faltam conexões para um ou outro ganho, vá atrás, busque formas de incluir essas pessoas na sua vida. Tente interligar os contatos da sua rede com suas metas pessoais e, finalmente, descobrir se está usando de maneira correta os seus relacionamentos. Veja se quem é útil em uma coisa não pode ser também em outra, como alguém que lhe traz conhecimentos e gera influência na empresa.

Coloque mais energia nas relações positivas e não se esqueça de compartilhar seus conhecimentos, sua capacidade e sua influência para fazer os outros crescerem também. Networking é uma via de mão dupla: se estiver disposto somente a tirar proveito dos demais, sem doar, não terá um resultado eficaz. Seja generoso, pois pessoas assim sempre acabam por receber de volta sua capacidade de dividir, criar oportunidades e ajudar. Networking, afinal, é a arte de estabelecer, manter, auxiliar, trocar e aproveitar contatos para fazer de você um profissional e um ser humano melhor.

*Consultora de Carreira e Coach
carmo@navitasconsult.com.br

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