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Planejamento estratégico

Por Danilo Cury*

Recém-formado, fui trabalhar na área de planejamento e marketing em um grupo nacional de grande porte, que atua na área financeira e industrial. Embora tenha ficado lá somente dois anos, aprendi mais que nos cinco anos de faculdade.

O que me ajudou muito, profissionalmente e na vida de um modo geral, foi a tradução de um artigo da revista Harvard Business, lida durante uma reunião de diretoria para decidir a vocação do grupo e por onde deveria caminhar nos anos seguintes. Enfim, fazer o planejamento estratégico do mesmo.

O artigo descrevia como planejar e tomar decisões e continua, passados 30 anos, muito adequado aos dias de hoje. Em síntese, mostrava que precisamos ter um plano de longo prazo para a vida pessoal e profissional. Assim, fica mais fácil tomarmos decisões. Além disso, entre outras coisas, afirmava que um plano bem feito deve ser baseado também em previsões. Para decidir e prever, temos que usar nossos conhecimentos, nossa experiência, mas, sobretudo, nossa intuição. Na verdade, a intuição representa o processamento de toda a sabedoria que temos armazenada em nossa mente. As mulheres geralmente têm esse dom mais apurado que os homens.

Não se deve adiar as decisões. Uma decisão tomada com bom senso e de forma tranquila, porém não muito adequada, é melhor que a indefinição. Devemos nos preocupar mais com as decisões de longo prazo, estratégicas; as de curto prazo, táticas, podem ser facilmente reformuladas e não afetam tanto a nossa vida.

Devemos ter um planejamento estratégico para a nossa empresa, deixando bem claro para onde devemos caminhar. Temos que definir o tamanho do negócio, as técnicas com que queremos trabalhar e o segmento em que vamos atuar. No dia a dia, vamos tomar nossas decisões importantes com base nessa linha, sem adiá-las, e, principalmente, sem perder tempo com as questões táticas.

Pela atuação do grupo em que trabalhei, nas décadas seguintes, pude perceber que esses parâmetros foram fundamentais para seu crescimento. Hoje em dia, é um grupo muito sólido, que inclui o primeiro maior banco privado do país e a maior indústria da área em que atua.

Danilo Cury
*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br

 

 

Como e porque criar um projeto editorial

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Por Alex Anunciato*

Um projeto editorial é um documento que apresenta as orientações do seu produto editorial, que pode ser um jornal, site, blog, revista, canal no YouTube ou o que a sua imaginação mandar. Esse documento descreve qual será o tom de voz utilizado, quais editorias e temas você pretende destacar e todas as demais informações sobre o que irá escrever e como. Serve tanto para um projeto individual quanto para um projeto coletivo, no caso de uma revista com diversos colaboradores.

Existem muitas vantagens de planejar e desenvolver com carinho o seu projeto editorial. Dentre as quais, destaco:

  • Maior clareza e foco da linha editorial (o que fortalece seu projeto, possibilidades de parcerias, negócios etc.);
  • Facilidade de trabalhar em equipe (uma vez que toda linha editorial já foi planejada e está tudo documentado);
  • Fidelidade do seu público-alvo (que, a partir da sua coerência e relevância, se torna um seguidor fiel das suas publicações).

Estes são alguns dos elementos que podem ser adotados na definição de um projeto editorial:

Nome da publicação
“Revista Biotech” (exemplo fictício).

Objetivo
Defina a missão da sua publicação:
“O objetivo é fazer uma abordagem didática e informativa sobre avanços, inovações e desafios relacionados a biotecnologia, bioética e biohacking.”

Público-alvo
Quanto mais claro for quem é seu leitor mais bem dirigida será a publicação:
“A publicação é direcionada ao público empreendedor e universitário paulista, de todos os gêneros, na faixa etária entre 18 e 30 anos.”

É claro que você pode escolher falar com pessoas de todo o Brasil e até de todo o mundo. Vale lembrar que quanto mais você fecha o seu foco, dentro de um nicho específico, mais forte fica nesse segmento e isso aumenta a empatia com o seu público, aumenta suas possibilidades de parcerias etc.

Política editorial
Como pretende alcançar seus objetivos:
A “Revista Biotech” visa a tornar temas como biotecnologia, biohacking e bioética mais atraentes para o público universitário e jovens empreendedores. A abordagem se dará pela ótica da geração de negócios e inovações. Seus conteúdos serão objetivos e, sempre que possível, apresentados com relatos de caso reais.

Tom de voz
Defina a Persona: se sua publicação fosse uma pessoa, como ela seria?
(Curiosa? Amável? Fria? Descontraída? Essencialmente técnica?).
Defina a Linguagem: simples, informal e divertida ou mais complexa, formal e séria?
Sua voz reflete seu objetivo inicial? (Nesse caso: ensinar e informar).

Editorias ou Seções
Defina as principais seções da sua publicação. Sobre quais temas pretende falar com mais frequência?
Seguindo o exemplo, uma revista (site ou blog) poderia ter as seguintes seções: Genética, Biotecnologia, Bioética, Biohacking e ainda uma área de Entrevistas ou um Tutorial.

Periodicidade
Qual será sua frequência de publicação?
Pode ser mensal, bimestral (com artigos extensos e bem elaborados) ou pode ter vários posts diários com rápidas notas sobre o que acontece de mais relevante nesse universo.

Além disso, você deve dedicar uma atenção especial às mídias sociais, que possuem picos de audiência em determinados dias e horários. Publicando na hora certa você tem mais chances de impactar pessoas e tornar seu conteúdo conhecido.

Canais de publicação
Em quais plataformas sua publicação se fará presente?
Será uma publicação impressa? Terá um site e blog?
Presença em redes sociais? Em quais redes sociais? Com que frequência?
Será possível acessar com facilidade seus conteúdos pelo celular?
Você usará as novas mídias apenas para replicar conteúdos da mídia original ou irá trabalhar de forma integrada e complementar?

Para fazer um melhor uso dos meios digitais, lembre-se que nesses canais tudo pode ser medido e melhorado continuamente. Ferramentas de análise de tráfego (como Google Analytics e Facebook Insights, dentre outras) podem lhe dizer quais dias e horários de publicação estão trazendo mais ou menos resultados para o seu projeto. Faça suas experiências.
Concluindo, todas as escolhas realizadas estão alinhadas o objetivo da sua publicação e as características do seu público-alvo? Lembre-se que o objetivo do seu projeto editorial é estabelecer identidade.

Quando você planeja e define com antecedência todos esses aspectos, cria uma uniformidade no projeto editorial e isso reflete mais profissionalismo e consistência em todos os seus conteúdos.

*Consultor de Marketing e Comunicação Digital
anunciato@gmail.com

Prepare-se para a crise

Image courtesy of vectorolie at FreeDigitalPhotos.net

Image courtesy of vectorolie at FreeDigitalPhotos.net

Por Danilo Cury*

“Na paz, se prepare para a guerra, na guerra prepare-se para a paz.”
Sun Tzu

Sun Tzu (544-496 a.C.) foi um estrategista de guerra, general do Rei Hu Lu e filósofo chinês. Deixou um tratado militar chamado A Arte da Guerra. Diversos dos seus ensinamentos são épicos, além do citado acima, como: “o verdadeiro objetivo da guerra é a paz” e “para ganhar todas as batalhas, você precisa conhecer a si mesmo e ao inimigo; se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória, sofrerá uma derrota; se você não se conhece, nem ao inimigo, perderá todas as batalhas”.

Ainda podemos ir ao Egito, numa história do antigo testamento, também séculos antes de Cristo, em que o Faraó ficou perturbado por um sonho, em que sete vacas magras devoravam sete vacas gordas, sete espigas murchas de grãos consumiam sete saudáveis. José, que foi vendido por seus irmãos como escravo, interpretou o sonho, dizendo que haveria sete anos de abundância, seguidos por sete anos de fome e aconselhou o Faraó a começar a armazenar o excedente de grãos para os anos difíceis, que certamente viriam.

Nas corporações, as coisas não vão ser diferentes. Mais cedo ou mais tarde poderá vir a crise, a época das “vacas magras”. Como se preparar?

Primeiro, é necessário conhecer bem o mercado e ter todos os dados atualizados do seu setor, de sua empresa. Por incrível que possa parecer, ainda existem CEOs e diretores que não conhecem a fundo a organização em que trabalham. É preciso estabelecer protocolos, isto é, formas de atuação, além de preparar líderes para comandar o gabinete de crise, que deve ser imediatamente estruturado quando começar a tormenta.

Uma equipe formada por profissionais jovens, criativos e também por pessoas experientes; uma boa imagem, em que a preocupação com a qualidade e a sustentabilidade é essencial; diversificação de clientes e uma marca conhecida (nunca podemos nos esquecer da divulgação institucional) também são fatores essenciais para enfrentar crises. Toda empresa deve ter uma reserva financeira, para não ficar correndo atrás de empréstimos, a juros, muitas vezes, extorsivos.

A crise pode chegar em um momento inesperado e de uma forma imprevista. Pelo menos, nos prevenindo, teremos mais tranquilidade para enfrentá-lá e fazer planos adequados à corporação nos tempos de bonança.

*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br

Sem medo de organizar as finanças pessoais

Foto de Ronaldo Ramos

Por Danilo Cury*

Várias pesquisas feitas por entidades de defesa do consumidor, nos Estados Unidos, mostram que aproximadamente 50% dos entrevistados têm fobia de lidar com finanças pessoais. Boa parte deles diz que nem acompanha o saldo de suas contas e, muito menos, abre os envelopes que vêm dos bancos.

No Brasil, com todas as incertezas na área econômica, creio que essa dificuldade é ainda mais acentuada. Sintoma muito preocupante e um dos motivos pelos quais temos um dos maiores índices de endividamento pessoal do mundo, apesar das estratosféricas taxas de juros cobradas nos empréstimos.

A perspectiva piora quando observado o retorno médio mensal das aplicações de renda fixa, de 0,7%, enquanto as instituições cobram até 5% ao mês pelo crédito pessoal. Portanto, se você investir R$ 10.000 num Fundo DI, depois de um ano terá R$ 10.873. Já uma dívida do mesmo valor se transforma em R$ 17.959 no mesmo período, sem considerar a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) pelo governo. Imaginem isso ao longo de anos!

As pesquisas também revelam que as mulheres, em geral, são mais fóbicas que os homens, da mesma forma que os muito jovens ou mais idosos. É importante que as pessoas com disponibilidade financeira procurem analisar racionalmente seus investimentos. Conheço bons profissionais que perderam todo o dinheiro acumulado após muitos anos de trabalho por seguir o conselho de “amigos” de boa lábia.

Uma parte dessa fobia vem da linguagem propositalmente complexa que alguns profissionais do setor utilizam. Finanças pessoais é um assunto muito mais simples do que se imagina e tem como ciência alguns princípios básicos:

1- Só contraia dívidas em situações de extrema necessidade ou quando você tiver uma oportunidade que realmente valha a pena e renda pelo menos três vezes mais do que vai pagar de juros pelo empréstimo.
2- Nunca direcione mais de um terço de seus investimentos a uma só aplicação e/ou instituição financeira. Diversifique; nunca “coloque todos os ovos na mesma cesta”.
3- Escolha instituições financeiras sólidas, que tenham boa credibilidade. Fique atento aos boatos. Já vi muitos bancos passarem por sérias dificuldades e até quebrarem por causa de rumores.
4- Evite ser avalista ou emprestar dinheiro. Em transações feitas com amigos, geralmente se perde o dinheiro e o amigo.
5- Prefira investimentos com liquidez e procure ter uma reserva que dê para viver pelo menos um ano sem trabalhar.
6- Busque uma boa rentabilidade, mas não acredite em taxas milagrosas.
7- Para quem gosta de investir em imóveis, aplique em fundos imobiliários. Você terá menos problemas e possivelmente um maior rendimento.
8- Aja da mesma forma em relação ao mercado acionário. Os fundos de ações geralmente têm uma taxa baixa de administração e, assim, vale a pena pagar para que profissionais da área sempre avaliem as melhores oportunidades.
9- Pense no seu futuro. Aplique em fundos de previdência. A população está com uma expectativa de vida cada vez mais alta e, provavelmente, você vai viver mais que seus pais e avós.
10- E nunca esqueça o velho ditado: compre na “baixa” e venda na “alta”. Quando um tipo de investimento está aparecendo muito na mídia, geralmente é hora de sair dele.

Como no caso de todas as fobias, o primeiro passo é aceitá-la e enfrentá-la. Procure ler reportagens que abordem esse tema de forma clara e converse com bons profissionais do setor. Sempre acompanhe os extratos bancários para controlar suas finanças. Você vai perceber que a vida ficará muito mais fácil.

*Especialista em planejamento e execução de negócios
dan_cury@terra.com.br

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