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Reinvente-se, você pode!

Foto de Ronaldo Ramos

Por Maria do Carmo Tombesi Guedes Marini*

Chegou aquele momento em que você cansou do que faz, decidiu que é hora de investir em qualidade de vida, mais tempo dedicado à família, saúde e lazer; fazer coisas que lhe tragam prazer. Quem sabe é o tempo da sua aposentadoria, com o qual você sonhou, fantasiou pescarias, viagens, acordar muito tarde, ler todos os livros da livraria.

Nos primeiros dias, talvez meses, essa nova “não rotina” poderá ser muito atraente. Mas a maioria das pessoas que conheço, em um tempo menor que o esperado, acaba sentindo uma insatisfação e até uma ansiedade difícil de definir, apesar de ser quase palpável.

Acostumado como está a ter milhares de atividades e responsabilidades, circular de um lado a outro com diversas pessoas, participar de grandes decisões, você descobrirá que precisa de mais movimento. O ócio total pode ser um peso descomunal. Então, meu amigo, é hora de buscar outras alternativas de trabalho que lhe permitam viver aquilo que sonhou, sem tirar o pé da realidade.

Procurar uma nova carreira, na qual sua dedicação possa ser grande, sem exigir que você trabalhe durante tantas horas ou, mesmo que trabalhe bastante, algo que realmente lhe dê prazer é uma boa solução. Sabe como é, quem se diverte trabalhando não se cansa nem se estressa tanto. Enfim, essa é a hora de se reinventar, portanto, encontre uma ocupação que lhe traga mais benefícios.

Primeiro você deve pensar no que gostaria de fazer, onde realmente poderia usar sua energia de forma produtiva. Obviamente, você precisará ter algum preparo para desempenhar seu novo papel. Vai ser mais difícil ser chef de um restaurante se você nunca passou perto de uma cozinha, certo? Mas não é impossível.

Pesquise sobre suas áreas de interesse, se puder faça até uma espécie de estágio num trabalho semelhante ao que busca. Enfim, descubra o que lhe falta de formação ou habilidades para que possa desempenhar bem sua nova função. Se precisar de capacitação, não hesite, vá buscá-la, pois ganhará autoconfiança.

Obviamente você precisará construir um discurso que inclua seu passado na sua nova escolha, ou seja, mostre que sua carreira anterior não foi um erro. E que a próxima é consequência das experiências que sua vida profissional lhe trouxe. Tenha convicção e certeza de que, ao começar seu novo trabalho, as pessoas consigam ver coerência entre o que você fazia e o que está fazendo. Voltando ao exemplo do chef, você pode demonstrar que sempre se interessou por cozinha, começou a cozinhar para os amigos e descobriu muito prazer nisso, de forma que sua mudança de profissão foi o resultado de um processo que vinha se desenvolvendo gradativamente.

Atualize todos os contatos da sua rede de pessoas conhecidas, apresentando seu novo papel. É interessante fazer uma lista daqueles que poderão ser úteis na sua nova profissão e enviar e-mails contando sobre sua “reinvenção”. Evite e-mails coletivos, é melhor gastar um tempinho maior e fazer mensagens individuais, que permitem pedir conselhos, recomendações e apresentações. Se puder, envolva-se em projetos que tenham relação com a sua nova área, mesmo que, no início, não sejam muito lucrativos, pois é uma forma de expor suas habilidades e fazer contatos.

Uma grande ajuda pode vir de artigos em jornais e revistas, palpites em discussões na Internet, palestras em seminários ou encontros da área. Lembre-se que você precisa mostrar seu valor e sua capacidade para ser conhecido novamente. Certamente, aquelas qualidades pessoais que o destacaram na profissão anterior serão lembradas e somarão pontos positivos ao seu novo “eu”. Insista em mostrá-las, porque podem ser a chave para portas importantes.

Tenha certeza de que você é um entre muitos. As pessoas têm buscado a felicidade com mais determinação. Ser feliz está na moda!

*Consultora de Carreira e Coach
carmo@navitasconsult.com.br

Vamos conversar?

Foto de Ronaldo Ramos

Por Ronaldo Ramos*

Há algum tempo estou com o pensamento detido na importância de conversar. Falar sobre qualquer coisa, tema, lugar, momento, com qualquer um. Comunicar-se, uma prática que aos poucos vamos deixando de lado, principalmente em grandes conglomerados urbanos. A correria, o trabalho, os compromissos com estudos, filhos, casa, família, ginástica, beleza, necessidades reais e supérfluas, a era da informação digital, as filas, as multidões, tudo isso contribui para o afastamento interpessoal.

O ser humano vive no século XXI os momentos de incertezas da comunicação, das crises políticas, sociais, ambientais, comportamentais, militares, geológicas, culturais, econômicas e religiosas. Apesar dos modernos meios de transporte e transmissões via satélite e Internet “reduzirem” as distâncias na sociedade contemporânea, também afastam as pessoas umas das outras no sentido em que mudam expectativas e interesses. Com novas tecnologias à mão, a velocidade de disponibilização da informação cresce, o volume de dados aumenta exponencialmente e o processo competitivo instalado na sociedade torna os hábitos de comunicação, em vez de mais simples, cada vez mais complexos e de mais difícil compreensão.

Há certo sedentarismo conversacional, uma dificuldade de enxergar o outro que está logo ali, ao lado e em volta da gente. Talvez uma crença de que seja melhor ficar calado para não se expor, por medo de ser julgado, condenado, agredido ou, simplesmente, vítima de preconceito. O indivíduo tecnológico parece estar mais distante do contato pessoal informal e se esconder atrás da tela do computador ou dentro de seus “headphones”, quem sabe atraído pela possibilidade do “multitasking”, que dá uma sensação de novos e eletrizantes superpoderes.

Cumprimentar verdadeiramente as pessoas que encontramos no dia a dia, desde membros da família, profissionais do prédio onde moramos, vizinhos ao entrar no elevador, colegas de outro departamento na nossa empresa, prestadores de serviço, é uma atitude que gera bem-estar geral. Olhar com respeito para o indivíduo que está também sendo empurrado para dentro ou fora do ônibus e do metrô, demonstrando e pedindo solidariedade, ou para aquele motorista ou motociclista parados ao nosso lado no trânsito, é um reconhecimento do ser humano que está ali. É uma tentativa de enxergar através das pessoas que se infiltram em nosso cotidiano, um resgate da sensibilidade que a civilização tende a consumir. Cada um tem seu próprio mundo sendo carregado na mente e no coração, como um caracol com a sua casa exoesquelética.

Uma pesquisa realizada com depoimentos espontâneos de 3 mil profissionais pelo Love Mondays, site brasileiro de avaliações anônimas sobre empresas, mostrou que na área de comunicação e mídia as pessoas admiram e gostam mais dos seus colegas, com 33% dos depoimentos evidenciando isso. Em seguida, setores de viagens, turismo e lazer e de educação, com 27% e 19%, respectivamente.

Os profissionais de Humanas poderiam naturalmente se relacionar mais com outras pessoas, porque, em princípio, são mais abertos a conversar e conhecer melhor seus colegas. Não necessariamente isso acontece ou se traduz em conversas de qualidade. Todas as companhias, independentemente da área de atuação, apresentam oportunidades de incentivar a interação pessoal entre os funcionários. Por passarmos boa parte do dia no trabalho, a troca entre os indivíduos é um ponto essencial para o crescimento pessoal e organizacional.

No trabalho de mentoria de executivos, sócios, CEOs e empreendedores, sempre me deparo com a importância da conversa. Quando procuramos desenvolver nossa rede de contatos, de apoio, de aconselhamento, idem. É pela conversa que podemos identificar as raízes, as histórias, as vidas que estão por trás do semblante de muitas feições, roupas e outras coisas superficiais. Sempre podemos também refletir sobre qual parte nossa pretendemos compartilhar ali, naquele momento, o que faz sentido, para nós e para o outro.

A “criança rebelde”, que se enfurece contra tudo e todos, ou o “nariz em pé”, poderoso, intocável, impunível, são posturas de isolamento. A cada instante fazemos escolhas que são nossas e devemos procurar ter consciência e responsabilidade. Muitos gostam de se sentir ou serem vistos como águias, com visão aguçada, voo rápido, excelência física, preparo, determinação. Talvez outros prefiram a figura da coruja, que faz tudo o que a águia faz só que no escuro, no desconhecido, na noite, investigando sobre os segredos ainda por desvendar.

Às vezes, escolhemos o modelo do herói, da necessidade de sermos sempre úteis, a qualquer custo individual, de realizar sempre o desejo do rei, sem refletir em nossos próprios desejos a energia necessária para o movimento. Ou, ainda, o mágico, que surpreende todos, principalmente aqueles que subestimam o tempo de preparo e de estudo que precedeu determinada apresentação. Mas a pergunta fica… Quem ou o que realmente queremos compartilhar e comunicar?

O simples exercício de iniciar uma conversa já é um grande passo. Tomar a iniciativa e tentar descobrir o ouro que existe no outro. E, aos poucos, nos apoderarmos de nossas próprias fortalezas, podendo até reconhecer coisas que podemos e precisamos administrar melhor em nós mesmos. Diálogo, empatia, verdadeira vontade de investigar os tesouros do ser humano por meio de trocas renovadoras, energizantes, acolhedoras e divertidas. Sair com a sensação de que aquela conversa, interação, contato valeram a pena. Que houve troca. E agora somos capazes de co-criar, co-laborar, co-imaginar, co-locar novas ideias no Universo.

Quem sabe, de vez em quando, ajudar alguém a encontrar seu próprio coelho perdido. Em seguida, observar o coelho sendo colocado na cartola por quem o reencontrou, para depois ser retirado durante a atividade escolhida. Um sonho? Precisamos conversar, perguntar, descobrir, interagir, para que o coletivo ganhe. O que você realmente acha que está acontecendo? Teria feito diferente? Como você está? São questões que podem transformar significativamente a energia do seu ambiente de trabalho.

*Fundador do CEOlab e professor associado da FDC
ronaldo.ramos@ceolab.net

A oportunidade da crise

Foto de Ronaldo Ramos

Por Danilo Cury*

“O pessimista vê uma crise em cada oportunidade. O otimista vê uma oportunidade em cada crise.”
Winston Churchill (1874-1965)

Uma das palavras mais faladas até agora, no século XXI, é CRISE, que se origina do grego “krisis” e significa algo próximo de uma decisão inadiável. O ideograma chinês para o termo representa “grandes crises, grandes oportunidades”. É nas crises que se define quem vai comandar a Era seguinte; aqueles que lideraram e decidiram com acerto ao enxergar as melhores oportunidades em um horizonte de incertezas.

Como bem disse Sun Tzu há milênios: “Nos tempos de paz, devemos nos preparar para a guerra e, nos tempos de guerra, para a paz.” Toda organização deve estar preparada para a crise e isso se faz durante a bonança. Os gabinetes e protocolos têm que começar a funcionar imediatamente assim que a crise se instala. Normalmente, ela vem de onde menos se espera. Portanto, nenhum tipo de prevenção é excessivo. Como engenheiro, costumo trabalhar com um bom “coeficiente de segurança”.

Para aqueles que nunca se prepararam, antes tarde do que nunca. Deve-se aproveitar para reestruturar o seu setor ou a sua empresa, tornando-o (a) mais enxuto (a) e aumentando sua produtividade. É preciso ter o melhor sistema financeiro possível, com dados atualizados diariamente.

O endividamento e a formação excessiva de estoques devem ser estudados com muito cuidado. A oportunidade é para renegociar as dívidas em circunstâncias mais favoráveis. Aliás, temos que renegociar tudo: contratos de serviços, preços de fornecedores, valores de pagamentos a colaboradores etc. Além de esticar os prazos para pagamentos e reforçar as datas de recebimento pré-estabelecidas (fuja dos maus pagadores). Por outro lado, podem surgir boas oportunidades de aquisições, em um cenário no qual ótimos colaboradores e prestadores de serviços cobram preços muito menores do que vinham praticando.

É a oportunidade para otimizar, procurar novas tecnologias mais econômicas, sustentáveis e produtivas – sustentabilidade nunca significa aumento de custos. E os colaboradores devem fazer reciclagem sempre que necessária.

Precisamos levantar a cabeça, decidir com firmeza, não dar ouvidos aos pessimistas, às fofocas e seguir em frente, haja o que houver.

Uma boa liderança é fundamental. Como dizia o filósofo e economista Peter Drucker (1909-2005), até hoje considerado o “mestre dos mestres” e o “homem que inventou a administração”: “Na crise, não existe liderança compartilhada. Quando um barco está afundando, o capitão não pode convocar uma reunião para ouvir pessoas.”

*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br

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