Drones – Uma realidade que chegou para ficar

photo-by-annie-spratt-cc0

Por Valesca Elisa Michelon*

As novas tecnologias vêm transformando drasticamente o mundo como o conhecemos. Essa afirmativa torna-se ainda mais surpreendente se considerarmos que no início do século XX não tínhamos sequer aviões. O que existia eram meros ensaios de equipamentos que mal saíam do chão. De lá para cá o homem já chegou até a lua e criou observatórios habitados no espaço. Podemos nos deslocar de um hemisfério a outro em não mais do que algumas horas, e nos comunicar em tempo real, por áudio e vídeo, com pessoas que estão do outro lado do mundo. Algumas poucas décadas atrás, tudo isso não passaria de ficção científica.

Os Drones são mais uma destas inovações fantásticas que surgiram nos tempos modernos e cada vez mais parecem ter vindo para ficar. Esses equipamentos, que já nasceram complexos, são aperfeiçoados diariamente, e podem servir em benefício da humanidade quando bem empregados, tais como logística, emergência médica, agronegócios, salvamentos, vigilância de fronteira e patrimonial, ajuda humanitária em ambientes hostis e uma infinidade de outras utilidades, por outro lado por serem equipamentos extremamente poderosos podem ter sua utilização desvirtuada podendo se tornar armas perigosas, tais como invasão de privacidade, tráfego de drogas, de armas, terrorismo, atentado a segurança de pessoas e países.

Não obstante, a regulamentação dessa atividade não tem acontecido na mesma velocidade das inovações, o que acaba por deturpar e complicar a correta utilização destes equipamentos. Essa lacuna nos regulamentos dos Drones, implica em grandes prejuízos para a sociedade, podendo, inclusive, colocar vidas em risco.

O primeiro Drone brasileiro ficou registrado como BQM1BR, um protótipo de VANT que funciona com propulsão a jato, e que voou pela primeira vez em 1983.
Porém, os investimentos na tecnologia Drone no Brasil só ganharam força a partir do ano 2000, com o lançamento do Projeto Arara (Aeronave de Reconhecimento Autônoma e Remotamente Assistida), com a finalidade de atingir o mercado civil.

O Brasil é o país que mais pesquisa por Drones da América Latina, e foi o terceiro a regulamentar essa atividade, ficando atrás somente do Chile e da Argentina.
Atualmente, a Polícia Federal Brasileira possui Drones que vigiam as fronteiras do país. A tecnologia também foi utilizada para a transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2014, através de imagens aéreas, e nas Olimpíadas de 2016, com a mesma finalidade.

Em 2011, a ICAO (International Civil Aviation Organization), organismo regulamentador das atividades aéreas mundiais, do qual o Brasil é signatário, divulgou circular de nº 328-NA/190 que tinha como objetivo informar sobre a integração dos Vants (Veículos aéreos não tripulados) ao espaço aéreo segregados e aos aeródromos, considerar as diferenças entre a aviação tripulada e a não tripulada, e encorajar seus Estados membros a contribuírem com suas próprias experiências para uma normatização do uso desses equipamentos.

No Brasil, a competência de legislar sobre regulamentação do espaço aéreo brasileiro é do DCEA. Em 19 de novembro de 2015 foi publicada no Diário Oficial a promulgação da Instrução de Comando Aéreo (ICA) de número 100-40, que tinha por finalidade servir como guia para regulamentar o uso dos Drones em espaço aéreo segregados e aeródromos, compartilhando com aeronaves tripuladas dentro do espaço aéreo Brasileiro.

No mesmo ano a ANAC fez uma consulta popular sobre Drone, de nº 13/2015 com pretensão de regulamentar até as Olimpíadas de 2016, mas sem sucesso.

Da consulta pública realizada pela ANAC nasceu a RBAC-E 94, editada em 02/05/17, a normatização em questão basicamente teve como norte a Circular 328 da ICAO, e as regras da Aviação Civil Internacional atuais, entretanto alguns pontos relevantes foram definidos, tais como classificação das aeronaves não tripuladas por peso.

  • Classe 1: RPA com PMD maior que 150 kg;
  • Classe 2: RPA com PMD maior que 25 kg e menor ou igual a 150 kg;
  • Classe 3:RPA com PMD menor ou igual a 25kg.

Muito embora cada classe tenha suas particularidades de operação, alguns pontos definidos são relevantes para operação na classe 1 e 2 tais como:

  • Idade mínima para operação: 18 anos.
  • Os pilotos deverão possuir Certificado Médico Aeronáutico de 5ª Classe (Emitido segundo RBAC nº 57) e habilitação para operar.
  • Todas as aeronaves devem possuir RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro).
  • Todos os voos deverão ser registrados.
  • Seguro contra terceiros será exigido em todas as categorias.

A regulamentação ainda adentra a questão de atividades ilícitas e invasão de privacidade que serão tratadas pelas autoridades de segurança pública competentes e as punições também estão previstas na Resolução nº 25/2008.

É importante ressaltar que a Regulamentação trata somente de aeronaves civis, não estão em questão as aeronaves militares.

Em tempo, é preciso notar que a normas da ANAC não são as únicas que devem ser observadas para operação dos Vants – tem que se obedecer, ainda, as regras do DECEA e da ANATEL.

Os Drones já fazem parte da nossa realidade, e chegaram para beneficiar a cadeia logística de diversos setores.

Valesca Elisa Michelon
*Advogada. Pós Graduada em Direito Aeronáutico.
v.michelon@outlook.com

Hobby e Performance Profissional do CEO

photo-by-paolo-candelo-cc0

Por Pedro Lins*

Milhares de CEOs e Executivos de empresas em todo o mundo se questionam: as atividades praticadas fora do trabalho/Hobby contribuem para a melhor performance profissional? Se sim, o que e como devo praticá-la?

Visando contribuir com este pensamento, elaborei algumas questões e respostas para uma melhor reflexão.

Os hobbies são essenciais para baixar os níveis de estresse, o que consequentemente melhora a produtividade no trabalho? como é possível conciliar o trabalho com um hobby e como essa prática de atividades no tempo livre pode ajudar no desempenho do profissional?

No atual estagio de desenvolvimento profissional, não é possível imaginar um executivo de empresa que não desenvolva alguns hobbies (no plural mesmo), visando não somente baixar seu nível de stress, mas principalmente para ampliar sua competências e habilidades profissionais.

A conciliação do trabalho com alguns hobbies deve acontecer com muita naturalidade.
O primeiro passo é o executivo definir qual o propósito dele como profissional? Para que ele escolheu ser um líder? Como ele se surpreende, como espera fazer a diferença, e como construirá o seu legado?

Ao definir seu proposito, ele perceberá que não o alcançará, se não tiver algo diversificado que o auxilie a alcançar seu propósito.

O mecanismo deste alcance é a realização de um hobby, que pode ser algo bem ativo, exemplo, praticar um esporte de alta intensidade ou radical, como squash ou paraquedismo, ou algum hobby com mesmo movimentação corporal, mas mais intelectual como: estudar filosofia, musica, ciências etc, ou fazer um trabalhos manuais ou voluntariado.

Qualquer uma destas atividades ampliará muito as competências e habilidades profissionais do executivo. Colaborando para que ele se torne não somente um profissional melhor, mas também um ser humano mais completo.

Quais são os principais desafios e problemas que os profissionais apontam como obstáculos para não praticar atividades em seu tempo livre e como eles podem mudar essa realidade?

O principal desafio é o profissional definir qual o seu propósito como executivo, para que ele escolheu está carreira/posição, pois não conhece nenhum líder que foi obrigado a ser líder.

Ser líder é uma escolha, da mesma forma que é uma escolha decidir ou não fazer uma atividade fora do trabalho, que o leve a um patamar mais alto. Que o torne um executivo melhor, e a decisão de ter ou não um hobby sai desta escolha.

Na minha opinião, um profissional que se auto desculpa, com o argumento, “NÃO TENHO TEMPO … BLA BLA BLA…”, na verdade está enganando a si mesmo, pois todos temos as mesmas 24hs por dia, e como milhares de executivos conseguem e eu não consigo.

A razão é uma só, o hobby não está no propósito do executivo, por isso ele não faz – ponto.

Quando você tem um propósito, de ser e de fazer algo mais pela sua vida, o executivo com certeza encontrará tempo para fazer algum hobby que o leve a um novo patamar profissional.

Quais atividades que podem ser praticadas e em como elas ajudam o CEO/Executivo a se tornar um profissional melhor?

Mais do que discorrer sobre inúmeros hobbies que um executivo para realizar como: Música (ouvir, cantar ou aprender um instrumento); Novos idiomas; Tecnologia (aprender a programar ou aprender algo diferente); Escrita criativa e/ou Storytelling; Caminhar ou Correr; Fazer stand-up comedy; Meditação, entre outras inúmeras atividades, uma grande pergunta é:

O que mais o profissional pode fazer em seu tempo livre para aumentar sua qualidade de vida, tornando-o mais motivado e produtivo no trabalho?

Meu conselho é: faça trabalho voluntário. Seja alguém que faz a diferença na sociedade, busque uma causa que o atraia, que o deixe feliz, que o torne um cidadão ativo, participativo, que se surpreenda, fazendo algo que nunca fez.

Posso colocar aqui a minha experiência pessoal. Desde que fiz o meu primeiro trabalho voluntário, e nunca mais parei, descobri que somente eu posso construir meu legado, de contribuir para uma sociedade melhor. Na qual minha carreira só teve sucesso.

Grande abraço.

Pedro Lins
*Mentor e conselheiro do CEOlab, consultor em Competitividade Sustentável/Conduta Empresarial Responsável (CEO da FIX-CS), professor convidado da Boston University (BU), e professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC).
pedrolins@fix-cs.com

Crise na Península Arábica: a ruptura com o Catar

Por Vinicius Melleu Cione*

No dia 05 de junho, o mundo assistiu surpreso à ruptura das relações diplomáticas por parte de quatro países árabes − Arábia Saudita, Bahrein, Egito e Emirados Árabes Unidos (E.A.U.) − com o Catar, sob o pretexto de que a monarquia “apoia organizações terroristas” e contra sua alegada proximidade com o Irã. No dia 23, este grupo, ao qual se somaram Líbia, Iêmen e Maldivas, enviou uma lista contendo treze ações que Doha deveria cumprir no prazo de dez dias para que as negociações fossem retomadas, prontamente rechaçadas pelo regime catariano por constituírem uma violação de sua soberania.

A surpresa se dá principalmente porque os países em questão não têm grandes divergências políticas, conformando inclusive várias organizações em conjunto, como o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), a Liga Árabe e a OPEP.

O fato de a ruptura ter-se produzido sem qualquer provocação pela parte catariana e de forma tão repentina, sem prévias advertências, sugere que o afastamento diplomático já estava sendo premeditado e muitos analistas o têm relacionado à visita do presidente Donald Trump à Arábia Saudita entre os dias 20 e 22 de maio.

Cabe enfatizar a liderança da Arábia Saudita neste bloco anti-Catar, uma vez que se trata de uma potência regional fortemente militarizada, o maior país árabe da Ásia, o principal exportador mundial de petróleo e o detentor da segunda maior reserva de petróleo e a sexta maior reserva de gás natural do mundo.

Ainda que não tenham a mesma força que a monarquia saudita, o Egito e os E.A.U. também merecem um destaque: o primeiro por contar com a maior população do mundo árabe, uma economia diversificada e o estratégico Canal de Suez e o último por ser um dos países mais ricos do mundo (em PIB per capita), ter um IDH considerado “muito elevado”, além de uma pujante economia baseada em turismo, construção civil e combustíveis fósseis, com a sexta maior reserva de petróleo do mundo.

O Catar, por sua vez, tem o segundo maior PIB per capita do mundo, é o principal produtor de gás natural liquefeito e compartilha um vasto território subaquático com o Irã. O país mantém também uma política internacional mais independente de injunções externas e, em certo sentido, mais pragmática, articulando com grupos que os outros governos da região evitam dialogar, mas que constituem inegavelmente atores importantes no cenário local, como a Irmandade Muçulmana egípcia, o Hamas palestino e militantes xiitas do Iraque. Por fim, é de fundamental importância a rede de telecomunicações Al Jazeera, que, em muitos temas, alcançou um nível de liberdade de expressão rara entre as submissas emissoras dos outros países da região.

O afastamento tem consistido até agora na expulsão de cidadãos catarianos, num pesado embargo econômico e na imposição de um bloqueio aéreo, marítimo e terrestre a um país que tem a Arábia Saudita como único vizinho em sua fronteira por terra. É importante ressaltar este “até agora”, pois, dependendo da duração do bloqueio diplomático, Doha poderia ainda se retirar dos blocos de integração regionais e em último caso − como uma hipótese bem remota dadas as severas implicações para a economia política internacional − seria possível até que a tensão escalasse para um embate militar.

O Egito aliás mantém uma postura ainda indefinida quanto ao Canal de Suez, pois permitiu a passagem de um navio com uma carga considerável de gás natural catariano com destino à Espanha no dia 09, mas barrou outro no dia 14 que se dirigia à Inglaterra, obrigando-o a refazer a rota pelo Cabo da Boa Esperança (o dobro do percurso previamente planejado).

No caso dos Estados Unidos, sua posição no conflito é ambígua. É muito provável que a Arábia Saudita esteja agindo em coordenação com a grande potência, ainda mais diante da proposta de uma “OTAN árabe” − a ser liderada pelos próprios sauditas e contrapondo-se principalmente ao Irã − anunciada no momento da visita do representante dos EUA ao país.

É significativo ainda o fato de o presidente Trump ter escolhido Riad como seu primeiro destino internacional. Os tweets que postou pouco depois da eclosão da crise diplomática, endossando as críticas ao Catar, indicam uma forte inclinação da política externa da grande potência a favor da ação saudita.

Por outro lado, pode ser que o presidente dos EUA tenha sido “forçado” a aceitar tal atitude, devido à força do lobby saudita em Washington e à sólida estrutura político-militar do país na Península Arábica. Deve-se recordar que os Estados Unidos mantêm boas relações com todos os países envolvidos e a base militar de Al Udeid, no Catar, é importante em suas operações no teatro de guerra sírio.

Outro indício desta ambiguidade está na operação de venda de armas ao Catar durante esta crise, o que configura uma suposta “contradição” diplomática.

No dia 14, os ministros da Defesa dos EUA, Jim Mattis, e do Catar, Khalid Al Attiyah, firmaram um acordo de US$12 bilhões pelo qual o país árabe comprava 36 aviões F-15 da superpotência. Além disso, no mesmo dia, dois navios de guerra dos EUA chegaram a Doha para um exercício militar conjunto com a marinha de guerra catariana.

Impôs-se, então, outro problema. O presidente Donald Trump, seis dias antes, denunciara o Catar como “patrocinador do terrorismo em alto nível”. Porém, ao vender aviões de guerra para os catarianos e realizar tais exercícios militares, a potência se colocou numa posição de apoio a um país que, como ela mesma reconhece, patrocina terroristas.

Na realidade, a questão de fundo não está no “apoio ao terrorismo”.

Como expôs o jornalista britânico Patrick Cockburn em seu A origem do Estado Islâmico, “a importância da Arábia Saudita na ascensão e retorno da Al-Qaeda é frequentemente mal compreendida e avaliada. O país é influente porque suas vastas reservas de óleo e riqueza o tornam poderoso no Oriente Médio e além. Contudo, não são apenas os recursos financeiros que o transformam em ator tão importante. Outro fator é seu papel na propagação do wahabismo, a versão fundamentalista do Islã, nascida no século XVIII, que impõe a lei da sharia, relega as mulheres ao papel de cidadãs de segunda classe e enxerga os xiitas e sufistas como não muçulmanos, que devem ser tão perseguidos quanto cristãos e judeus”. Ou seja, a acusação feita a Doha poderia igualmente ser feita a Riad − e talvez até com mais veemência.

É evidente que isso não implica dizer que o Catar não patrocine grupos terroristas, mas a acusação exclusiva a este país deve ser questionada.

Com efeito, o que está em jogo são as articulações político-militares locais e a disputa direta entre Doha e Riad por maior projeção.

Em termos político-diplomáticos, o diálogo do Catar com grupos como o Hamas e a Irmandade Muçulmana levaram a que Israel e Egito apoiassem prontamente a ruptura liderada pelos sauditas. O Bahrein, país de maioria xiita governado desde o século XVIII pela família sunita Al-Khalifa, acusou Doha de “incitação mediática, apoio a atividades terroristas e financiamento de grupos ligados ao Irã para sabotagem do país”. Ao mesmo tempo, Irã e Turquia têm sido, ao lado do Paquistão e de Omã, os grandes apoiadores do Catar.

Logo em seguida ao bloqueio ter sido estabelecido, por exemplo, as mídias sociais mostraram a corrida dos catarianos aos supermercados para compra e estocagem de água e comida, já que 40% dos alimentos consumidos no país vêm pela fronteira saudita. O Irã rapidamente se ofereceu para suprir estas necessidades alimentares, sendo em seguida secundado por Omã, e a Turquia, por sua vez, reafirmou sua aliança militar com o Catar e enviou uma tropa de 5.000 pessoas ao país.

A lista de 13 medidas recentemente enviada pelo bloco anti-Catar revela as motivações reais desta pressão diplomática. As principais exigências são: o fechamento imediato da rede Al Jazeera, entre outras emissoras catarianas; o completo afastamento político-diplomático em relação ao governo do Irã e de organizações terroristas; o fim da cooperação militar com a Turquia; a revogação da cidadania catariana de pessoas que tenham violado as leis dos quatro principais países do grupo, além da pronta entrega destes indivíduos aos seus respectivos governos; e a bizarra demanda de auditar o país sistematicamente durante a próxima década.

O Catar é um país muito importante para ser simplesmente afastado da esfera política no Golfo, mas, mesmo que as partes envolvidas cheguem enfim a um acordo e ocorra uma gradual distensão, a tendência será oposta à almejada atualmente pela Arábia Saudita. É bem provável que Doha preferirá diversificar suas alianças e parcerias a depender dos chamados “aliados tradicionais” que a qualquer momento podem lhe impor um forte bloqueio e, em seguida, a proposição de uma série de exigências draconianas para a retomada do diálogo.

A política saudita de pressão e humilhação ao Catar poderá ter como principal efeito o aguçamento da desconfiança deste país e a consolidação crescente de uma heterodoxa parceria Catar-Turquia-Irã e, eventualmente, Rússia, algo que iria completamente de encontro aos interesses de Riad.

Vinicius Melleu Cione
*Formado em Relações Internacionais e um dos diretores da Parthenon Consultoria Política.
vinicius@parthenoncp.com.br

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...