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Voltei da rua

Momento “love” da tropa com a população – 15 de março de 2015 (foto do Twitter)

Momento “love” da tropa com a população – 15 de março de 2015 (foto do Twitter)

Por Beia Carvalho*

Voltei do #VemPraRua com pelo menos 3 surpreendentes conclusões:

1. A classe A, em São Paulo, tem pelo menos 1 milhão de pessoas;
2. Os paulistas “coxinhas”, “creuset”, “varanda gastronômica” são a maioria nos 22 estados brasileiros e Distrito Federal;
3. Última mas não menos importante: o Brasil é o único país do mundo que leva às ruas apenas pessoas da classe A.

Comecei a subir, a pé, os 6 quarteirões que me separavam da Av. Paulista. No começo, uma turminha aqui, outra lá adiante. Há 3 quadras de distância, já éramos um grande bloco de amarelos e verdes, e algumas vuvuzelas. O passo foi ficando cada vez mais apressado. O coração começou a bater diferente. E deu aquela sensação de estar chegando no Maracanã pra ver o Fla-Flu ou de quando a gente dava de cara com o Estádio no Pacaembu, quando o Corinthians jogava. Todos no mesmo passo, cada vez mais acelerado. Agora, quase no centro do entretenimento-financeiro-cultural, parece um ensaio de orquestra. Pouco a pouco, entravam os sons de vuvuzelas, helicópteros, gritinhos histéricos e abafados de guerra.

Há 30 metros, já entrevendo o início da Paulista, as palavras de ordem destapam: “o povo acordooouu”, “fora Dilma”, “fora PT”, “pede pra sair”!

A “comissão de frente” é formada por 50 policiais perfilados ao longo daquele paredão lateral do Cine Belas Artes. E, barrando a entrada de carros para a avenida, carros da polícia com as luzes e sirenes ligadas e mais uns 50 oficiais, dispersos. O povo vai entrando e entrando no clima dos gritos, das fotos junto a faixas e cartazes que lhe representam, dos vídeos, das palavras de ordem.

Fui sem câmera, sem lenço nem documento. E, durante todo o tempo que participei da manifestação, só lamentei por um momento não ter a dita cuja. A cena estava ali, logo na segunda quadra: policiais de choque paramentados da cabeça aos pés, perfilados transversalmente à avenida. Até aí, nada demais. O bizarro foi ver todo o tipo de pessoas – jovens, pais com bebês de colo, velhos, grupos ou indivíduos – fazendo selfie bem juntinho à tropa de choque, e os policiais sorrindo e posando para as fotos. Muitos deles até saíram da posição de sentido. Le Brésil n’est pas un pays sérieux.

Paro no alto de um canteiro, quase na esquina da Paulista com a Augusta. Bela decisão. Do alto, via tudo. Olhando para trás, o fluxo constante de gente chegando da Rua da Consolação. À minha frente, o espetáculo. Vi, ao vivo, os números subindo de 200.000 pessoas, dados da Polícia Militar, para 1 milhão de manifestantes, dados de todo mundo: mídia e Polícia.

Interessante. Ao analisar este mar de gente branca, cheguei à uma triste conclusão: tenho um grave problema de visão. Vi gente de tudo quanto é cor. Ou não se fazem mais “classes As” como antigamente? A meu lado, 2 desdentados. Pois é, não está fácil pra ninguém! Pagar a conta do dentista bateu na classe A também.

Bem antes da TV começar a falar dos Carecas do Subúrbio e das prisões, identifiquei 2 “armários” do meu lado que se comunicavam por sinais, segurando algo irreconhecível num saco preto sob a jaqueta. Piquei a mula rapidinho. Logo depois, começaram as prisões e vi um dos carecas ao meu lado pela TV.

Também ouvi outras línguas, em especial espanhol e italiano. Muitas, mas muitas câmeras fotográficas e de vídeo. Nem dava pra contar a quantidade de celulares registrando tudo e todos. Tentei guardar na memória os dizeres das faixas. O que me lembro é de “Fora PT/Dilma”, “PT é a favor da ditatura da Venezuela” a palavras de ordem contra a OAB, preço do diesel, Petrolão, corrupção. Enfim. Democracia também no tipo de protesto. Não vi nenhuma bandeira partidária, nenhuma menção a Aécio.

Tive sorte de ter por perto 2 senhores, um argentino e o desdentado, que tinham descido no Paraíso e vindo pra esse lado da Augusta. Assim, obtive o registro do mundão de gente que estava pras bandas de lá, sem sair do meu “mirante”. Amedrontada com os carecas e ouvindo o som das buzinas dos Scania, que chegavam a mim, vindo do finalzinho-da-Rebouças-começo-da-Consolação, me dirigi para lá. WOW! Foi muito comovente!

À frente de uma fila de caminhões, 3 daqueles monstruosos Scania, que nunca vemos circulando na cidade, fechavam – como se alguém tivesse medido – a avenida de lado a lado. Uma suruba de buzinaço de caminhões com os gritos de “pede pra sair”. Na frente dos caminhões parados, um caldeirão de brasileiros de todas as cores e idades, uns com, outros sem dentes. De repente, os caminhoneiros deixaram a cabine e subiram no topo das carrocerias. E desfraldaram, lá de cima, as faixas dos manifestantes que estavam no solo e enormes bandeiras do Brasil. Foi muito bonito e emocionante. Nesse momento, também senti falta de minha câmera.

Hora de voltar. Cai uma chuvinha fininha que vira uma pancada. Volto. Domingo, 15 de março. Fiz minha caminhada até a Paulista. Vivi um momento histórico, não tenho a menor dúvida. Volto correndo, a chuva cai forte. A alma está lavada.

Sou bisneta de judeus, neta de árabes e filha de paraibano. No Brasil, sou branca. Na França, sou muçulmana. Nos Estados Unidos, judia. Eu sou paulistana, trabalhadora incansável, nasci no ano do 4º Centenário dessa cidade, que não pode parar. Orgulho!
Sou a Beia Carvalho, a favor de uma Visão de Esperança para este país. Não é possível criar filhos e netos numa nação em que seu líder máximo mente descarada e repetidamente.

Quem cria filhos, sabe como é difícil e exaustivo fazer as crianças entenderem que não podem mentir nem pegar coisas e brinquedos que não lhes pertencem. E a gente educa pelo exemplo. Não é possível que as atitudes dos governantes do Brasil sejam inversamente opostas àquelas que pregamos em nossos lares e que enaltecemos entre nossos amigos, nossas escolas, empresas e comunidades.

15 de março: um marco.

300.000 menções nas redes sociais em 12 horas: das 6h às 18h do dia 15 de março de 2015.

Parabéns, São Paulo!

*Palestrante futurista
beia@5now.com.br

Brasília, 15 de março de 2015 (foto do Twitter)

Brasília, 15 de março de 2015 (foto do Twitter)

Pessoas que geram alto desempenho

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Foto de Ronaldo Ramos

Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

A definição de uma organização de alto desempenho está estreitamente relacionada ao modo como maneja estrategicamente seu patrimônio material e humano. Todas essas empresas, de uma forma ou de outra, utilizam-se de estrutura, processos e pessoas para a execução de seus negócios.

A estrutura organizacional constitui o elo de ligação entre as orientações estratégicas da companhia e sua atuação no mercado. Pode ser definida como a autoridade é atribuída por meio das relações hierárquicas e de cooperação; como as atividades são especificadas e distribuídas; como a tecnologia é adquirida e utilizada; e, ainda, como a comunicação flui internamente entre os funcionários.

O processo empresarial é um trabalho contínuo e repetitivo, com uma série de passos sequenciais para gerar um resultado desejável. É um conjunto de atividades, que usa insumos mensuráveis, adiciona-lhes valor e produz uma solução para um cliente – que pode ser interno ou externo à organização. Na prática, o processo deve prever quem realizará cada atividade, quais ferramentas serão usadas, as instruções específicas para sua execução e o resultado esperado.

Entretanto, “quem faz as coisas acontecerem são pessoas de carne e osso, não cargos, títulos ou postos organizacionais”, como diz Jack Welch. Não adianta ter a estrutura mais clara e organizada e os processos mais bem definidos se os profissionais não estiverem engajados e comprometidos com o trabalho.

Algumas pesquisas, que consideram diversos setores, indicam que boa parte dos profissionais estão sempre planejando deixar o emprego, alguns estão ativando contatos e atualizando currículos, outros ainda não se sentem comprometidos e os de mais alta performance estão sendo procurados por companhias concorrentes, com propostas melhores. E não é considerada apenas a Geração Y, cuja inquietação é conhecida por todos.

Razões essas mais do que suficientes para que as organizações se concentrem em ter líderes eficientes. O papel dos administradores é fundamental para fazer com que cada indivíduo produza o que é esperado, alinhando suas expectativas pessoais com as da empresa.

Quando exercida com excelência, a liderança estimula o comprometimento dos profissionais, conduzindo-os ao alto desempenho, o que certamente gera resultados positivos e crescentes para a organização. Portanto, líderes são ativos-chave para as empresas, e seu desenvolvimento deve ser visto nesse contexto.

Um líder tem como função planejar as ações e a direção a ser tomada, organizar ou criar os processos, fazer com que funcionem e manter o controle de tudo, para assegurar os resultados pretendidos. Ele tem que ajudar sua equipe a enxergar o cenário, motivar seus colaboradores e estimular o empenho e o comprometimento de cada um. Utilizar ferramentas, conceitos e abordagens que incentivem a participação; não apenas repassar processos e soluções acabadas.

Líderes não nascem prontos. Algumas pessoas têm determinadas características fundamentais, como carisma, facilidade de relacionamento interpessoal, inteligência aguçada, disciplina, muita perseverança e integridade. Entretanto, as possibilidades de desenvolvimento são muitas e a empresa que espera um bom trabalho de seus gestores deve ter sua identidade bem definida e adequadamente transmitida.

Companhias que pretendem ter alta performance devem ficar atentas ao processo de formação de executivos, assim como ao de substituição e sucessão. Das 100 organizações listadas pela revista Fortune nos últimos tempos, 75% responsabilizam seus líderes por engajar os colaboradores. Quando os funcionários têm uma percepção favorável de seu líder, a produtividade aumenta significativamente.

Uma organização que almeja crescer de forma constante e consistente precisa exercitar a liderança diariamente, percebendo e acompanhando o desempenho de seus executivos e ajudando-os a exercer melhor o seu papel. Isso inclui processos de formação e ampliação da capacidade daqueles que atuam nessa importante função e dos que têm potencial para chegar a ela.

*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@navitasconsult.com.br

Teoria U: diferencial para liderança e inovação

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Por Alex Anunciato*

A proposta da Teoria U é de ser uma tecnologia social que ajude a conectar os três setores da nossa sociedade: privado, público e organizações sem fins lucrativos. Trata-se de uma metodologia que busca preparar os líderes para uma visão mais sustentável do nosso planeta e das futuras gerações.

De acordo com o autor Otto Scharmer, professor do MIT, as respostas para nossos desafios estão dentro de nós mesmos e precisamos aprimorar nosso autoconhecimento, encontrar as melhores soluções e tentar colocá-las em prática. A questão do propósito de vida de cada indivíduo é fundamental nesse contexto, uma vez que o alinhamento de temáticas pessoais com o ambiente profissional proporciona maior realização e sucesso para si mesmo. E, por extensão, para a empresa e toda a comunidade na qual cada um está inserido.

“Num nível pessoal, a Teoria U ajuda as pessoas a acessarem o que há de mais autêntico em si. E isso pode ser expandido para o nível das organizações. Ficamos mais conscientes das experiências de liderança que estamos tendo em nossas vidas e podemos compartilhá-las”, diz Otto.

A Teoria U trabalha no sentido de se aprofundar e se abrir em alguns temas, conectar-se com a realidade de uma forma mais significativa e profunda, com uma verdadeira vontade de transformação para, então, emergir após o mergulho com novas transformações. Esse movimento remete ao desenho da letra U, inspirando assim o nome da metodologia e do livro com mesmo título.

A metodologia já é utilizada no Brasil pelo Instituto Ethos, no Grupo de Referência de Empresas em Sustentabilidade, e pelo Grupo Santander.

Você pode saber mais sobre a Teoria U no livro escrito por Otto Scharmer, publicado no Brasil pela editora Campus, e pelo site oficial do Presencing Institute.
https://www.presencing.com

Caso queira se aprofundar ainda mais na Teoria U, o MIT (Massachusetts Institute of Technology) oferece também um curso on-line e gratuito, pela plataforma de ensino edX: U.Lab: Transforming Business, Society, and Self.
https://www.edx.org/course/u-lab-transforming-business-society-self-mitx-15-s23x

*Consultor de Marketing e Comunicação Digital
anunciato@gmail.com

Novo desenvolvimento de lideranças

Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

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Foto de Ronaldo Ramos

Segunda década do Século XXI, e a velocidade com que as coisas acontecem no mundo trazem cada dia mais a necessidade de sermos ágeis e flexíveis. O que valia ao amanhecer não vale mais quando a noite cai; foi atualizado, modificado, reinventado, descartado, substituído.

Entretanto, ainda que uma organização consiga a tecnologia disponível no exato momento em que é lançada – o conhecimento produzido em todos os setores relacionados ao seu negócio – estará atrasada se não tiver pessoas capazes de absorver, adaptar e customizar tudo isso. Motivações, interesses, qualificações, aptidões podem influenciar muito no sucesso de qualquer empresa.

As mudanças no mercado de trabalho e as características das diversas gerações trazem também uma nova forma de relação entre os indivíduos e a corporação. Hoje, bons profissionais são disputados pelo mercado e é importante criar vínculo das pessoas com a empresa. Por outro lado, o ganho de conhecimento é responsabilidade dos indivíduos, e as organizações têm que lidar com a possibilidade de perder parcelas essenciais de sua cultura, se não forem capazes de criar redes de compartilhamento e registro das novas informações.

Esse panorama exige uma sensibilidade diferenciada para tratar a questão do desenvolvimento das pessoas, especialmente aquelas que exercem o importante papel de liderança nas empresas. A responsabilidade de liderar demanda uma série de características e percepções de diversas fatias da realidade.

Líderes precisam manejar as particularidades de cada um dentro das equipes, ter sensibilidade sobre o que motiva seus colaboradores individualmente e saber identificar qualificações; determinar quem é melhor para determinada tarefa e aquele que precisa de desenvolvimento. Líderes devem se comunicar com clareza e assertividade, negociar diariamente a distribuição e o tempo dos trabalhos, lidar com questões salariais e pessoais. Precisam estar atentos às expectativas e metas da empresa, produzir resultados de acordo com suas responsabilidades e ter consciência sobre o significado de seu empenho para a manutenção do sucesso da organização.

Quem guia a equipe precisa estar pronto para tomar decisões, mesmo que elas desagradem seus profissionais. Na maioria das vezes, sob pressão. Não basta conhecer cada membro de seu time, mas, principalmente, se conhecer e saber suas próprias limitações, qualidades e competências, para usar tudo isso a favor dos resultados perseguidos.

Ao mesmo tempo, os líderes precisam ser capazes de alinhar as estratégias de sua área com as do negócio, participar de encontros e trabalhar em harmonia com seus pares. Portanto, devem ser capazes de delegar e influenciar adequadamente, além de formar potenciais substitutos para diversas ocasiões.

Os melhores líderes podem ser construídos a partir de características pessoais, com o treinamento correto, desde que a empresa seja capaz de definir bem os papéis e as exigências da função e consiga criar uma experiência de aprendizagem positiva e significativa para as pessoas.

Hoje, a realidade não permite mais que sejam aplicados treinamentos de prateleira. É preciso considerar as idiossincrasias das pessoas, as expectativas da corporação e o contexto em que ela se insere. Além de utilizar metodologias capazes de criar interesse e aprendizado.

As melhores práticas para orientar adultos a aprender consideram que a experiência é a fonte mais rica de assimilação de conhecimento. Adultos são motivados a aprender conforme vivenciam necessidades e interesses em suas vidas. Esses são princípios da andragogia, na qual os modernos métodos de treinamento estão baseados.

A possibilidade de sucesso nos programas de desenvolvimento de lideranças que levem em conta todos esses aspectos é muito grande. Certamente, produzirão líderes com um melhor desempenho, mais focados nos resultados esperados, com uma visão sistêmica desenvolvida, maior produtividade pessoal e abertura ampliada à necessária inovação.

*Consultora de Desenvolvimento de Pessoas e Coach
carmo@navitasconsult.com.br

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