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A mineração no futuro tecnológico e econômico

Mineração

Por Ronaldo Ramos*

A tecnologia tem inegavelmente função determinante em nossa rotina. A maior parte da população mundial com acesso a meios de comunicação, produção de alimentos, saúde e transporte sabe disso. O que está cada vez mais longe do nosso conhecimento são os meios e processos de obtenção das matérias-primas necessárias à fabricação e manutenção das maravilhas eletrônicas. A compreensão do que realmente está envolvido na cadeia produtiva dos artefatos cotidianos nos leva à conclusão de que estamos aumentando a dependência da economia atual pelos minerais e pela mineração, normalmente taxados de “economia velha, passado, primitivos” – que continuam sendo os grandes responsáveis pelo progresso.

Vários elementos químicos são encontrados constantemente em nosso uso diário: ouro, cobre, alumínio, ferro, carbono, silício, tântalo, estanho, tungstênio, para citar alguns. Eles estão na composição de produtos já incorporados naturalmente à nossa vida: no relógio; nos óculos com prescrição médica; em escovas de dente elétricas; nos meios de transporte, como trens e aviões; no alerta vibratório e na bateria de telefones celulares; nos chips de computadores.

A expansão da tecnologia e da inovação em suas diversas aplicações depende, hoje, de alguns minerais estruturalmente parecidos, espalhados desigualmente pelo planeta. Chamados de “terras raras” são 17 elementos químicos muito parecidos, que diferem no número de elétrons em uma das camadas da eletrosfera do átomo. Apesar do que sugere sua designação, esses metais não são tão raros (como o ouro ou a platina). E, já que são essenciais para várias indústrias, poderiam ser chamados de “minerais valiosos”.

Terras raras são usadas em áreas de elevada tecnologia, da indústria do petróleo às telas sensíveis ao toque dos tablets, e são vistas como importantes armas militares e econômicas. Os minérios são estratégicos para os Estados Unidos e a China, para fabricar desde iPads até caças militares. Atualmente, os chineses praticamente monopolizam essas matérias-primas – com cerca de dois terços das reservas conhecidas em suas próprias terras e donos de grande parte das minas em outros países, são responsáveis por 97% da exportação de terras raras.

Os minerais valiosos são importantes para áreas como telecomunicações, geração e intensificação de imagens, produção de semicondutores e supercondutores, eletrodos dos automóveis elétricos e híbridos, ímãs de alto desempenho, indústria de informática, laser, fármacos, hospitalar, sistemas de orientação espacial e indústria bélica.

Alguns são encontrados no Brasil, como o tântalo, componente vital em baterias de celular e o responsável pela expansão da sua carga, e o nióbio, usado na liga metálica de motores de foguete. “Eles são de vital importância na indústria petrolífera. Sem eles, não há refino de petróleo, nem produção de derivados,” explicou Ronaldo Santos, pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), em entrevista à imprensa.

A partir dos produtos iniciais, precursores de toda a cadeia, pode-se dizer que o mercado mundial de “terras raras” movimenta cerca de US$ 5 bilhões por ano. Quando, porém, são considerados os números em termos de valor agregado, essa cifra pode ser multiplicada por quatro ou cinco, conforme dados do Cetem.

Embora apresente reservas estimadas de 3,5 bilhões de toneladas, o Brasil é retardatário na produção dos “minérios valiosos”. Segundo o Cetem, o problema está na falta de uma demanda pelas matérias-primas que justifique a mineração em larga escala. Ou seja, totalmente dependente de importações em todas as áreas de tecnologia, não há procura para acelerar a produção de terras raras no Brasil.

Entre os principais desafios identificados no Plano Nacional de Mineração – 2030 está ampliar a agregação de valor aos minérios extraídos e expandir a extração de metais estratégicos. No entanto, o novo Código de Mineração em discussão no Congresso representa mais um obstáculo ao desenvolvimento dessa indústria. Por consequência, também é uma ameaça à já reduzida competitividade nacional no setor de minerais com alta dependência externa, “portadores do futuro”, cuja demanda é crescente e deverá aumentar ainda mais nas próximas décadas.

*Fundador do CEOlab e professor associado da FDC
ronaldo.ramos@ceolab.net

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